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Um mundo sem abelhas e, portanto, sem nós!

O tema, que este mês vos trago, já está tão em voga que a DreamWorks (produtora de filmes de animação) já explorou este assunto em “A história de uma abelha” lançado em 2007, filme que aborda de forma lúdica uma possível realidade de um mundo sem abelhas, alertando miúdos e graúdos para esta problemática.

08 Dezembro 2017

Nos últimos anos têm-se vindo a disseminar pela comunidade científica, em especial pelos ambientalistas, uma enorme “abelhofobia“! Não que os biólogos tenham desenvolvido um medo irracional de abelhas, desenvolveram sim um enorme receio e preocupação com a morte de milhares destes insetos, fenómeno que recebeu o nome de Colapso das Colmeias.

Por esta altura deverá estar a pensar que lhe irei dar todo um enorme discurso sobre conservação e ambientalismo acerca de um animal que não interessa a ninguém. Lamento desiludi-lo. Ao contrário de outros animais mais emblemáticos, as abelhas têm um impacto gigante nos ecossistemas terrestres e nas nossas vidas.

As abelhas, como decerto já verificou, passam a sua curta vida atarefadamente a poisar de flor em flor para recolher o néctar com que farão o seu delicioso mel. Contudo as abelhas fazem mais do que isso. Para além do néctar, elas levam também (ainda que involuntariamente) o pólen das flores. Ao visitarem várias flores elas transportam pólen de uma flor para a outra, este fenómeno recebe o nome de polinização. Ora, o pólen é na verdade a forma como as plantas (que possuem flor) se reproduzem. As abelhas são por isso responsáveis pela reprodução dessas plantas.

As plantas com flor, a que os biólogos chamam de angiospérmicas, são o grupo de plantas terrestres mais numeroso e com maior importância nos ecossistemas terrestres. Grande parte dos animais herbívoros depende, de alguma forma, destas plantas para a sua alimentação. Nós, apesar de não sermos herbívoros mas sim omnívoros, estamos dentro deste pote. Árvores de fruto, legumes e hortaliças são exemplos de plantas que dependem da polinização, bem como parte das plantas usadas para alimentar o gado.

A principal razão para que o fenómeno do “Colapso das Colmeias” ocorra é, infelizmente, ainda desconhecido. Muitas causas são apontadas, sendo que a principal suspeita é o uso de produtos químicos nocivos e inseticidas que têm o duplo efeito de eliminar os insetos prejudiciais às culturas e jardins porém acabando por matar também os insetos polinizadores como as abelhas e as borboletas. Outra hipótese são os campos magnéticos produzidos pelas nossas tecnologias de comunicação que interferem com os sistemas de orientação das abelhas. Factores tais como: os parasitas, a diminuição de recursos e a recente invasão da vespa asiática (Vespa velutina) na Europa, vêm piorar ainda mais a situação das abelhas.

Proteger estes pequenos insetos não significa proteger apenas mais uma espécie, significa proteger todas as plantas com flor, todos os herbívoros que dependem dessas plantas e todos os carnívoros que destes dependem. Em suma significa proteger todos os ecossistemas terrestres.

Apesar de pequenas e quase indefesas, as abelhas desempenham um papel extremamente importante na Natureza. Substituir as abelhas, em polinização artificial, seria uma tarefa que faria com que os governos e os agricultores despendessem milhares de milhões de euros, para além de que seria uma tarefa digna de pertencer aos doze trabalhos de Hércules.

Abelha

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Biólogo e mestrando em biologia evolutiva e do desenvolvimento na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa