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Alentejo viajou até Espanha

Madrid conheceu programação da XVI edição do “Terras Sem Sombra”

A XVI edição do festival Terras Sem Sombra, que anualmente percorre diversas localidades alentejanas, foi apresentada à sociedade artística e imprensa espanhola no dia 18 de Fevereiro.

06 Março 2020

A XVI edição do festival Terras Sem Sombra, que anualmente percorre diversas localidades alentejanas, foi apresentada à sociedade artística e imprensa espanhola no dia 18 de Fevereiro.
Estiveram presentes, entre outras individualidades, o novo embaixador de Portugal no país vizinho, João Mira-Gomes, o director artístico do certame, Juan Angel del Campo, o presidente da Agência de Promoção de Turismo do Alentejo, Victor Silva e o director do festival, José António Falcão.
Maria Vale, responsável pelo turismo em Portugal em Espanha, também esteve presente no evento, que decorreu no restaurante Atlantik Corner, especialista em cozinha galego-portuguesa.
O jovem violoncelista Pedro Bonet deliciou os presentes com um tema do seu repertório e que interpretou no passado dia 1 de Fevereiro, em Barrancos, naquele que foi o o segundo fim de semana cultural da edição do Terras sem Sombra 2020 em território luso.
Em 2020, a 16.ª temporada do Festival, que conta como país convidado a República Checa, decorre entre Janeiro e Julho, aos fins-de-semana, por treze concelhos alentejanos.
Como nos refere José António Falcão, o “Terras Sem Sombra propõe, nas tardes de sábado, o encontro com bens culturais que, em geral, estão pouco acessíveis ao público. A grande música sobe ao palco em igrejas e outros monumentos, eleitos pelo valor histórico e pelas condições acústicas. O programa encerra nas manhãs de domingo, com acções de salvaguarda da biodiversidade, envolvendo também entendidos locais”.

Partilhar e projectar o legado cultural e natural do Alentejo

O Terras Sem Sombra surgiu em 2003 com a firme vontade de partilhar e projectar o legado cultural e natural do Alentejo. A programação do Festival, de carácter itinerante, dá a conhecer um território ímpar, contribuindo para a formação de novos públicos fomentando, ao mesmo tempo, a descentralização da cultura dita erudita.
Fiel ao propósito de internacionalizar o território alentejano como destino privilegiado de arte, cultura e natureza, este projecto convida a um olhar inédito sobre ele, na encruzilhada da música, do património e da biodiversidade. Do seu ADN fazem parte não só o conhecimento e a memória, mas também a inclusão e a sustentabilidade.
A programação, de reconhecida qualidade e âmbito internacional, contempla concertos, conferências temáticas, espaços de pedagogia artística, master classes, visitas guiadas e iniciativas de salvaguarda dos recursos biodiversos, sendo todas as actividades de entrada livre.Apresentacao do Terras Sem Sombra
A vinda de grandes intérpretes e de um notável repertório ao Alentejo amplia a relação iniciada em 2018-2019, aprofundando-se assim o diálogo artístico entre dois países. Neste âmbito, estão programados cinco concertos, que abarcam desde a Idade Média até à modernidade. Referência, ainda, para as demais participações internacionais e nacionais de alto nível, com espectáculos nos concelhos alentejanos de Vidigueira, Barrancos, Mértola, Arraiolos, Viana do Alentejo, Beja, Ferreira do Alentejo, Castelo de Vide, Sines, Alter do Chão, Santiago do Cacém e Odemira, além de um concerto-surpresa.

Património variado e único

Uma das apostas do Festival passa pelo vastíssimo património da região alentejana e abarca a visita a sítios arqueológicos do período romano, a testemunhos das heranças islâmica e judaica e a alguns conjuntos fortificados que contribuíram para a afirmação da Nacionalidade. A presente edição do “Terras sem Sombra” leva-nos numa viagem pelas paisagens materiais e imateriais e as suas interacções, chave para a compreensão do espírito de cada um dos lugares percorridos. A nossa identidade profunda manifesta-se não apenas no património edificado, mas também nos testemunhos intangíveis que nos legam a arte chocalheira – Património Imaterial da Humanidade –, a cestaria, a manufactura de tapetes bordados, as artes da pesca, a tradição equestre, a língua barranquenha ou vinícolas tradicionais que produzem, desde o século XVIII, vinhos da talha, transportados de geração em geração patentes em adegas ancestrais localizadas em Vila de Frades.

Em 2019, região lucrou mais de 370 mil euros

O público do Festival “Terras Sem Sombra” é maioritariamente português e estima-se que, no ano passado, proporcionou perto de 370 mil euros à economia da região, segundo um inquérito realizado ao longo da edição transacta.
Os dados fazem parte de um estudo dos públicos que acompanharam dez dos 14 fins-de-semana da 15.ª edição do festival.
O estudo foi elaborado por uma equipa do Centro de Investigação em Turismo, Sustentabilidade e Bem-estar (CinTurs), da Universidade do Algarve.
Segundo os dados apurados, a média etária dos participantes é de 57 anos, dividida de forma igual pelos dois sexos, sendo 87% com um nível de escolaridade "superior", e a maioria vivendo em união de facto (67%). A nacionalidade portu-guesa domina o público do festival e, em menor escala, há participantes espanhóis, franceses e italianos.
O estudo aponta uma estimativa da despesa dos participantes num total de 369.167,16 euros, gastos sobretudo em restauração, transportes e no comércio local, de acordo com a sua distribuição: 10.754,29 euros em dormidas, 107.222,09 euros em restauração, 95.682,22 euros em transportes e 95.682,22 euros em compras no comércio local. Por concelhos, Beja terá lucrado 39.612,13 euros, Vidigueira 39.314,29 euros e Elvas 35.219,05 euros.

“Exemplo do que pode ser bem feito”

João Mira-Gomes é embaixador de Portugal no país vizinho há somente duas semanas mas não duvida em afirmar que, apesar deste ser um certame focalizado no Alentejo, é “exemplo daquilo que pode ser feito, e Bem feito, não só para promover o melhor conhecimento de Portugal em Espanha mas também para mostrar aquilo que temos de bom e característico”. Apesar do Alentejo ser um “pouco a continuação das terras espanholas, acho que temos coisas que são bonitas e muito relevantes para promover em Madrid. Combinar esta faceta da música com o nosso património, que é algo que está tão bem preservado no Alentejo, a biodiversidade que também é fundamental e onde Portugal é um dos países pioneiros, dá uma imagem não só de um país que é tradicional, de uma região que guarda os seus ritos e culturas e isso é, no fundo, a imagem de marca que estamos a construir no estrangeiro. O Terras Sem Sombra, e o nome diz tudo, quase mágico, é uma óptima iniciativa promocional”, garante o diplomata que acrescenta que “este festival faz-nos subir na cadeia de valor a quem nos visita e que tanto aspiramos”.

João Alves e Almeida