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Relatório Especial sobre Oceano e Criosfera num Clima em Mudança confirma

Nível do mar deverá subir cerca de 10 cm no final do século XXI

Conheça os pontos principais relativos ao "Summary for Policymakers" (sumário para decisores) do SROCC:

25 Setembro 2019

- Verificou-se um degelo dos glaciares que no período de 2006 a 2015 foi o equivalente +2mm/ano no nível do mar;

- Nas últimas 5 décadas a cobertura de neve, avaliada no mês de junho, do Ártico continental, decresceu cerca de 13% por década;

- Nas regiões montanhosas a extensão e duração da superfície coberta com neve diminuiu, sobretudo nas cotas inferiores;

- O oceano aqueceu, as ondas de calor marinhas duplicaram em frequência e aumentaram a duração desde o início da década de 80 do século XX;

- Revisão em alta da subida do nível do mar em relação ao AR5 (ponto 4.42 do relatório), devido ao aumento do degelo na Antártida. Considerando o cenário de emissões do RCP 8.5, o acréscimo em relação ao anterior relatório do IPCC (AR5) é cerca de +10 cm no final do século XXI;

- O enfraquecimento esperado da AMOC (Atlantic meridional overturning circulation), sistema de correntes marinhas em profundidade que transportam calor dos trópicos para o Atlântico Norte e águas mais frias para sul, contribuirá para a diminuição da produção marinha no Atlântico Norte, para mais tempestades nesta região e para um aumento do nível do mar acima do esperado a nível global;

- O Atlântico Nordeste sofrerá reduções na produção primária líquida, que poderá atingir os 10 a 30 % no final do século no cenário mais gravoso (RCP8.5);

- De igual modo a biomassa animal sofrerá reduções em todos os cenários, sendo importante realçar que será das regiões com mais forte diminuição do planeta, mesmo no cenário mais otimista de redução de emissões (RCP 2.6), que limita o aquecimento global a +1.5 ºC em relação ao valor pré-industrial. A redução na quantidade disponível de peixe é já uma consequência verificada, em muitas regiões, relacionada com o aquecimento global.

- O nível médio do mar continuará a subir a um ritmo crescente, estando projetado que poderá ser de vários metros nos próximos séculos (até 2300), no cenário RCP8.5 e até 1 metro no caso do RCP 2.6.

- A este respeito é esperado que os fenómenos extremos locais de sobreelevação do nível do mar, que historicamente ocorriam 1 vez em 100 anos, passem a ser eventos com uma probabilidade de ocorrência anual, na maior parte dos locais costeiros analisados, já durante este século, aumentando a ocorrência de inundações costeiras.

- As respostas a este risco crescente estarão comprometidas num cenário gravoso de emissões de GEE (RCP8.5) mas poderão ser, em geral, efetivas, caso sejam implementadas, num cenário de menores emissões (RCP2.6)

- A mitigação da emissão de gases com efeito de estufa reduzirá os impactos, mas ainda assim algumas mudanças são já irreversíveis.

- A acidificação do oceano, a diminuição do oxigénio e a maior estratificação da coluna de água superior são outros aspetos que se agravarão no futuro.

- Ainda que a adaptação possa desempenhar um papel importante, na antecipação do clima futuro, o papel principal na redução de futuras consequências e impactos está dependente da efetiva redução de gases com efeito de estufa – mitigação.

Recordamos que o Relatório é dedicado aos Oceanos e à Criosfera num contexto de mudança climática, sendo de importância vital para a compreensão das alterações em curso e previstas no oceano, nos glaciares e nas regiões montanhosas. Destacando-se a demonstração das alterações impactantes da subida do nível médio do mar, acidificação do meio marinho, ondas de calor marinhas, degelo e retração dos glaciares, redução do permafrost já verificadas e as esperadas para os cenários mais otimistas e mais gravosos de concentração de gases com efeito de estufa.

O IPCC é o órgão da ONU que presta assessoria cientifica no âmbito do estudo das alterações climáticas, reúne 195 Estados-membros, estando o IPMA representado pela Divisão de Clima e Alterações Climáticas.

Fonte: IPMA