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Celebrar a Revolução de Abril com a "Grândola" à janela e muita cultura 'online'

Hoje celebra-se a Revolução de Abril de 1974 sem acções de rua e sem actividades culturais em sala, por causa da covid-19.

25 Abril 2020

Hoje celebra-se a Revolução de Abril de 1974 sem acções de rua e sem actividades culturais em sala, por causa da covid-19, mas há dezenas de propostas para festejar em casa e de olhos postos nas janelas digitais.
A Associação 25 de Abril apela a que os portugueses não esqueçam a importância da data, que pôs fim à ditadura, e que cantem, às 15:00, “às janelas ou às varandas”, a música “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso, uma das senhas históricas da revolução.
Pouco depois, nas várias plataformas digitais do Governo, estrear-se-á o filme “Agora Que Não Podemos Estar Juntos", criado pela Companhia Hotel Europa, a partir de um desafio que o primeiro-ministro fez aos directores dos teatros nacionais para celebrar a revolução.
Para o filme, a Companhia Hotel Europa convidou artistas do teatro, música e dança a interpretarem testemunhos reais relacionados com a história recente do país.
A mais longa celebração deverá ser protagonizada pela actriz Joana Craveiro, do Teatro do Vestido, que fará uma performance teatral de 12 horas nas ruas de Lisboa e em directo para a Internet.
Intitulada “E naquele dia saímos para uma cidade lavada e livre”, a 'performance' percorrerá alguns dos locais históricos da revolução, e será intercalada com outros momentos culturais com quatro actores e um músico.
Para quem está confinado em casa, a Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT) pede que se coloquem cravos nas janelas, num tributo a Celeste Caeiro, “uma cidadã comum” que há 46 anos distribuiu aquela flor pelos militares em Lisboa.
Em Santarém, uma das poucas iniciativas de rua deste dia acontecerá às 12:00 com a colocação de uma coroa de flores junto à Estátua do Capitão de Abril Salgueiro Maia, no Jardim dos Cravos.
De tudo o que está marcado para este dia, com transmissão pela Internet, haverá, por exemplo, uma homenagem a José Mário Branco pela sala de espectáculos Musicbox, uma actuação em dupla – à distância – dos músicos Branko e Dino D’Santiago, e o Festival Liv(r)e, com actuações na página d’A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria de nomes como Clã, Galandum Galundaina e Pedro Mestre.
A discoteca Lux Frágil, de portas fechadas, preparou um ‘set’ de música com Rui Vargas, Tiago Miranda, Pedro Ramos e Alcides DjAl, sob o lema “Uma máscara não é uma mordaça, nunca”.
O Museu do Aljube partilhará pequenos vídeos com histórias e memórias relacionadas com a revolução, e o Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto estreará, também no Facebook, o ‘web espectáculo de teatro’ “Olhar fraterno - Tributo a Zeca Afonso”.
Destaque ainda para a divulgação de um vídeo musical, no sábado, coordenado pelo Coral de Letras e pela Casa Comum da Universidade do Porto, com a participação de vários cidadãos a cantarem, individualmente, “Grândola, Vila Morena”.
As autarquias da Marinha Grande e da Amadora transmitirão concertos gravados de Paulo de Carvalho, intérprete de “E depois do adeus”, outra das senhas da revolução.
A galeria de arte urbana Underdogs assinalará a efeméride com uma ideia colaborativa, de projecção de imagens no espaço público.

SS // MAG
Lusa

Covid-19: 25 de Abril sempre!!!

De repente, acordei do nada,
Mas que grande confusão,
Nem ouvi a senha a ser cantada,
Já começou a revolução?

Vou já para a Chaimite,
Antes que ela saia,
Levo a G3 e dinamite,
O líder é o Capitão Maia.

A ordem foi pelo Otelo emitida,
Vamos para a Capital,
Esta força destemida,
Tomou uma decisão racional.

Acabou a opressão,
Espero que toda a gente saia ilesa,
Atrás do nosso Capitão,
Vamos prender o Ministro da Defesa.

Tá a decisão tomada,
Vai cair a ditadura,
Podem mandar gente embarcada,
Mas a nós ninguém, nos segura.

Na frente, o destemido Capitão,
Não vacila, eu bem sei,
Outros militares nos apoiarão,
Já temos obuses no Cristo Rei.

De Lamego, saíram forças especiais,
De Viseu mais militares armados,
Comandados por Capitães Operacionais,
Isto hoje vai mudar, eles estão determinados!!

Já chegamos à Capital,
Está a decorrer como planeado,
Já tomámos a Emissora Nacional,
Falta prender o visado.

Avisto militares da opressão,
Em direcção a todos nós,
Na frente vai o Capitão,
Comandados à sua voz.

Já ouvi um disparo,
Querem atingir o Capitão,
Isto vai-lhes sair caro,
Ele não abdica da decisão.

Os militares, do outro lado da barricada,
Viram ali um forte oponente,
Viram que a decisão era bem tomada,
Agora estão do lado da gente.

Mais uns disparos, para o primeiro andar,
Só para armar confusão,
O Capitão acabou de entrar,
Está prestes a ganhar a Revolução.

Os tiros fizeram dano,
Temos o Carmo tomado,
Falta o Marcelo Caetano,
Deve estar todo borrado.

Respeitou o Capitão Maia,
Decisão acertada,
Agora o povo que saia,
A LIBERDADE foi conquistada.

Em cada esquina um amigo,
Em cada cara, um sorriso,
Nem trocamos fogo com o inimigo,
Para quê, não foi preciso!!!

Cravos na lapela enfiados,
Abraços do povo sentidos,
Estavam os direitos conquistados,
Tantos anos perdidos!!!!

Está aqui a minha homenagem,
Não vou à Assembleia festejar,
Até parece uma curta metragem,
Toda ela a Rimar!!!!

Jorge Peixoto
25/04/2020