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Vacinação

Ainda é cedo para retirar conclusões sobre a causa da “epidemia” de sarampo que está a assustar Portugal

14 Maio 2018

Caro leitor, falo-lhe hoje de uma das mais importantes descobertas na ciência e na medicina. Uma tecnologia acabadinha de chegar a farmácias e centros hospitalares que combina princípios relativamente simples da física com biologia celular, molecular, bioquímica, imunologia, parasitologia, microbiologia e outras tantas “logias” e que tem o poder de salvar vidas, desde crianças a idosos, pessoas saudáveis ou doentes crónicos.

Ela é capaz de atuar na mais mundana das doenças mas também na mais perigosa das epidemias. E fique o leitor a saber que o Estado Português oferece tratamentos gratuitos para algumas das doenças tratáveis ou preveníeis com recurso a esta tecnologia, entre elas a Tuberculose, a Hepatite B, o Tétano, a Tosse Convulsa, a Difteria e o Sarampo.

Esta tecnologia não é apenas uma espada afiada contra os seres microscópicos que nos põem doentes, é também um escudo que previne estas doenças. Um escudo largo o suficiente para abranger não só a pessoa sujeita a este tratamento inovador mas também aqueles que a rodeiam e com ela convivem.

Estou certo de que o leitor concorda comigo que o inventor desta maravilhosa tecnologia deverá, impreterivelmente, receber o Prémio Nobel da Medicina. Infelizmente e com a mais profunda angústia de lhe causar um desgosto, lamento informá-lo de que será impossível pois o Prémio Nobel não pode ser atribuído após a morte do seu destinatário e o criador de tal façanha, Edward Jenner, está morto e enterrado há quase 200 anos, muito antes do Prémio Nobel sequer existir.

Edward Jenner era um médico britânico que desenvolveu a primeira vacina (a tecnologia milagrosa de que vos falo) no final do século XVIII. Esta vacina tinha como objetivo a cura da varíola, e após vários ensaios e testes (alguns nos filhos dos criados) o médico conseguiu desenvolver uma arma que contra-atacava uma doença até então mortal. Em 1980 a varíola foi dada como erradicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Muitas outras vacinas foram então desenvolvidas e mais doenças foram erradicadas ou completamente mitigadas, visto que a cura estava à distância de uma “pica” e mesmo que todos os anos apareça um novo vírus diferente (caso da gripe) todos os anos aparece uma nova vacina para o combater.

A forma irónica e até bonacheirona com que abordo esta questão deve-se ao facto de hoje em dia, com o atual conhecimento e desenvolvimento da medicina, já não ser possível (ainda que haja quem o faça) trata-la como uma mera opinião, na qual que cada um pode ter e defender freneticamente num campo de batalha. A ciência não trabalha com opiniões, trabalha com factos e não é por eu não acreditar nesses factos que eles vão deixar de existir. Dando um exemplo absurdo que já usei algumas vezes, não é por eu não acreditar no Sol e fingir que ele não existe que vou ter razão. O Sol existe, é um facto que todos podemos confirmar. Da mesma maneira que as vacinas funcionam e isso pode ser confirmado experimentalmente! E foi, inúmeras vezes.

Ainda é cedo para retirar conclusões sobre a causa da “epidemia” de sarampo que está a assustar Portugal, contudo apesar de uma pessoa ser vacinada e poder mesmo assim contrair a doença nunca será tão grave como se não estivesse vacinada.

Em suma, não tenho o direito nem a moral para vos mandar irem-se vacinar, porém todos devemos tem em consideração que a não-vacinação de um pode por em risco a saúde do coletivo.

Paulo Sousa

Biólogo e mestrando em biologia evolutiva e do desenvolvimento na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa