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Professor Manuel Lopes coordena área de cuidados continuados integrados e estratégia do SNS + Proximidade

Envelhecimento com dependência preocupa Alentejo

Envelhecimento Activo é o tema que o Alentejo debateu na Semana Europeia das Regiões e dos Municípios.

11 Outubro 2018

Envelhecimento Activo é o tema que o Alentejo debateu na Semana Europeia das Regiões e dos Municípios. A iniciativa anual começou no dia 8 e decorreu até ao dia de hoje, 11 de Outubro, em Bruxelas (Bélgica).
Para Manuel Lopes, professor na Universidade de Évora e coordenador da reforma do Serviço Nacional de Saúde para a área de cuidados continuados integrados e da estratégia do SNS + Proximidade, estas sessões permitem perceber como adequar a questão do envelhecimento às diferentes realidades existentes. “Num debate sobre este tema Portugal e Espanha estiveram mais focados na área da saúde, enquanto que outras regiões de outros países o fizeram na variante do turismo. Percebemos aqui que o turismo é bom para a saúde, nomeadamente para as pessoas idosas. Há uma relação transversal”, disse Manuel Lopes ao ‘Linhas’.

Alentejo na Semana Europeia das Regioes e dos MunicipiosProfessor Manuel Lopes com Roberto Grilo, presidente da CCDR Alentejo, que também esteve presente na apresentação

O professor universitário refere que o envelhecimento por si só não é um problema e é até um sinal de desenvolvimento da sociedade. No entanto o problema do envelhecimento no Alentejo passa pelo elevado número de envelhecidos que estão doentes e dependentes. “Não há nenhuma sociedade sem problemas de desenvolvimento que não seja envelhecida. O termos uma sociedade envelhecida é sinal positivo. O problema reside num envelhecimento com doença e independência. A independência funcional e física. Qualquer idoso que viva até 100 anos de forma independente sem constituir problemas para ninguém é um activo dessa sociedade. Um quarto da população do Alentejo tem mais de 65 anos. Mas o problema é a elevada carga de doença crónica, sob a forma de multi-mobilidade. O que quer dizer que cada pessoa tem mais de duas doenças e elevada carga de dependência. Isso sim é um problema”, referiu.
Manuel Lopes explica que este cenário vem do passado e que se deve olhar para a história para “adequar o envelhecimento” à realidade actual, sinalizando que no país há 300 equipas a prestar cuidados continuados ao domicílio. “As pessoas que tem entre 65 e 85 anos atravessaram períodos muito maus no Alentejo. Passaram fome, não têm as habilitações que era suposto terem e uma série de factores determinantes da saúde que os prejudicaram ao longo da vida. Esses factores deixaram marcas profundas que se refletem quando atingem idades avançadas, seja por doenças seja pela dependência”, indicou.
No que toca aos cuidados continuados o professor refere que o projecto já está no terreno, com a prática da ‘Hospitalização Domiciliar’ alargada a mais de 20 hospitais ou centros hospitalares. Este modelo permite evitar infeções hospitalares multirresistentes e reduzir os custos de internamento.
No país há mais de 300 equipas a prestar cuidados em casa a cerca de seis mil pessoas. Em Évora foi criada uma equipa com características diferentes no qual os elementos têm muito mais competências instaladas.