euroace
Linhas de Elvas
Nutriprado
Elióptica Julho 2019
Liberdade Branco
Assine Já
Sanielvas 358x90 - Nov17
Liberdade Branco

Quatro companhias de teatro do Alentejo contra falta de apoios

Quatro companhias teatrais do Alentejo, incluindo o Cendrev, contestaram o facto de, embora com candidaturas elegíveis, ficarem sem apoios da Direção-Geral das Artes para 2020/2021.

12 Outubro 2019

Quatro companhias teatrais do Alentejo, incluindo o Cendrev, contestaram o facto de, embora com candidaturas elegíveis, ficarem sem apoios da Direção-Geral das Artes para 2020/2021, o que “amputa” o seu trabalho ou implica “fechar portas”.
“O resultado disto é para a gente fechar portas. Quer dizer que, para o ano, tanto para nós, como para as outras companhias que não tiveram apoios, o destino será fechar a porta”, argumentou à agência Lusa José Russo, diretor do Centro Dramático de Évora (Cendrev).
Na área do teatro, o Cendrev é uma das quatro companhias do Alentejo, situadas todas no distrito de Évora, que foram notificadas de que não vão receber apoios no quadro dos Concursos Sustentados Bienais 2020/2021, cujos resultados provisórios foram divulgados pela DGArtes.
As outras estruturas teatrais da região de fora do apoio, apesar de, em todos os casos, as suas candidaturas terem sido consideradas elegíveis, realçaram os respetivos responsáveis à Lusa, foram A Bruxa Teatro, também da cidade de Évora, e o Projeto Ruínas e a Algures – Coletivo de criação, de Montemor-o-Novo.
Segundo a DGArtes, um total de 102 entidades artísticas do país vão receber apoio no quadro dos Concursos Sustentados Bienais 2020/2021, de acordo com os resultados provisórios do programa.
Quanto à distribuição regional das verbas, atendendo ao divulgado pela DGArtes, os apoios aumentaram em todas as regiões, exceto no Alentejo, que ficou com 1,7 milhões de euros, ou seja, menos 8% do que no anterior concurso.
O diretor do Cendrev indicou à Lusa que, no Alentejo, na área do teatro, “apenas duas companhias, a Baal17 e a Lendias d'Encantar”, ambas do distrito de Beja, “é que são apoiadas” no biénio 2020/2021.
“Em Évora, não recebe ninguém”, lamentou, evocando “os problemas” de há dois anos com o financiamento do concurso quadrienal da DGArtes: “Também aí a nossa candidatura e as de outras companhias foram elegíveis, mas ficaram sem financiamento. Mais tarde recebemos, quando o Governo reforçou as verbas, mas agora está a acontecer a mesma coisa, o dinheiro é manifestamente insuficiente”.
O Cendrev recebe “apoio financeiro importante” da Câmara de Évora, mas “não dá para resolver o problema sozinho, nem lá perto”, pelo que, apesar de a companhia pretender agora “rabujar e protestar” na audiência de interessados, ficar sem financiamento da DGArtes – candidatura rondava os 400 mil euros para os dois anos - “significa fechar a loja a partir de janeiro”.
Figueira Cid, mentor de A Bruxa Teatro, que apresentou uma candidatura de “pouco mais de 100 mil euros para os dois anos”, também criticou a “atitude discriminatória” do júri do concurso “para com o Alentejo”.
“Já há dois anos também ficámos de fora dos apoios bienais e, agora, tínhamos garantidos 80 mil euros da autarquia, o que correspondia a 40% do volume global do orçamento, que seria completado com as verbas da DGArtes, e nos permitiria trabalhar com algum desafogo, o que já não acontecia há três ou quatro anos. Agora, faremos o que temos feito, ficamos limitados na nossa criação artística”, lamentou.
Francisco Campos, diretor artístico do Projeto Ruínas, estrutura que candidatou um projeto de “cerca de 180 mil euros” para o biénio, insistiu nas críticas e frisou que, sem apoios, o seu projeto fica “numa situação muito precária”.
“Podemos ter que repensar a nossa presença como artistas em Montemor, na região ou até no país, porque as coisas não ficam nada fáceis”, vincou.
Em comunicado, a Algures – coletivo de criação apelou a um reforço das verbas do concurso e argumentou que, com o resultado atual, o seu “trabalho de continuidade implementado num território do interior e com forte relação com a comunidade artística e com a população” fica “amputado”.

RRL (AG) // MAG
Lusa