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Parque Jurássico

Será possível “ressuscitar” os dinossauros?

11 Junho 2018

Está de regresso um dos filmes de ficção científica mais emocionantes e rentáveis de sempre, falo do Parque Jurássico (Jurassic Park, na versão original). Este clássico cinematográfico de Steven Spielberg despertou o interesse de muitos, pelos gigantes répteis, que no passado eram Reis e senhores deste mundo. Contudo o filme deixou no ar uma pergunta que ainda hoje entusiasma as mais curiosas crianças e os mais fascinados cientistas: Será possível “ressuscitar” os dinossauros?
(In)felizmente esta é a verdadeira parte da ficção cientifica, devido a duas grandes razões: tecnologia e recursos.
Apesar da engenharia genética estar bastante desenvolvida e equipada com os mais recentes aparelhos e técnicas, e existirem excelentes profissionais, ainda não atingiu o ponto necessário para que o filme se tornasse realidade.
É certo de que a clonagem animal é já uma realidade, em 1996 foi clonado pela primeira vez um mamífero, a emblemática ovelha Dolly. Contudo, apesar da ovelha Dolly ter sobrevivido 7 anos sofria de envelhecimento precoce e foi um caso de sucesso em mais de 400 tentativas. A tecnologia clonal ainda apresenta grandes dificuldades em garantir a sobrevivência a longo prazo dos clones e a taxa de sucesso é ainda muito baixa.
O outro problema que se impõe são os recursos, não financeiros mas biológicos. Este é talvez o maior problema de todos, e o mais óbvio, a clonagem será sempre mais complicada pois falta-nos material genético (DNA) de dinossauro.
Calcula-se que o último dinossauro tenha morrido há aproximadamente 65 Milhões de anos atrás. Os fosseis que vemos nos museus são de partes duras do corpo (ossos, dentes, conchas) e mesmo assim, já não contêm material biológico, todo ele foi substituído por minerais durante o processo de fossilização.
No filme os produtores e realizadores resolveram esta questão, explicando que o material biológico teria sido recolhido do interior de um mosquito fossilizado em resina, que se teria alimentado do sangue de um dinossauro. Apesar de existirem efetivamente este tipo de fosseis, o DNA deverá estar irremediavelmente danificado para que possa ser utilizado. Por outro lado, fazer correções com DNA de espécies próximas, como as aves ou crocodilos, poderá não dar origem ao resultado pretendido e em vez de um dinossauro iríamos obter um animal que nunca existiu. Coloca-se ainda o problema dos ovos, apesar de uma avestruz ou um crocodilo poderem, pelo seu tamanho, serem em teoria boas “barrigas de aluguer”, do ponto de vista prático nada garante que funcionaria, devido às grandes diferenças morfológicas e fisiológicas entre os animais, ao que acresce o facto de ainda não ter sido conseguida a clonagem de um animal que ponha ovos com casca dura (aves e repteis).
Então é impossível trazer de volta animais extintos? A resposta é não. Com os dinossauros muito provavelmente nunca se conseguirá, porém existem outras criaturas, extintas há menos tempo, em melhores condições de preservação e com parentes vivos mais próximos, que são melhores candidatos. Os mamutes são um excelente exemplo. Foram encontrados nas camadas de gelo da Sibéria exemplares em excelente estado de preservação. Extrair material biológico destes fosseis deverá ser mais fácil e ter uma maior taxa de sucesso. A sua proximidade aos atuais elefantes, especialmente com a subespécie asiática (Elephas maximus), é também maior do que entre um dinossauro e qualquer réptil atual, o que facilitará o processo de “barriga de aluguer”.
Por isso, caro leitor talvez nunca tenhamos o prazer de visitar uma ilha repleta de dinossauros mas, quem sabe, talvez possamos um dia ver mamutes no Jardim Zoológico.

Biólogo e mestrando em biologia evolutiva e do desenvolvimento na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa