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Nove anos de museu militar mas muitos séculos de história (c/fotos)

Cerimónia contou com a presença do vice-chefe do Estado-Maior do Exército, Campos Serafino

Alexandre Levezinho

30 Outubro 2018

O Museu Militar de Elvas celebrou esta terça-feira, 30 de Outubro, nove anos de existência. A cerimónia contou com a presença do tenente-general vice-chefe do Estado-Maior do Exército Campos Serafino, e o major-general Director da Direção de História e Cultura Militar Aníbal Flambó.
A cerimónia decorreu no interior do museu. O coronel Joaquim Bucho, director do museu militar de Elvas, assume que a instituição aniversariante é a herança da história militar de Elvas. “Este museu militar nasce da reestruturação do exército, mas a presença militar em Elvas remonta a muitos séculos. Nós somos os herdeiros de toda a tradição militar da cidade. Daí se chamar Cidade Quartel Fronteiriça. O Museu é a presença militar ainda nesta cidade, com as devidas reduções de tamanho, mas com uma presença que o exército entende que seja cultural e que marca a história do exército na cidade”, disse.

Museu Militar
Joaquim Bucho refere o museu surge agora como uma actor dinâmico em Elvas. “O nono aniversário é para nós um ponto importante, pois significa que nem os militares saíram de Elvas, nem Elvas deixou os militares. O museu é a presença cultural do desenvolvimento da cidade, em conjunto com os outros actores, desde a Câmara Municipal, a associações e colectividades. Nós pretendemos contribuir com o nosso grão para que Elvas cresça, se desenvolva e venha a ocupar lugar no nosso país”, referiu.
No programa da cerimónia foram exibidas duas viaturas recentemente restauradas no museu militar e uma peça de artilharia. As duas viaturas (na foto) demoraram cerca de ano e meio a terminar o trabalho. Instado a comentar sobre quando será possível ter as viaturas que se encontram “estacionadas” no museu, todas restauradas e em exibição. O director do museu de Elvas referiu que o trabalho é demorado e acarreta vários custos só para um veículo. “Um restauro de uma viatura, além de muito caro é extremamente moroso. Quando uma viatura nos chega, vem em estado de abate. De momento estamos a dar primazia às viaturas mais antigas, de meados do século passado. Isso é um trabalho protocolado com a Associação Portuguesa de Veículos Militares e é continuo. Não se faz nem em 5, 10 ou 20 anos. A restauração prolonga-se por muitos anos”, admitiu o director ao assinalar a construção de um telheiro para exposição, pois os salões existentes já não permitiam receber viaturas.
Cláudio Carapuça, vice-presidente do Município de Elvas, esteve igualmente presente na cerimónia. O autarca assume que gostaria de ver Elvas ainda com o regimento militar, mas que a opção de um museu assegura a história de Elvas e vai de encontro à filosofia de uma cidade património da UNESCO.

“Foi uma forma de assegurar a cultura militar na cidade e concelho. Temos aqui uma mais valia cultural em termos de oferta para os turistas. Isso é o que o museu tem dado à cidade. No fundo preserva a identidade militar de Elvas. O Museu merece os nossos parabéns. Evidentemente queríamos cá os militares. Isso é comum a todos os elvenses, pela história e identidade de Elvas, mas entre não ter nada ou um museu militar, claramente o museu. O surgimento de Elvas como património mundial acaba também por vir ao encontro de esta opção, casaram-se vontades, num caminho que é longo de se percorrer”, concluiu o autarca.

Durante as cerimónias três militares foram agraciados. O Coronel Joaquim bucho recebeu das mãos do tenente-general vice-chefe do Estado-Maior do Exército Campos Serafino, a medalha D Afonso Henriques -Mérito do Exército. O sargento chefe de cavalaria Camponês recebeu a medalha de comportamento exemplar de grau Ouro. Também o militar Hugo Caldes recebeu a mesma medalha em grau Cobre.
No discurso final Campos Serafino salientou a importância da história e dos exemplos de ex-militares na formação de valores dos actuais combatentes.

Museu Militar

“Um museu não é a ambição central do exercito, mas é uma missão crucial para o sucesso do exercito. Todo o esforço do exercito está orientado para o emprego de formação militar, é um emprego das operações, que pese embora os dias que se vivam e que haja uma percepção de paz na nossa sociedade, a verdade é que as circunstâncias do mundo apontam com prudência para a necessidade dos países terem forças militares preparadas. Isso acontece nos dias de hoje com as forças portuguesas destacadas na África Central, Afeganistão, Mali, Somália, Iraque”, salientou.
“Deus significa a força anímica do soldado, é a fé que orienta os valores na condição de soldado. É essa força anímica que recai neste vetor do exército que é tomar conta do património material e também imaterial. É aqui que recai a presença e o interesse do comando do exército. A alocação de recursos é sempre insuficiente na preservação deste vetor. Eu digo isto não apenas nos aspectos intangíveis mas também naquilo que é essencial para a formação dos jovens soldados, sargentos e oficiais. No estudo das campanhas do passado para conseguir modernizar as doutrinas de emprego. Mas também um outro factor que considero mais especial que é o exemplo dos ‘cabelos brancos’, das pessoas que foram antigos combatentes. Saíam das aldeias para ir combater em França. É esse exemplo. Eu não tenho duvidas que os nossos camaradas que estão hoje na Republica Centro Africana não o fazem por questão mercenária. Eles têm um compromisso para com o exemplo dos camaradas mais antigos que lutaram em África e deixaram uma marca de prestigio”, concluiu o vice-chefe do Estado-Maior do Exército.

Museu Militar

A cerimónia contou ainda com a palestra sobre a evolução da cavalaria, intitulada ‘1873-1974: 101 Anos de Equipamentos de Cavalaria, na Guerra e na Paz’.