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Cendrev assinala em Évora 45 anos com entradas gratuitas na "Embarcação do Inferno"

“Embarcação do Inferno”, baseada no “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente, é a peça com que o Centro Dramático de Évora (Cendrev) comemora, este fim de semana, os seus 45 anos de existência.

08 Janeiro 2020

“Embarcação do Inferno”, baseada no “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente, é a peça com que o Centro Dramático de Évora (Cendrev) comemora, este fim de semana, os seus 45 anos de existência.
O espectáculo, em cena no centenário Teatro Garcia de Resende, em Évora, a partir de hoje e até dia 17 deste mês, tem duas sessões com entradas gratuitas para assinalar o 45.º aniversário da companhia, no sábado, às 21:30, e no domingo, às 16:00.
A peça, estreada em 2016, é uma coprodução do Cendrev e da companhia A Escola da Noite, e volta a ser representada “num momento” em que o “futuro da companhia de Évora é incerto”, devido à falta de financiamento por parte da Direção-Geral das Artes (DGArtes), destacou hoje o Cendrev, em comunicado.
“Sem saber se vai para o céu ou para o inferno, o Cendrev convida todo o público a vir comemorar os 45 anos do Centro Dramático de Évora com espectáculos de entrada gratuita”, incentivou.
O Centro Dramático de Évora foi uma das estruturas culturais do país excluída do financiamento do programa de apoio sustentado bienal da DGArtes 2020-2021 para a área do Teatro.
No distrito de Évora, o programa não vai apoiar qualquer estrutura teatral, já que, além do Cendrev, ficaram sem financiamento as outras três que se candidataram (A Bruxa Teatro, o Projecto Ruínas e a Algures – Colectivo de Criação).
Em Outubro passado, quando a companhia foi notificada dos resultados provisórios do concurso, o director do Cendrev, José Russo, afiançou logo, em declarações à agência Lusa, que “o resultado” seria o “fechar de portas” do Cendrev este ano.
Na semana passada, a 02 de Janeiro, através da sua página na rede social Facebook, o Cendrev indicou que iria adiar a decisão sobre “o fim da companhia”.
O Cendrev já não iria “encerrar em Janeiro”, garantiu a companhia, nessa publicação, justificando que o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá (CDU), tinha assumido “o compromisso de retomar o subsídio anual a este projecto, com o respectivo pagamento até final” deste mês.
No comunicado agora divulgado, a propósito das sessões da “Embarcação do Inferno” com entradas gratuitas, a companhia sublinhou ter recebido “apoio da Câmara Municipal de Évora”, mas realçou que “aguarda ainda a posição do Ministério da Cultura sobre o seu futuro”.
Insistindo não ter recebido qualquer “apoio da DGArtes” para este ano e para o próximo, mantendo-se “em risco de fechar portas por falta de financiamento”, o Cendrev revelou ainda que tem uma reunião agendada com a ministra da Cultura, Graça Fonseca, no próximo dia 14.
O espectáculo “Embarcação do Inferno”, baseado num dos textos “mais conhecidos do teatro português”, o “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente, foi estreada em Évora, a 06 de Outubro de 2016 e, até ao momento, já foi visto por “mais de 15 mil espectadores em todo o país”, afirmou o Cendrev.
Esta coprodução do Cendrev e d’A Escola da Noite, de Coimbra, envolve “duas das companhias nacionais que mais se têm dedicado a estudar a obra vicentina e a representar os textos daquele que é considerado o primeiro dramaturgo, Gil Vicente”, realçou.
A peça respeita “integralmente o texto original” e apresenta ao público “um Gil Vicente contemporâneo, que se deixa acompanhar pela presença das referências aos tradicionais Bonecos de Santo de Aleixo”, propriedade do Cendrev.
Com encenação conjunta dos directores artísticos das duas companhias, José Russo (Cendrev) e António Augusto Barros (A Escola da Noite), o espectáculo é um convite aos espectadores para reflectirem “sobre os temas de sempre”, nomeadamente “Morte e Vida, Mal e Bem, Ter e Poder”, os quais “se mantêm tão actuais como há cinco séculos”, segundo a organização.

RRL // MLM
Lusa