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Mobilizados pelo Mundo Rural

Texto originalmente escrito a 29 de Novembro na edição impressa do jornal Linhas de Elvas

03 Dezembro 2019

Depois da manifestação de polícias e militares da Guarda Nacional Republicana, ocorrida na passada quinta-feira, dia 21, junto à Assembleia da República, uma outra aconteceu em Lisboa no dia seguinte, no Terreiro do paço e que juntou umas largas centenas de homens e mulheres ligadas à terra. A grande diferença é que a primeira, que se previa problemática e insegura, mobilizou toda a comunicação social. A outra, segura e pacífica, foi ignorada estoicamente por quem se diz democrata e pluralista.

O Terreiro do Paço simboliza para estes homens e mulheres, o poder político, pois é lá que se situa o Ministério da Agricultura. Mobilizados pelo "mundo rural", responderam  a avisos publicados nas redes sociais, local onde hoje em dia todos julgam ser mais que suficiente para mobilizar tudo e todos. Sem o apoio expresso das confederações, saberá Deus (e alguns homens) porquê, a manifestação, organizada “espontaneamente” à porta de um Ministério, não entregou sequer uma carta reivindicativa ou de intenções ao poder político. Apesar disso, e segundo a Rádio Renascença (RR), os assessores da ministra da Agricultura terão “descido as escadas para apurar o que se passava. Ficaram a saber de boca o que levou tanta gente a Lisboa”.

Os porquês da concentração

Os manifestantes “não toleram” os que tentam atacar o mundo rural. “Nós gostamos das botas com lama, nenhum criador sustenta um touro quatro anos para o mandar para uma tourada se não gostar do que faz”, disse André Grácio, entusiasmado com a representação do mundo rural no Terreiro do Paço, à reportagem da RR.

Com gente oriunda de norte a sul do país, os manifestantes receberam o apoio de alguns, poucos, políticos, da esquerda à direita, entre eles Santana Lopes, os deputados centristas João Almeida, Cecília Meireles e Ana Rita Bessa e ainda Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular e Patrícia Fonseca, ex-deputada por Santarém.

Do PAN, Pessoas Animais Natureza, não apareceu ninguém, apesar do partido se auto-caracterizar em defesa do mundo animal, logo, rural. A não ser que se preocupem, apenas, “com cães, gatos e piriquitos de apartamento”, ironizaram alguns dos manifestantes. A não ser, dizem outros, ouvidos pelo Linhas de Elvas, que André Silva não terá aparecido por “receio, medo ou cobardia” de enfrentar os amantes do mundo taurino devido à intenção do seu partido ver referendada a abolição das touradas e ser contra a caça, duas fortes e enraizadas tradições e costumes das gentes do campo.

“Não comem carne e nem querem matar animais, mas andam com sapatos e casacos de bom cabedal. Deve ter saído das couves ou dos pepinos, querem ver”, disse um dos manifestantes.

CDS quer que Parlamento crie um Conselho Consultivo do Mundo Rural

O CDS deu entrada nesta segunda-feira, dia 25, no Parlamento de uma deliberação no sentido de ser criado um “Conselho Consultivo do Mundo Rural, com o objectivo de contribuir para uma melhor adequação das iniciativas legislativas e melhor informação do poder político e da sociedade em geral e para a tomada de decisões fundamentadas em opiniões técnicas”, disseram os centristas em comunicado.

A proposta prevê que o Conselho Consultivo do Mundo Rural seja um órgão de consulta e apoio técnico da Assembleia da República em todos os assuntos relativos ao mundo rural, cabendo-lhe principalmente habilitar as comissões parlamentares com relatórios, pareceres e apoio técnico, a pedido destas ou por sua própria iniciativa e que reúna ordinariamente uma vez por mês e extraordinariamente, sempre que necessário, por convocação do respectivo presidente.

“O Conselho deverá ser composto por representantes das organizações de produtores, aos quais compete eleger o respectivo Presidente. O mandato dos membros deverá ter a duração da legislatura, sem prejuízo de eventuais substituições e as funções de membro do Conselho não serão remuneradas”.

A proposta do CDS prevê ainda que o Conselho elabore um relatório conclusivo dos seus trabalhos até ao final da legislatura, e que esse relatório seja objecto de debate em plenário.

Texto originalmente escrito a 29 de Novembro na edição impressa do jornal Linhas de Elvas