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Grupo de Amigos de Vila Viçosa defende criação de Casa-Museu de Florbela Espanca

O Grupo de Amigos de Vila Viçosa defendeu hoje a criação da Casa-Museu de Florbela Espanca, um projeto antigo em “banho-maria”, por falta de edifício, mas que colocaria o concelho na “rota” do turismo literário.

13 Dezembro 2019

O Grupo de Amigos de Vila Viçosa (Évora) defendeu hoje a criação da Casa-Museu de Florbela Espanca, um projeto antigo em “banho-maria”, por falta de edifício, mas que colocaria o concelho na “rota” do turismo literário.
“Temos batalhado muito pelo projeto e, desde 2011, quando fizemos um primeiro congresso sobre Florbela Espanca, tentámos de todas as maneiras dinamizar um processo que levasse à compra da casa-museu”, destacou hoje à agência Lusa Noémia Serrano, do Grupo de Amigos de Vila Viçosa.
Só que, para a aquisição da casa da poetisa, facto assinalado por uma placa colocada na fachada, “é preciso contar com o apoio da Câmara de Vila Viçosa”, já que o Grupo de Amigos “é um grupo de ‘carolas’, sem subsídios, nem apoios financeiros”, frisou.
A Lusa tentou, por diversas vezes, contactar o município de Vila Viçosa para saber se a autarquia tem algum projeto para a criação desta casa-museu, mas o executivo esteve incontactável, por telefone e correio eletrónico.
Segundo Noémia Serrano, o Grupo de Amigos tem “um espólio muito valioso” de Florbela Espanca, natural de Vila Viçosa (1894-1930), e quer “mostrá-lo, mas a casa é a única coisa que falta”.
A casa, indicou, “está na posse de um casal, que está separado. Esses são os herdeiros e ainda não chegaram a entendimento” com a câmara.
O edifício até “está degradado”, mas o que interessa “era que a câmara o pudesse adquirir”, defendeu, garantindo que, a seguir, o Grupo de Amigos e “todos os grupos e associações que têm ligação a Vila Viçosa” estariam “disponíveis” para ajudar a concretizar o projeto.
O espólio da poetisa na posse do Grupo de Amigos de Vila Viçosa “foi doado pelo seu terceiro e último marido, Mário Laje”, e foi “organizado e inventariado pela Universidade de Évora, com a ajuda de alguns mestrandos e doutorandos”, disse.
“O inventário inclui desde manuscritos, livros que a Florbela traduziu, objetos pessoais, entre outros”, referiu Noémia Serrano, exemplificando que integra “poemas originais escritos pela mão” da poetisa, “o seu diário ou o berço”.
Caso fosse criada a casa-museu, o Grupo de Amigos de Vila Viçosa, que tem agora este espólio guardado, estaria “disposto, através de uma parceria, a disponibilizá-lo” ao município, para que fosse mostrado, mas não para fazer uma doação.
“Faz todo o sentido ter aqui um turismo cultural e literário. Temos aqui o Bento Jesus Caraça, a Florbela Espanca e temos ainda algumas coisas de Ramalho Ortigão, portanto, a matéria-prima está cá, só precisa de ser trabalhada”, defendeu.
E o Grupo de Amigos, em parceria com o Grémio Literário de Lisboa, até já costuma promover “circuitos florbelianos” por Évora e Vila Viçosa, em que “os participantes percorrem os espaços de vivência de Florbela Espanca”.
A autora do "Livro de Mágoas", "Livro de Soror Saudade", "Charneca em Flor" ou "Juvenília" é considerada uma das mais brilhantes poetisas de língua portuguesa de todos os tempos.
A poetisa nasceu em Vila Viçosa, a 08 de dezembro de 1894, e faleceu em Matosinhos, de 07 para 08 de dezembro de 1930, com 36 anos. Foi sepultada naquela localidade do norte, mas os seus restos mortais foram depois trasladados para o cemitério de Vila Viçosa.
RRL // MLM