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A criatura e o criador

Sendo um lugar-comum dizer que nas eleições autárquicas contam mais as pessoas que as siglas político-partidárias, afirmo sem qualquer sombra de dúvida que a vitória do PS em Elvas é do partido mas é, sobretudo, do presidente (re)eleito.

18 Outubro 2017

Sendo um lugar-comum dizer que nas eleições autárquicas contam mais as pessoas que as siglas político-partidárias, afirmo sem qualquer sombra de dúvida que a vitória do PS em Elvas é do partido mas é, sobretudo, do presidente (re)eleito.

Nuno Mocinha afigura-se, pois, como o incontestável triunfador da noite eleitoral de domingo passado no nosso concelho. Para o candidato socialista estas eleições funcionavam como um plebiscito à sua pessoa e forma de actuar nos últimos quatro anos. Porque não podemos perder de vista que, pela primeira vez, Mocinha não só não contava com o apoio daquele que foi seu padrinho político, Rondão Almeida, como tinha este último como adversário.

Agora, perante os resultados, a maioria absoluta alcançada pela candidatura socialista - a menos de uma dezena de votos de assegurar cinco em sete mandatos no executivo camarário - confere ao autarca vencedor uma significativa almofada de confiança. Uma vitória que, na minha opinião, se começou a forjar quando, no quente Verão político de 2014, Nuno Mocinha deu o "grito do Ipiranga" e retirou a confiança a Rondão e Elsa Grilo.

Por exclusão de partes o movimento independente Elvas Nosso Partido, liderado por José Rondão Almeida, foi um dos derrotados destas autárquicas 2017. Não se trata, ainda assim, de uma derrota clamorosa, pois os três lugares na vereação e a votação obtida nas Juntas de Freguesia (mesmo sem conquistar nenhuma), conferem aos eleitos da Espiga o direito e a responsabilidade de se afirmarem como oposição activa durante o próximo quadriénio.

À direita do espectro partidário, o PSD de Luís Caldeira Fernandes e o CDS-PP de Tiago Abreu ficaram longe dos objectivos traçados. Para este último, o murro no estômago que foi a perda do lugar na vereação só foi atenuado pela histórica conquista da União de Freguesias de Barbacena e Vila Fernando pelo seu candidato, Jorge Madeira, retirando assim ao PS a possibilidade de fazer o pleno nos órgãos autárquicos do concelho.

Detendo-me mais um pouco nos resultados do Partido Social Democrata e do Partido Popular, parece-me líquido que ambas as candidaturas se canibalizaram, obstando assim a que qualquer delas fosse bem-sucedida. E sem querer vangloriar-me de fazer futurologia, de há muito vinha a admitir que a possível bipolarização de votos entre Nuno Mocinha e Rondão Almeida pudesse prejudicar as restantes candidaturas. Parece-me também evidente que, ao contrário de 2013, o CDS-PP foi ainda penalizado pelo facto do PSD apresentar desta vez um candidato mais conhecido do eleitorado.

Resta-me analisar as duas candidaturas mais à esquerda. Como seria expectável, a CDU e o Bloco de Esquerda, respectivamente com 334 e 147 votos para a autarquia, não fizeram "cócegas" nesta corrida às cadeiras da Rua Isabel Maria Picão. Deixo, ainda assim, uma palavra de simpatia para Manuela Cunha e Rui Salabarda Garrido, que fizeram campanhas pela positiva, apresentando um conjunto de ideias e propostas muito válidas para o futuro do nosso concelho e das suas gentes.

Lamento que, uma vez mais, a taxa de abstenção no nosso concelho tenha ficado acima da fasquia dos 40 por cento. Foram assim mais de 8.000 os cidadãos eleitores que não se deslocaram domingo às assembleias de voto. São estes que, no horizonte dos próximos quatro anos, não terão legitimidade para se lamentar se as escolhas feitas nas urnas não corresponderem aos seus anseios e expectativas.

Em Elvas, nestas eleições autárquicas, bem se pode dizer que Nuno Mocinha esconjurou um "fantasma" que pairava sobre si nestes últimos anos. Ou, dito de outra forma e recorrendo a uma expressão assaz conhecida no universo da literatura, é caso para dizer que em 1 de Outubro de 2017, por estas paragens, a criatura venceu o criador. Que ambos sejam dignos do veredicto popular.