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Transitários satisfeitos com investimento na ferrovia mas querem "mais e melhor"

Presidente da APAT criticou, no entanto, não estarem a ser equacionados “os melhores traçados ferroviários”, dando como exemplo a ligação entre Sines e Elvas.

11 Outubro 2019

O presidente da Associação dos Transitários de Portugal (APAT), António Nabo Martins, disse hoje à Lusa que "é bom" haver investimento programado na ferrovia, mas que é possível fazer ainda "mais e melhor".
"O último Governo, no nosso caso, deixou-nos muito satisfeitos porque apresenta aqui a hipótese de voltar a haver investimento na ferrovia e investimento a vários níveis", disse à Lusa António Nabo Martins, numa entrevista por telefone.
O dirigente manifestou o seu contentamento por perceber que "Portugal quer voltar a investir na área da construção, do desenvolvimento e da inovação tecnológica na área ferroviária".
"Investimento na área da infraestrutura é muito importante, apesar de ainda termos algumas críticas a fazer, porque acho que se podia fazer mais e melhor, e com isso otimizávamos o futuro", considerou.
António Nabo Martins criticou não estarem a ser equacionados "os melhores traçados ferroviários, ou pelo menos os mais eficientes, os mais curtos e mais rápidos".
Como exemplo, o presidente da APAT deu a ligação entre Sines e Elvas, atualmente em construção, e que é "um traçado que atravessa uma serra", em que "as pendentes retiram competitividade ao comboio, porque obrigam a que o comboio tenha menos carga rebocada".
António Nabo Martins considerou que o que se faz em termos de investimento, em Portugal, "é sempre renovar aquilo que já existe", havendo atualmente "uma agravante": os terminais logísticos.
"Ainda não vi, em momento algum, ninguém do Governo falar daquilo que é a infraestrutura do terminal logístico. Ou seja, nós vamos ter comboios, supostamente, e vamos ter linhas, supostamente. Mas não vamos ter locais onde carregar os comboios", alertou.
Questionado sobre se com o novo pacote de fundos comunitários haverá dinheiro para investir na ferrovia, o dirigente afirmou não ter "dúvidas de que vai haver esse dinheiro", mas tem "muitas dúvidas" quanto à avaliação "sobre em que se vai investir".
"Desculpe a expressão, mas de promessas já estamos fartos na ferrovia", desabafou, afirmando, no entanto que o investimento atual "é bom para quem em 30 anos não fez nada".
António Nabo Martins salientou ainda a relevância do setor ferroviário em termos ambientais, reconhecendo que "o camião é o modo de transporte que mais polui".
"Eu não tenho grandes dúvidas que a ferrovia vá ser o futuro do transporte de mercadorias terrestres para grandes distâncias", afirmou, acrescentando que quando a ferrovia for utilizada "na sua plenitude é muito mais eficiente e muito mais competitiva" do que a rodovia.
Relativamente a outros meios de transporte, António Nabo Martins manifestou ser a favor da construção do aeroporto do Montijo, pelo motivo de se poder "libertar alguns 'slots' do aeroporto de Lisboa" de forma a haver "mais capacidade para fazer carga".
Já sobre os investimentos nos portos, considerou ser "o setor que tem trabalhado melhor a questão dos investimentos nas infraestruturas", elogiou os investimentos em Leixões, Lisboa e Setúbal, questionando apenas "não se falar tanto na questão das acessibilidades aos portos e como é que se retira a carga dos portos".
O presidente da APAT destacou ainda a importância de, na próxima legislatura, haver "estabilidade fiscal", tanto ao nível dos impostos sobre do trabalho como no ramo dos combustíveis.
"Não vamos pedir para que baixem, que isso seria o ideal, mas no mínimo que estabilizem. Isso já seria menos mau. Pelo menos sabemos com aquilo que temos de contar durante o próximo mandato", afirmou.
António Nabo Martins crê ainda que "do ponto de vista das condições laborais" dos trabalhadores ferroviários, portuários, rodoviários e aeroportuários "as coisas estão mais ou menos tranquilas", depois de greves com grande impacto dos estivadores e dos motoristas nos últimos dois anos.
A APAT reúne-se em congresso hoje e no sábado, com o tema "O Transitário Digital e Colaborativo" em agenda.

JE // JNM
Lusa