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Corrida de Toiros da Terrugem marcada por homenagem póstuma a Emílio Nabiça

Tradicional corrida de toiros realizou-se por ocasião das Festas em Honra de Santo António da Terrugem.

08 Agosto 2017

Tradicional corrida de toiros por ocasião das Festas em Honra de Santo António da Terrugem, um cartel de seis cavaleiros e três grupos de forcados, numa noite que ficou marcada por uma boa entrada de público ultrapassando os três quartos de casa.
No início da corrida foi prestada homenagem póstuma ao antigo forcado da terra, Emílio Nabiça, irmão, pai e tio de forcados. Todos estamos lembrados do grande forcado Nelson Nabiça, seu sobrinho.
Emílio era uma pessoa querida na sua terra, assim como no mundo da forcadagem. Outro grande forcado, Fazé Araújo, foi o mentor desta sentida e merecida homenagem, que tinha como objectivo perpetuar na memória de todos a figura do Emílio.
Rui Salvador, “o cavaleiro dos ferros impossíveis”, cravou logo “um desses” no primeiro comprido. Segue depois uma lide que pautou pela regularidade, cumprindo a ferragem da ordem.
Tito Semedo foi “á portagaiola” para receber o seu oponente, que viria a sair com pata, proporcionando grande emoção nas bancadas, um toiro encastado que permitiu ao cavaleiro de Santana da Serra momentos de grande toureio numa lide em que arriscou e ganhou. Bregou, cravou e rematou com emoção. Termina com um ferro de palmo a pedido do público, que, infelizmente, não viria a acrescentar nada à sua actuação.
Francisco Cortes esteve por cima do toiro e lidou com a garra que lhe é reconhecida. O segundo ferro curto que cravou foi de grande nota, uma lide que, no seu conjunto, teve nota positiva.
Tiago Carreiras foi à Terrugem com motivação para triunfar. Uma lide sempre em crescendo a um toiro que não apresentou facilidades ao toureiro da Casa Branca. Terminou a actuação em bom plano, com dois ferros a pedido do público, um deles cravado em sorte de violino.
Verónica Cabaço, cavaleira praticante, teve pela frente um toiro que acometia de todos os lados com uma prontidão de arrepiar. Não se intimidou a jovem toureira e cravou a ferragem da ordem com alarde e valentia. Um toiro que fazia suar qualquer toureiro, quanto mais uma jovem praticante, no entanto, nem um sinal de intimidação pela parte da Verónica. O seu valor foi fortemente premiado pelos aplausos e carinho do público.
Também a praticante Cláudia Almeida, que no ano passado triunfou nesta praça, teve novamente uma actuação meritória este ano, em primeiro lugar porque se encontrava diminuída fisicamente (deslocava-se de muletas), em segundo porque “foi para cima” de um toiro com investidas francas e alegres que Cláudia enfrentou com algum tremendismo, roçando por vezes a inconsciência própria da sua juventude. Felizmente, tudo terminou bem. Chegou forte às bancadas, terminando com um par de bandarilhas em terrenos de grande compromisso que apenas pecou pela colocação algo descaída.
Os toiros lidados pertenciam os primeiros quatro à ganadaria de São Martinho. Estavam bem apresentados e deram jogo desigual. Para as meninas estavam reservados dois toiros de duas ganadarias que muitos dos nossos toureiros nem sequer querem ouvir falar: José Dias e Felicidade Dias. Pela forma como saíram e como elas os enfrentaram, podemos dizer que foram as cavaleiras as triunfadoras desta corrida.
O quinto, lidado por Verónica Cabaço e que pertencia à ganadaria de José Dias, devia, sem sombra de dúvidas, ter sido premiado com volta. O director de corrida, Marco Gomes, assim não o entendeu.
Para a forcadagem havia um prémio em disputa para o melhor grupo e que levava o nome do homenageado, Emílio Nabiça. Foi ganho pelo grupo de forcados do Redondo, que executaram as duas pegas à primeira tentativa por intermédio do forcado da terra Joaquim Ramalho, que executou uma rija pega à primeira tentativa, e Luís Feiteirona, que também se fechou com prontidão ao primeiro intento.
Os forcados do Aposento do Alandroal, com pouca ou nenhuma rodagem, tiveram sérios problemas em pegar os seus dois toiros. Se todos estamos de acordo que a pega deve transmitir emoção, já não estamos de acordo se essa emoção se transformar em pânico, aflição, pavor e completo desnorte. Uma coisa é uma noite menos boa, outra é aquilo que se assistiu na praça da Terrugem. O seu primeiro toiro, depois de algumas tentativas falhadas de Miguel Andrade e João Rodrigues, foi pegado por Nuno Lopes, o seu segundo foi pegado por João Paulo, que dobrou Agostinho Canhoto depois também de várias tentativas.
Pelos forcados de Monsaraz foram caras Paulo Caturra à segunda e André Mendes à terceira.

Texto: Herlander Coutinho
Fotos: João Pedro Canhoto