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Importância ecológica do montado Alentejano

Pensar no Alentejo traz-nos inevitavelmente à memória a imagem de campos dourados sem fim, semeados aqui e acolá por sobreiros e azinheiras.

27 Novembro 2017

Pensar no Alentejo traz-nos inevitavelmente à memória a imagem de campos dourados sem fim, semeados aqui e acolá por sobreiros e azinheiras. Esta imagem, para além de estar gravada na cabeça de muitos Portugueses, é certamente motivo de orgulho para os Alentejanos. O que grande parte destes dois grupos desconhece é a origem desta paisagem, a sua importância ecológica e, na minha opinião, o bom exemplo de uma relação Homem-Natureza.

O montado Alentejano não é uma paisagem Natural, pelo menos não no verdadeiro sentido da palavra, é o resultado da influência do Homem, que ao longo dos anos, o alterou de forma profunda. A utilização dos campos para cultivo e/ou para pasto fizeram estas imensas pradarias de vegetação rasteira, salpicadas de sobreiros e azinheiras. Contudo a principal força que mantém estes habitats é o enorme valor comercial da cortiça.

Estas características, aliadas ao clima quente, fazem dos montados um dos locais com maior quantidade de aves. Provavelmente já ficou admirado, num qualquer dia primaveril, com o impressionante número de aves que se podem avistar nos montados, chapins, pintassilgos, melros, popas, cegonhas, perdizes, isto apenas para citar algumas das inúmeras espécies que aí podemos encontrar. Mas não são apenas as “nossas” aves que aqui residem, todos anos várias espécies do norte da europa passam aqui os meses mais frios do inverno, como os imponentes grous.

De todas as aves do montado, uma das mais impressionantes e mais raras é o Peneireiro-cinzento (Elanus caeruleus). Este exímio caçador prefere os campos cerealíferos onde caça pequenos mamíferos como ratos, ajudando assim a controlar as suas populações. Não é só o peneireiro-cinzento que caça nos montados, de dia águias, falcões e milhafres esquadrilham os céus e de noite corujas e mochos tomam-lhes o lugar. Esta enorme quantidade de predadores só é possível devido ao enorme número de presas que os sustenta, como coelhos e lebres, mas também cobras, lagartos e dúzias de ouros mamíferos como ouriços-cacheiros e toupeiras.Colaborador Paulo Sousa

Elanus caeruleus - Fonte da foto: ICNF 

Os montados são também um verdadeiro jardim de cores e odores. Inúmeras flores e outras plantas fornecem alimento ao gado e aos animais silvestres. O Rato-de-Cabrera, que apenas existe em Portugal e Espanha, é um dos muitos animais que depende desta salada mediterrânica. Outros animais como as abelhas recolhem pólen de plantas como o rosmaninho e alfazema para fazer mel, outro dos muitos recursos que o montado proporciona, e de caminho efectuam a polinização (troca de pólen entre flores) que é crucial para a reprodução das espécies vegetais. Vários outros insectos vivem no montado e no seu encalce vêm 26 espécies de morcegos, algumas em grande risco de extinção, que deles se alimentam.

A quantidade de animais e plantas que aqui existe só é possível devido a esta relação entre Homem e Natureza. Uma relação que exige um respeito mútuo de ambas as partes e que se tem mantido viva graças à pouca industrialização e à rentabilidade da cortiça. Contudo só é possível entender verdadeiramente esta relação quando se está no centro de tudo isto. No montado alentejano!

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Biólogo e mestrando em biologia evolutiva e do desenvolvimento na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

 

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