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Terras sem Sombra na raia

Patrimónios vivos de Elvas recebem o melhor organista europeu do ano

Às 21:30 horas do próximo sábado, dia 27, a antiga Sé catedral descerra as suas portas para que se possam ouvir as peculiares sonoridades do Órgão Grande Oldovino (1762), pela mão do organista titular da Basílica da Sagrada Família, de Barcelona, Juan de la Rubia, recentemente distinguido com o título de melhor organista da Europa.

22 Abril 2019

A oportunidade de escutar ao vivo um dos mais brilhantes organistas da actualidade, Juan de la Rubia, coincide com um programa musical de luxo que, tendo como fio condutor as relações musicais entre a Península Ibérica e a Europa no século XVI, oferece a oportunidade de usufruir das extraordinárias texturas sonoras do Órgão Grande Oldovino da Sé de Elvas, recentemente restaurado.

Juan de la Rubia, organista titular da Basílica da Sagrada Família, de Barcelona, interpretará um repertório com a assinatura de Antonio de Cabezón (Castrillo Matajudíos, 1510 – Madrid, 1566), um dos mais famosos compositores de obras para órgão do seu tempo, também afamado por ser invisual. Foi músico da câmara de Filipe II de Espanha (I de Portugal), acompanhando o monarca, que muito o estimava, nas viagens pelos seus vastos territórios. Daí o título deste concerto: "Itinerários pela Europa ao serviço do Rei".

Cabezón foi um notável vanguardista no que diz respeito à utilização da estrutura musical “tema-variação”, a partir de qual nasceu a “forma” na notação musical. Extraordinário improvisador, deixou uma vasta produção de natureza religiosa e profana, de que serão escutadas peças clássicas, como El canto del caballero ou Guardame las vacas.

Confluências Raianas: Arte Popular e Arte Contemporânea

A igreja do Senhor Jesus da Piedade, um dos mais relevantes exemplos da arquitectura barroca alentejana, é o ponto de partida para uma viagem pela arte tradicional da região. Aqui se guarda um dos mais notáveis conjuntos de ex-votos do país, constituído por milhares de painéis pictóricos e fotografias que agradecem "graças" e “milagres” concedidos, desde a primeira metade do século XVIII até à actualidade.

Um espólio sem paralelo, que permite conhecer em pormenor a história contemporânea de Portugal, nas vertente económica, política e social, com especial relevo para a vida quotidiana das populações urbanas e rurais, desde a religiosidade até à maneira de vestir, as profissões tradicionais ou as dificuldades do dia-a-dia. O guia é um ilustre elvense, António Araújo, professor de História e consultor da Casa Civil do Presidente da República.

O Museu de Arte Contemporânea de Elvas, que acolhe a Colecção António Cachola, é o ponto seguinte do itinerário. Esta colecção, uma das mais relevantes do país, começou a ser construída no início da década de 1990 e obedece a uma linha temática bem definida, espelhando os últimos 25 anos da criação visual realizada por artistas nacionais. A visita é guiada pelo próprio coleccionador – todo um privilégio, já que permitirá trocar impressões sobre a formação da colecção e o significado mais profundo de coleccionar arte, hoje, em Portugal.