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Parabéns António Vitorino

António Vitorino será o próximo diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM)

04 Julho 2018

António Vitorino será o próximo diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações
(OIM). Após um processo de propositura, longo e trabalhoso, em que é usual neste tipo de
organizações alguns candidatos vão ficando pelo caminho, acabou por vencer um ato eleitoral
renhido, a todos os títulos terminando com o aplauso e reconhecimento unânime do seu valor
e prestígio.
A diplomacia portuguesa está mais uma vez de parabéns, pelo trabalho desenvolvido e pela
escolha certa de um candidato com o perfil adequado a um alto cargo internacional. Um cargo
exigente nos tempos que correm, dados os desafios que se colocam a um mundo cada vez
mais desigual, em que se cava o fosso entre os mais ricos e a pobreza extrema de grande parte
da humanidade. Num mundo próximo, cada vez mais global, a migração das populações
acossadas pela guerra ou vivendo em condições sub-humanas torna-se mais numerosa, mais
frequente e mais intensa, colocando graves problemas aos países de acolhimento e a uma
gestão necessária desses fluxos migratórios à escala global, tantas vezes inesperados e pouco
previsíveis.
António Vitorino, um dos políticos mais inteligentes e mais experientes da sua geração, tantas
vezes desejado para retornar à vida política nacional, desafiado em inúmeras situações pelo
seu Partido Socialista, nunca cedeu a essa tentação para desagrado de muitos. Tem o mérito
de ter um currículo único, nele despontando ter sido um dos mais jovens membros de governo
(Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, entre 1983-85), Ministro da Presidência e
da Defesa em 1995/97, Comissário Europeu da Justiça e Assuntos Internos, entre 1999 e 2004,
para além de ter sido de deputado no parlamento português e no Parlamento Europeu em
1994/95 e Juiz do Tribunal Constitucional, de 1989 a 1994.
Escrevo estas linhas com especial satisfação. Por um lado, como português, porque as acho
necessárias e apropriadas a um momento em que precisamos de bons exemplos que nos
galvanizem como povo que merece o reconhecimento dos seus no panorama político
internacional e os distingue pelo seu mérito e os escolhe para a liderança de organizações
importantes à escala mundial. Por outro, porque sendo amigo de António Vitorino quero
realçar o que vai para além das condições inerentes à sua competência, experiência e
conhecimento, distinguindo-se pelo seu humanismo, pela sua franqueza, simplicidade e,
porque não (?) pela boa disposição que lhe é característica.
Nos tempos idos de 1995, quando da campanha eleitoral para as legislativas que viriam a ser
ganhas pelos socialistas, foi cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Setúbal, onde obteve o
melhor resultado de sempre para o PS. Fiz parte dos elementos efetivos dessa lista e foi nesses
momentos que estabelecemos um conhecimento mais aproximado e começámos a construir
uma amizade, fruto de alguns aspetos comuns nas nossas vidas. A partir daí nunca mais
perdemos o contacto, sempre se mostrando atento e me ajudando, até mesmo num dos
momentos mais difíceis em que alguns duvidaram da minha inocência em processo macabro
em que fui envolvido. Não há muito tempo jantámos, eu desfrutando da sua bonomia e ele,
como que tendo um momento diferente na sua vida tão ocupada, deliciando-se com um bom
repasto e um tinto de eleição.
É nestes momentos que devemos por de lado as nossas diferenças, a inveja miudinha que
dizem ser nosso mal e devemos sentir-nos orgulhosos por sermos portugueses. Afinal é um
dos nossos, o escolhido pela elite mundial para liderar os destinos de uma organização tão
necessária na sua ação nos tempos que correm.

Economista