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Tragédia de Borba: E agora?…

Operação chegou ao fim. Culpas por esclarecer

Alexandre Levezinho

05 Dezembro 2018

Quase duas semanas depois a operação de resgate das vítimas do desastre de Borba chegou ao fim. No sábado, 1 de Dezembro, foi retirado o quinto e último corpo do poço da pedreira, que a 19 do mês anterior viu um deslizamento de terras arrastar parte da estrada municipal 255 com duas viaturas e uma máquina industrial com dois operários.

Durante estes dias Borba foi notícia por um acontecimento que ninguém deseja. Naquela tarde de segunda-feira, cinco vidas perderam-se. Gualdino Pita, de 49 anos, e João Xavier, de 58 anos, trabalhavam numa das pedreiras ali localizadas. O corpo de Gualdino foi retirado a 20 de Novembro. João Xavier no dia 24.

Na sexta-feira, 30 de Novembro, uma carrinha de caixa aberta foi resgatada. Lá dentro estavam José Rocha de 53 e Carlos Lourenço de 37 anos. Eram cunhados, residentes em Bencatel (Vila Viçosa).

No dia seguinte confirmava-se a quinta vítima. Fortunato Ruivo, 85 anos, a viver no Alandroal, foi dado como desaparecido pela mulher no dia após o acidente. Seguia em direcção a uma loja informática em Vila Viçosa.

A Estrada Municipal 255, via que liga Borba a Vila Viçosa, foi e é tema recorrente de conversa. Após a tragédia, muitos questionaram “como aconteceu” a tragédia e de quem são as “responsabilidades”. Dados de 2014 mostravam que autarquia e Governo tinham conhecimento que a via era perigosa. Iniciou-se o relato de uma ‘morte anunciada’.

António Anselmo, presidente da Câmara de Borba, sempre assumiu não saber o estado da via, ao mesmo tempo que repetia que não se demitia. Das altas figuras do Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República, fez uma breve visita ao local, já o primeiro-ministro, António Costa, nunca se apresentou na zona do sinistro.

A oposição não esqueceu o assunto e Assunção Cristas, líder do CDS-PP, indicou que o Governo deve indemnizar “desde já as famílias” das vítimas.

“Neste ponto que tem a ver com a nossa segurança, com a nossa tranquilidade, com a forma como colectivamente nos podemos sentir seguros quando andamos pelo nosso país, é muito importante dizer que o Estado falhou. E quando o Estado falha, tenha ou não culpa directa, tem que indemnizar aqueles que são atingidos pelo seu falhanço”, disse na terça-feira.

O Ministério Público abriu um inquérito de investigação. Marcelo Rebelo de Sousa, pediu resposta rápida, pois “justiça lenta não é justa”.

Concluídas as operações de socorro e encontrando-se apenas em curso operações de logística, a Comissão Municipal de Protecção Civil desactivou, segunda-feira, o Plano Municipal de Emergência de Protecção Civil.

Nestes dias a estrada 255 ficou conhecida de trás para a frente. Desde a história à sua importância. Pelo país a comunicação social alertou para situações semelhantes, em cada buraco de estrada. O ‘Linhas’ lembrou uma pedreira esquecida junto a uma estrada. Prontamente a autarquia elvense encerrou a via.

Com os trabalhos de resgate concluídos em Borba, faz-se agora a pergunta: E agora?…