alimentos de extremadura
Linhas de Elvas
CCDRA
A Loja da Paula - 25 Anos
Elióptica Boas Festas
Nutriprado
Liberdade Branco
Sanielvas 358x90 - Nov17
Assine Já
Liberdade Branco

Artistas queixam-se de burla em simpósio internacional de escultura

Dez artistas que participam no 1º Simpósio Internacional de Escultura, no âmbito das comemorações do Ano Europeu do Património Cultural 2018, o qual arrancou na semana passada e termina no próximo dia 9 de Junho, em Elvas, queixam-se de terem sido burlados pela promotora do evento.

06 Junho 2018

Dez artistas que participam no 1º Simpósio Internacional de Escultura, no âmbito das comemorações do Ano Europeu do Património Cultural 2018, o qual arrancou na semana passada e termina no próximo dia 9 de Junho, em Elvas, queixam-se de terem sido burlados pela promotora do evento.

Os escultores explicam que os alegados contratos não estão a ser cumpridos, nomeadamente o pagamento de milhares de euros referentes ao trabalho dos artistas, questionando ainda se o mesmo está a acontecer com as despesas de alimentação, alojamento e outras quantias necessárias à execução e logística das obras artísticas.

Simposio artistasRyszard Litwinuk

O artista Ryszard Litwinuk recebeu um convite para esculpir uma obra sua em Elvas que, mais tarde, seria exposta no Museu dos Coches, em Lisboa. Ao convite ter-se-á seguido, segundo refere, um alegado contrato que previa o pagamento de cerca de 1300 euros. Tudo isto organizado, como diz, por Maria Cid Peixeiro, que sublinha “nunca respondeu a um único e-mail”.

O convite terá sido aceite e pouco tempo depois Ryzard embarcou no avião para Lisboa, localidade onde pediu boleia a um amigo que o trouxe, dia 31 de Maio, para Vila Viçosa, o local combinado.

Em Vila Viçosa começaram as complicações, primeiro a alteração do local de alojamento, que acabou por ser “no meio do nada”, confessa o artista, acrescentando depois que foi uma “enorme dificuldade descobrir a localização. Quando descobrimos deparámo-nos com um portão fechado, ligámos para o proprietário do estabelecimento que, por sua vez, nos facultou um código de acesso ao interior (…) porém, mais tarde, chegou o proprietário com uma mulher, que ninguém sabia quem era, que se apresentou como sendo a Maria do Carmo Cid Peixeiro”.

O artista polaco refere ainda que “é muito complicado dizer o que se passou, se foram dificuldades técnicas, se má organização ou um comportamento errado da pessoa que organizou tudo isto”. Pessoa essa que “abandonou o local [onde decorre o simpósio] sem que seja possível obter informações ou falar com ela”.

Simposio artistasJavier Casado

Em declarações ao nosso jornal, Javier Casado, que se encontra a trabalhar na peça encomendada para o artista convidado Juan Zamora, explica que "desde o primeiro dia, quando chegámos, vimos que não havia nada preparado e que as condições de trabalho não eram as adequadas".

Acrescenta também que os artistas estão “a trabalhar num local ao ar livre sem protecção para o sol, pode haver danos físicos pois não temos meios para transportar pesos, como as pedras de mármore que, em certos casos, tivemos de transportar, à mão e sem seguro, com a ajuda de várias pessoas. Encontramo-nos numa situação em que dia após dia nos é prometido algo para o dia seguinte, mas tudo se vai atrasando. Já estamos há uma semana nestas condições e, no final, tudo parece ser uma grande mentira, com muitas pessoas envolvidas e no final não vamos receber o que nos devem”.

Javier Casado diz desconhecer “se o alojamento vai ser cobrado aos artistas, perguntamos, mas ninguém responde. Nunca nos deram informações claras”.

Questionado se já havia vivido semelhante situação anteriormente, o assistente de Juan Zamora confessa “nunca ter passado por algo assim”, explicando em seguida que “num simpósio quando se chega está tudo em ordem, o material está no local, há boas infra-estruturas de trabalho e aqui não há absolutamente nada nem informação de nenhum tipo”.

Com a responsável, de acordo com a mesma fonte, tem havido “uma relação muito difícil porque desde o primeiro momento nunca nos deu informações de forma clara, houve dias em que não sabíamos se tínhamos dinheiro para comer, se poderíamos permanecer no alojamento. Penso que só a Câmara Municipal está a fazer o possível para que isso aconteça. Houve ameaças da promotora do simpósio, gestos e ela própria tem tentado causar conflitos dentro do grupo, pensamos nós para que tudo isto se cancelasse e para que ela tivesse uma razão para não nos pagar”.

Javier Casado promete “continuar a trabalhar”, embora não sabendo se as duas exposições, uma em Elvas e outra em Lisboa, “vão mesmo acontecer. Nós vamos terminar as peças porque é a única coisa que podemos fazer”.

O "Linhas" contactou Maria Cid Peixeiro, promotora do simpósio, que refuta as acusações dos artistas e garante que “eles têm tido tudo o querem”.

Ao nosso semanário, a promotora do evento garante que “não tem recebido qualquer contacto dos artistas” e que as suas responsabilidades se prendem com o alojamento, o pagamento aos artistas e disponibilizar a matéria-prima para as esculturas.

“Tenho dado tudo, o pagamento é no último dia [9 de Junho]”, salienta, confessando que “as discussões têm surgido porque eles queriam receber a meio, no entanto, sou capaz de lá estar um dia inteiro e eles não aparecem para trabalhar. Os problemas têm sido tantos que, apesar de ter ponderado pagar a meio, só o faço no fim, é o que está contratado, ou melhor, no regulamento está previsto o pagamento de 1300 euros”.

Relativamente ao alojamento, Maria Cid Peixeiro sublinha que “está a ser completamente cumprido” e que o primeiro local previsto para acomodar os artistas internacionais “foi alterado porque o proprietário estava doente, ficando eles com um alojamento superior que inclui pequeno-almoço, jantar e dormida”.

Quanto à logística para a realização do simpósio, a promotora esclarece que “as peças foram colocadas por uma empilhadora contratada”.

A responsável coloca em “dúvida” a realização da exposição prevista para o Museu dos Coches, em Lisboa. “Não estou disposta a trabalhar três meses, pagar e ser mal tratada, contudo, isso são actividades [as exposições em Elvas e Lisboa] suplementares”, conclui.

Maria Cid Peixeiro, que já teve um atelier de cerâmica em Lisboa, foi funcionária no Exército ao longo de duas décadas e leccionou na Casa Pia.

O evento, que decorre no Rossio de São Francisco junto ao Aqueduto da Amoreira, arrancou a 31 de Maio e está previsto finalizar no dia 9 de Junho. Nesta iniciativa estão presentes os escultores Juan Zamora (Espanha), Manuel Morales (Espanha), Iván Gómes (Espanha), Moreno&Greu (Espanha), Guille Ros (Espanha), Carlos de Gredos (Espanha), Marco Ranieri (Itália), Takashi Ikezawa (Japão), Ryszard Litwiniuk (Polónia) e Bettina Geisselmann (Alemanha).

A PSP esteve no local.

Simposio escultura