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Dois quadros doados ao Município de Reguengos de Monsaraz

Os bens doados são um auto-retrato de 1948 e uma pintura de Demóstenes Espanca feita em 1993 pelo pintor reguenguense Vitor Cameirão. Os quadros destinam-se a iniciativas culturais organizadas pela autarquia, como por exemplo homenagens e exposições de artistas do concelho.

21 Abril 2018

Dois quadros do espólio de Demóstenes Espanca foram doados, no dia 6 de Abril, ao Município de Reguengos de Monsaraz pela viúva do pintor, Rosa Espanca, e pela sobrinha, Maria Ribeiro.

Os bens doados são um auto-retrato de 1948 e uma pintura de Demóstenes Espanca feita em 1993 pelo pintor reguenguense Vitor Cameirão. Os quadros destinam-se a iniciativas culturais organizadas pela autarquia, como por exemplo homenagens e exposições de artistas do concelho.

Demóstenes Espanca residiu em Reguengos de Monsaraz desde Maio de 1934 até data do seu óbito, em 6 de Novembro de 1993. Natural de Évora, onde nasceu no dia 1 de Abril de 1908, ainda criança foi viver com o seu tio, João Maria Espanca, pai da poetisa Florbela Espanca, em Vila Viçosa. Durante a sua infância, rodeado de familiares de grande sensibilidade artística, cedo despertou para a expressão plástica com forte paixão pelo desenho e pela pintura, principalmente caricatura e fotografia.

Demóstenes Espanca foi um autodidacta, pois não tinha possibilidade de frequentar qualquer curso das Belas Artes, tendo aprendido em visitas a exposições, consultando livros e sobretudo através da observação. Colaborou em jornais de Évora e de Estremoz e fazia gratuitamente os programas dos espectáculos cinematográficos, artisticamente desenhados e legendados para a empresa Éden Teatro, que eram utilizados como publicidade e espalhados pelas montras das casas comerciais.

Em 1934 foi viver para Reguengos de Monsaraz para trabalhar como empregado de balcão numa casa comercial e depois como escriturário. Passados oito anos foi para o Grémio da Lavoura de Reguengos de Monsaraz onde trabalhou mais 37 anos até se reformar, tendo exercido as funções de guarda-livros e de técnico de contas.

Demóstenes Espanca sempre teve uma grande admiração por Monsaraz e em 1975 ficou à frente da sua Junta de Turismo para dar a conhecer a vila medieval. Foi também devido a Monsaraz que conheceu e ficou amigo do pintor João Barata, que lhe ofereceu um cavalete e um estojo de desenho ao saber que Demóstenes Espanca pintava as suas telas numa cadeira.

Acompanhando João Barata nas sessões de pintura em Monsaraz, dele recebeu conhecimentos técnicos que influenciaram e enriqueceram a sua pintura. Demóstenes Espanca conhecia toda a toponímia e riqueza da vila medieval, a luz reflectida dos brancos luminosos das paredes caiadas do casario em contraste com as muralhas, as ruas calcetadas com xisto, mas também pintou com rigor os motivos alentejanos, as figuras típicas e as fainas agrícolas. As suas obras tornaram-se conceituadas, apreciadas e disputadas por muitos coleccionadores.