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Ambiente em 2017 no Alto Alentejo: O melhor e o pior

O Núcleo Regional de Portalegre da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza apresentou alguns factos que, na sua opinião, marcaram positiva e negativamente o ano de 2017.

30 Dezembro 2017

No plano nacional e internacional, o ano de 2017 continuou a trazer, por vários motivos, o Ambiente à ordem do dia. Nesse sentido, e como tem vindo a ser habitual, a Direcção Nacional da Quercus emitiu um comunicado oficial sobre o ano que agora termina.
Ao nível do Alto Alentejo, e do distrito de Portalegre em particular, a Quercus destaca os seguintes factos, de acordo com o trabalho desenvolvido em 2017:

O PIOR DE 2017

Descargas poluentes no rio Tejo
Peixes mortos e descargas altamente poluentes no rio Tejo marcaram negativamente o ano de 2017. Apesar de todos os alertas e denúncias de Associações, cidadãos e movimentos, continuam a ser demasiado recorrentes os episódios de poluição registados no rio Tejo, um rio internacional de elevado valor ambiental, cultural e económico. Os atentados ambientais que ocorrem sobretudo na zona de Vila Velha de Ródão fazem com que o rio Tejo se apresente ano após ano, progressivamente, mais degradado e ameaçado, bem como impedido de cumprir com as suas funções ecológicas e de suporte a atividades económicas locais. Por outro lado, o reduzido caudal proveniente de Espanha, por incumprimento do caudal ecológico, reforça a necessidade de renegociação da Convenção de Albufeira.

Incêndios em Nisa e Gavião
O ano de 2017 fica marcado, sem dúvida, pela tragédia dos grandes incêndios florestais que assolaram, Portugal, e onde arderam, no total, cerca de 500 mil hectares de floresta e povoamentos. O desordenamento do território e da floresta, onde predominam monoculturas de eucaliptos, um ano extremamente seco e condições atmosféricas extremas contribuíram para este cenário. Também no Alto Alentejo se sentiu o efeito deste flagelo, em especial nos concelhos de Gavião e de Nisa, tendo segundo dados oficiais do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas ardido no distrito de Portalegre uma área superior a 11.000 hectares. Para além de todos os impactes ambientais negativos que estes incêndios provocaram, também a nível social e económico os impactes foram enormes.

Seca
A seca que afectou, e ainda afecta, todo o país, atingiu também o Alto Alentejo e o distrito de Portalegre. Segundo informação mais recente sobre a seca, divulgada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera, no final do mês de Novembro mantinha-se a situação de seca meteorológica em praticamente todo o território de Portugal Continental, estando cerca de 50% do território em situação de seca extrema, e incluindo-se nesta área a quase totalidade da região do Alto Alentejo. A falta de água teve efeitos negativos nos ecossistemas, na agricultura e na quantidade de água para uso humano. Verificaram-se níveis muito baixos de água em várias Albufeiras do distrito, como por exemplo nas do Maranhão e do Caia.

Extensão do prazo para o pedido de renovação da licença de funcionamento da Central de Almaraz
O Conselho de Segurança Nuclear (CSN) viabilizou a proposta do Governo Espanhol para estender em cerca de dois anos o prazo para que o consórcio Iberdrola, Endesa Generación e Gas Natural, que explora a Central Nuclear de Almaraz, apresente o pedido de renovação da licença de funcionamento desta Central, localizada na Extremadura Espanhola, junto à fronteira com Portugal. Esta é a confirmação de que têm surtido efeito as fortes movimentações em Espanha para que a Central não encerre no prazo definido (Junho 2020). É indispensável que o Estado Português tome posições mais firmes para defender as populações do Alto Alentejo desta grave ameaça.

Olivais intensivos no Alto Alentejo
À semelhança do Baixo Alentejo, o Alto Alentejo, sobretudo o concelho de Avis e o concelho de Elvas, continua a ser também alvo da instalação de monoculturas intensivas de olival. Quando a maioria das previsões aponta para num futuro breve existirem graves carências ao nível dos recursos hídricos disponíveis nas zonas a sul do Tejo, sendo este ano de 2017 um exemplo disso, será muito questionável a aposta que está a ser feita nestas culturas de regadio, complementadas com utilização regular de fertilizantes químicos de síntese e produtos agrotóxicos. Mais grave se torna a situação quando a expansão destas culturas é feita à custa de floresta autóctone, base da biodiversidade local, ou com o sacrifício de olival adulto e tradicional, bastante mais bem adaptado às realidades locais.

Abate árvores classificadas em Portagem, Marvão
No início de 2017 foram abatidos alguns freixos (Fraxinus angustifólia Vahl) adultos de grande porte, em Portagem, Marvão, num local conhecido como “Túnel das árvores” ou “Alameda dos Freixos”. Era intenção inicial da empresa cortar mais alguns exemplares desta espécie, já sinalizados previamente, não fosse a pronta intervenção de cidadãos, autarquia e ambientalistas. O local onde decorreu este abate está integrado no Parque Natural da Serra de São Mamede e devido à sua singularidade paisagística, é um autêntico cartão de visita da região, constituindo-se como um património natural e cultural que tem sido conservado pelas populações ao longo dos anos. Os cerca de 300 freixos centenários foram inclusivamente classificados como árvores de interesse público, pela sua dimensão e conjunto, que segundo a ficha de caracterização oficial, forma uma “magnífica alameda de altos e frondosos freixos”.

Operações de “limpeza” em árvores
Continuam-se a registar casos de más práticas nas limpezas e operações de poda realizadas nas árvores de alguns parques e jardins do Distrito. Tais práticas, muitas vezes realizadas de forma demasiado severa e injustificada, provocam frequentemente debilidade nas árvores intervencionadas, assim como danos ambientais e descaracterização dos espaços públicos onde se encontram.

O MELHOR DE 2017

Lançamento do Projecto PRODEHESA-MONTADO
17 entidades portuguesas e espanholas, com actividade na zona transfronteiriça iniciaram em 2017 o Projeto de Cooperação Transfronteiriça para a Valorização Integral do Montado (PRODEHESA-MONTADO). As regiões envolvidas neste projecto são a Extremadura, a Andaluzia, o Alentejo, o Centro e o Norte de Portugal e o Norte do Algarve. O objetivo do projecto é implementar as ações necessárias para melhorar ambiental e economicamente o montado, de um ponto de vista sustentável. O projeto PRODEHESA-MONTADO inclui quatro atividades técnicas principais (melhoria do quadro regulamentar, recuperação ambiental do montado, identificação e transferência de inovação, e valorização e marketing). Além disso, o projeto tem em vista trabalhar numa candidatura única luso-espanhola para que o montado seja declarado Património Mundial pela UNESCO.

Moção da CIMAA relativa a Almaraz
Em Março de 2017, a CIMAA - Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, que integra os 15 municípios do distrito de Portalegre, aprovou por unanimidade uma posição contra a construção do Armazenamento Individualizado (ATI) de resíduos nucleares junto à Central de Almaraz, localizada na Extremadura Espanhola, junto à fronteira com Portugal. A moção demonstrava também uma extrema preocupação com a continuidade em funcionamento da Central Nuclear de Almaraz e este é, sem dúvida, um sinal que os Municípios do Alto Alentejo estão unidos, no sentido de serem acautelados os interesses e a segurança das populações contra a grave ameaça do Nuclear.

Herdade dos Outeiros Altos vence prémio Golden Cork
Em 2017, a Herdade dos Outeiros Altos, em Estremoz, foi escolhida, a nível europeu, como a vencedora do prémio "Goldener Korken 2017”. A Weinloge (Freising, Alemanha), Sociedade de apreciadores de vinho de todo o mundo, decidiu atribuir este prémio – pela primeira vez em Portugal - por considerar a Herdade dos Outeiros Altos um produtor de vinhos que se distingue a nível europeu no tratamento especial que tem com a natureza e com as práticas de cultivo ecológico.

Árvore de Natal com materiais reutilizados em Avis
Tendo como pano de fundo a implementação da regra dos 3 R´s (Reduzir, Reutilizar, Reciclar), em Avis foi mais uma vez produzida uma Árvore de Natal de grandes dimensões, e respectivos enfeites natalícios, a partir de diversos materiais reutilizados. Esta Árvore de Natal, que está em exposição no Jardim “Passeio do Mestre” durante toda a quadra festiva, pretende celebrar o Natal e a vida, através do reaproveitamento de diversos materiais, essencialmente garrafas PET de cor branca, verde e azul, cartão, jornais, tecido, cordel e outros, mantendo e incrementando a criatividade e o sentido artístico deste projeto socioambiental.

O Minuto Verde vai às Escolas no distrito de Portalegre
Duas escolas do distrito de Portalegre estão a participar activamente no projecto nacional de educação e sensibilização ambiental da Quercus “Minuto Verde vai à Escola”, no âmbito do Fundo Ambiental, lançado pelo Ministério do Ambiente. A Escola Básica José Régio (Portalegre) e o Agrupamento de Escolas de Sousel, através dos seus alunos do 8º ano do 3º Ciclo do Ensino Básico, estão a participar na elaboração e gravação de conteúdos audiovisuais sobre as mais diversas temáticas ambientais, inspirados no formato da rubrica “Minuto Verde”, que a Quercus produz e apresenta há mais de 11 anos na RTP1.