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Campo Pequeno

Marcos Bastinhas em ombros na corrida de homenagem a seu pai

Na passada quinta-feira, a praça de toiros do Campo Pequeno vestiu-se de gala para homenagear um Toureiro, um Homem bom, no fundo um artista carismático como há poucos por este mundo fora.

08 Junho 2019

Na passada quinta-feira, a praça de toiros do Campo Pequeno vestiu-se de gala para homenagear um Toureiro, um Homem bom, no fundo um artista carismático como há poucos por este mundo fora.
Não existe ninguém em Portugal que não conhecesse Joaquim Bastinhas, feito difícil, e mais ainda quando as razões da sua popularidade eram o tourear bem e, sobretudo, as qualidades humanas. Quando assim é “nunca se morre”, mas a saudade é incontornável para todos e em boa hora a empresa que gere os destinos da primeira praça de toiros do País quis, desta forma, prestar mais que merecida homenagem ao cavaleiro elvense.
A corrida era mista. A cavalo toureou João Moura, que foi testemunha da sua alternativa na praça de toiros de Évora, e que esteve como é seu timbre, com duas lides à altura da noite, com melhor nota para a primeira. Apesar da idade, Moura está apto para competir com qualquer colega de cartel. Foi premiado com duas voltas de agradecimento, uma em cada um dos toiros que lidou.
Mas a noite era, e foi, sem sombra de dúvidas, de Marcos Bastinhas: duas portas gaiolas, dois pares de bandarilhas e duas voltas de agradecimento em cada um dos dois toiros que lidou e que lhe valeram a saída em ombros pela porta grande da primeira praça do país. Haveria melhor forma de homenagear seu Pai? Claro que não! Como Marcos disse nas declarações no final da corrida: “É tudo por ele e sempre que pisar uma arena é para honrar o nome Bastinhas”. E foi!
A parte apeada foi preenchida pelo matador de toiros espanhol bem conhecido, principalmente pelo público feminino... Cayetano Rivera Ordonez, duas lides distintas de Cayetano. No primeiro do seu lote nunca encontrou sítio, uma faena com passes soltos e sem ligação, até o tércio de bandarilhas protagonizado pela sua quadrilha foi sobejamente atribulado. Em Portugal não existe sorte de varas... No seu segundo, bem mais acoplado e com mais disposição, e mais toiro também, deixou bons momentos de toureio. Depois de receber com o capote com lances variados, colocou-se de joelhos para iniciar a faena de muleta com uma boa tanda de derechazos. Foi quando se meteu com a esquerda com uma boa série de naturais que surgiu o melhor toureio. Nota positiva para Cayetano nesta sua apresentação no campo pequeno “montera en mano”.
Foi lidado um bem apresentado curro de toiros de Varela Crujo, onde os saídos em quinto e sexto lugares foram devolvidos ao campo. A Tauromaquia também é vida. Bastinhas tocou-lhe em sorte o melhor lote, o que lidou em quinto lugar (não há quinto malo). Foi premiado com volta para o ganadeiro.
As pegas estiveram a cargo de dois grupos de forcados, Amadores de Portalegre e Amadores da Chamusca. Pelos alentejanos foram caras Ricardo Almeida e João Fragoso, ambos à segunda tentativa. A pega da noite foi executada por Bernardo Borges, dos Forcados Amadores da Chamusca. Francisco Borges executou à segunda tentativa a outra pega do grupo ribatejano.
A praça registou uma entrada de público a rondar os três quartos, tendo a corrida sido bem dirigida pelo Exmo. Sr. Director Ricardo Dias, coadjuvado pelo Médico Veterinário Dr. Moreira da Silva.
Feita a homenagem em Lisboa, em Setembro será a homenagem na sua terra, com duas corridas de toiros pelo São Mateus. Esperamos que justiça seja feita e que nessa mesma altura o Coliseu elvense passe a envergar o nome de Joaquim Bastinhas. É verdade que “só morremos quando se esquecem de nós”, mas também verdade é que temos que perpetuar o nome daquele que sempre levou associado o nome da sua terra.

Herlander Coutinho