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Universidade de Évora estuda amostras de tesouros internacionais históricos

O objetivo principal foi o de “inventariar, documentar e reorganizar uma coleção de aproximadamente 1.200 amostras”, incluindo “exemplares de vários países e de monumentos de cariz histórico excecional, como é o caso do túmulo de Nefertari, no vale das rainhas no Egito”, vincou a academia.

11 Dezembro 2019

O Laboratório HERCULES da Universidade de Évora inventariou, documentou e reorganizou uma coleção que ronda 1.200 amostras de tesouros internacionais históricos, incluindo fragmentos do túmulo da rainha egípcia Nefertari, reunida pelo casal italiano Paolo e Laura Moro.
O trabalho fez parte do projeto internacional “The Mora Sample Collection Project”, da responsabilidade do Laboratório HERCULES da Universidade de Évora (UÉ), que está a organizar a coleção, desde 2018, em Itália, no Centre for the Study of the Preservation and Restoration of Cultural Property (ICCROM, em português Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauro de Bens Culturais).
“Encontra-se em finalização” a 1.ª fase do projeto dedicado à coleção, que foi reunida, entre as décadas de 60 e 80 do século passado, por Paolo Emilio Mora (1921-1998) e Laura Sbordoni Mora (1923-2015), “figuras notáveis no campo da conservação do património cultural”, explicou hoje a UÉ, em comunicado.
O objetivo principal foi o de “inventariar, documentar e reorganizar uma coleção de aproximadamente 1.200 amostras”, incluindo “exemplares de vários países e de monumentos de cariz histórico excecional, como é o caso do túmulo de Nefertari, no vale das rainhas no Egito”, vincou a academia.
A coleção de amostras, doada pelo casal “na década de 90” do século XX ao ICCROM, “pode ser considerada uma das mais completas a nível mundial no que toca a pintura mural, pela variedade de materiais e de técnicas presentes”, assinalou Milene Gil, a investigadora da UÉ responsável pelo projeto.
A mesma responsável, que executou e coordenou os trabalhos realizados por uma equipa multidisciplinar na sede do ICCROM, em Roma (Itália), e na UÉ, indicou que as amostras são oriundas “de 34 países e de 112 sítios/monumentos, alguns dos quais de difícil acesso ou interditos atualmente”.
O ‘output’ final do projeto, também criado na UÉ, por José Saias e Luís Rato, do Departamento de Informática, consiste numa base de dados para a divulgação das imagens e dados recolhidos durante os dois anos de trabalho.
A base de dados, em Open Access, “está em preparação”, adiantou hoje à agência Lusa fonte da universidade, explicando que, no futuro, vai estar disponível para a comunidade científica e para o público em geral.
Além de “fragmentos do túmulo de Nefertari”, a coleção Moro integra outros exemplos de “tesouros internacionais históricos”, referiu a academia alentejana.
“Podemos encontrar outro exemplo no Irão, em Persépolis, aquela que foi uma das capitais do Império Aqueménida, cuja construção se iniciou no reinado de Dario I e continuou ao longo de dois séculos, até à conquista do império persa por Alexandre Magno. É nesta cidade que se localiza o Palácio Tachara, cuja construção se efetivou, após a morte de Dario I, em 486, pelo seu filho e sucessor Xerxes I”, relatou.
Este palácio, continuou, “ficou intacto durante as incursões de Alexandre o Grande, no século IV antes de Cristo (aC), quando várias outras estruturas em Persépolis foram danificadas ou destruídas”.
Paolo e Laura Mora, “reconhecidos mundialmente pelo seu trabalho como conservadores de pintura mural”, desenvolveram trabalho no Instituto Central de Restauro de Roma e foram consultores e docentes do curso de Pintura Mural do ICCROM, bem como consultores da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), participando em projetos internacionais e missões de resgate de tesouros culturais, acrescentou a academia alentejana.