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Associação alerta para necessidade de aumentar reservas hídricas do Alqueva para rega

A ACOS - Associação de Agricultores do Sul alertou hoje para a necessidade de medidas para aumentar as reservas hídricas do Alqueva para rega, devido à expansão do regadio do projeto e tendo em conta regantes precários.

03 Fevereiro 2020

A ACOS - Associação de Agricultores do Sul alertou hoje para a necessidade de medidas para aumentar as reservas hídricas do Alqueva para rega, devido à expansão do regadio do projeto e tendo em conta regantes precários.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a ACOS refere que o aumento da reserva de água para o regadio pode ser atingido com a construção de uma nova barragem no rio Ardila, "projeto já equacionado" pela Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), a renegociação da concessão de água autorizada para agricultura e a subida da cota de outras barragens de menor dimensão, designadamente Pedrógão e Alvito.
A associação, que organiza a feira agropecuária Ovibeja, congratula-se com o início das obras para expansão do regadio do Alqueva, anunciado pela EDIA na semana passada, o que "defende desde longa data" e que permitirá passar dos atuais 120 mil para 170 mil hectares de terreno agrícola irrigável pelo projeto até 2023.
"Contudo e em representação das diferentes realidades dos seus associados", a ACOS reivindica que sejam "incluídas de forma definitiva na zona beneficiada" pelo Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA) as áreas regadas a título precário, ou seja, que não estão incluídas nos blocos de rega, mas recebem água do Alqueva, "assumindo os proprietários as obrigações decorrentes" da integração e "sem quaisquer custos para o Estado".
Segundo a ACOS, as áreas regadas a título precário ocupam uma área "na ordem dos 20 mil hectares" e, por isso, ao incluí-las na zona beneficiada "deve-se" passar a "considerar" uma área total irrigável pelo EFMA "de aproximadamente 200 mil hectares" ao invés de 170 mil.
A ACOS sublinha que as áreas regadas a titulo precário fora do perímetro do EFMA e que foram "encorajadas" pela EDIA "contribuíram para o aumento das taxas de adesão ao regadio" do projeto e representaram "avultados investimentos privados" em culturas permanentes e temporárias.
No entanto, a ACOS "alerta para o facto de apenas estarem concessionados 590 milhões de metros cúbicos" (m3) como "quota disponível para o regadio" do EFMA, "o que, a considerar os 200 mil hectares, equivale a uma dotação média de apenas 3.000 m3 por hectare, muito aquém dos 6.500 m3 por hectares projetados".
"Daquela quota disponível, haverá também que considerar a água a fornecer, sempre que necessário (quantos mais anos secos ocorrerem pior), aos regadios pré-existentes constituintes do EFMA", frisa.
Ou seja, "aquela dotação já de si insuficiente, será ainda bastante agravada, colocando em risco a diversidade cultural existente e as opções por novas culturas no futuro", alerta a ACOS, referindo que, "para ultrapassar esta limitação, só vê uma saída possível": "aumentar a reserva de água para o regadio" do Alqueva.