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Tejo: O rio seco e poluído

Infelizmente para nós, portugueses, temos visto nos últimos tempos o estado lastimável em que se encontra um dos rios mais importantes do país, o Tejo

17 Março 2018

Os rios são um dos recursos mais valiosos que um país pode almejar ter. São uma fonte contínua e quase inesgotável de água, que se renova constantemente. Infelizmente para nós, portugueses, temos visto nos últimos tempos o estado lastimável em que se encontra um dos rios mais importantes do país, o Tejo.
O Primeiro-ministro Português, o doutor António Costa, falou corretamente quando afirmou: “Isto não foi um episódio de poluição. Isto foi uma situação onde se revelou poluição acumulada e escondida.". A verdade é que o rio Tejo já se encontra numa situação precária há bastante tempo. Segundo o jornal “Observador” as primeiras denúncias que chamavam à atenção para o estado degradado do rio surgiram entre Abril e Junho de 2015. Ou seja, daqui por dois meses, fará três anos que surgiram os primeiros alertas. Não direi que, durantes este período de tempo, nada se tenha feito. Pelo contrário, houve várias fiscalizações e alterações dos limites de descarga permitidos, tanto na polémica Celtejo como em outras duas empresas, a Navigator e a Paper Prime.
Contudo, não posso deixar de perguntar se não deveria ter ajustado os níveis de descarga mediante o caudal do rio e não em função do aparecimento de mais ou menos sinais de poluição.
Mesmo que todas as empresas tenham cumprido as suas obrigações e restrições legais, não podemos negar que a descarga de resíduos num rio tem sempre consequências negativas. A dimensão e consequente impacto dessas descargas é que pode ser mitigada de várias formas, as ETAR’s são uma dessas muitas formas. Contudo as descargas são parte do problema. A outra parte, e que na minha opinião foi o que agravou a situação, é que o rio Tejo apresenta um caudal baixo e decerto muito inferior ao necessário para suportar o volume de descargas a que estava sujeito. O problema é que o volume das descargas não está adequado ao caudal atual e real do Tejo.
Devido à enorme seca que se verificou nos últimos anos, os caudais dos rios têm vindo a descer, o que significa que há menos água para diluir os poluentes despejados, aumentando assim os seus impactos negativos.
Mas então que tipo de consequências é que estamos a falar? Há um pouco de tudo, como na farmácia. Em primeiro lugar, a questão de saúde pública. O rio Tejo e seus afluentes são usados para as mais diversas atividades de lazer, desde praias fluviais, pesca desportiva e desportos aquáticos como a canoagem. Realizar qualquer uma destas atividades num rio poluído é certamente um grave risco para a saúde das pessoas. Em segundo plano aparecem, como não poderia deixar de ser, os problemas ambientais. O estuário do Tejo é uma zona muito importante para a conservação da biodiversidade, com particular destaque para aves, anfíbios e peixes, alguns deles com valor económico. Se o rio estiver poluído muitos animais iram deixar este local e os que não o poderem fazer irão inevitavelmente extinguir-se naquela zona. Existe ainda a questão agrícola, muitos agricultores usam estas águas para regar as suas plantações.
O Tejo é efetivamente um dos rios mais importantes do nosso país. Divide-nos em dois, torna os nossos campos férteis e foi tão importante na história Portuguesa como qualquer castelo conquistado aos mouros e castelhanos ou qualquer nau. Não espero que este artigo possa ter um impacto direto em toda esta polémica, espero apenas mostrar a todos os leitores o que podemos perder se continuarmos a tratar os nossos recursos naturais da forma como o temos feito até agora. Quer seja o Tejo ou qualquer outro rio neste nosso Portugal.

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Biólogo e mestrando em biologia evolutiva e do desenvolvimento na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa