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Cerca da 3% da área da Reserva da Biosfera da Unesco em Castro Verde ardida

Cerca de três por cento da área da Reserva da Biosfera da UNESCO em Castro Verde ardeu no fogo que consumiu dois mil hectares no concelho, uma zona de protecção especial de aves.

14 Julho 2020

Cerca de três por cento da área da Reserva da Biosfera da UNESCO em Castro Verde ardeu no fogo que consumiu dois mil hectares no concelho, uma zona de protecção especial de aves, foi hoje revelado.
Em declarações à agência Lusa, Rita Alcazar, do Centro de Educação Ambiental do Vale Gonçalinho e da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), explicou que, embora seja uma “estimativa ainda preliminar”, o incêndio terá afectado “à volta de dois mil hectares da Reserva da Biosfera, ou seja, cerca de 3% da área da reserva”.
O incêndio no concelho de Castro Verde, distrito de Beja, que deflagrou em Lagoa da Mó, perto de Casével, foi dominado às 02:22 de hoje, depois do alerta dado às 17:07 de segunda-feira e alastrado a áreas de pasto, mato e seara.
No combate às chamas ficaram feridos cinco bombeiros, dois dos quais com gravidade.
De acordo com Rita Alcazar, arderam igualmente várias explorações agrícolas que são “absolutamente essenciais” para a biodiversidade existente na Reserva da Biosfera, lembrando que várias espécies “estão muito dependentes da actividade agrícola extensiva, de sequeiro e de baixo impacto, muito geradora de biodiversidade”.
Segundo a coordenadora da LPN de Castro Verde, algumas aves que foram afectadas pelo incêndio têm no local o seu núcleo principal, embora possam existir em outras zonas do Alentejo, no entanto, o “grande reduto” é na zona consumida pelas chamas.
“Têm aqui o grande reduto, como é o caso das abetardas, dos cisões e se calhar as crias ainda não estavam voadoras e podem ter tido alguma dificuldade em fugir do fogo”, explicou Rita Alcazar, lembrando ainda a existência de outros animais que podem ter passado por perigo semelhante, como o ouriço caixeiro, salamandras, sapos, rãs e outros repteis.
“Num incêndio com estas dimensões, em que a velocidade do fogo é muito grande, não têm velocidade suficiente para fugir e afastar-se da áreas ardida”, explicou.
Rita Alcazar mantém, no entanto, alguma esperança na recuperação da vegetação caso o outono venha a ser normal, ou seja, com chuva.
“Se tivermos um outono normal com chuva a zona recuperará a vegetação. A grande preocupação tem a ver com o facto de termos cada vez anos mais secos, com pouca chuva e isso era essencial. Ter um bom outono para o que ardeu volte a nascer e lentamente recuperar a biodiversidade que aí existia e as condições do solo”, sublinhou a responsável.
O concelho de Castro Verde foi classificado em 14 de Junho de 2017 como Reserva da Biosfera pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

RCP // MLM
Lusa