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Voto útil vs Voto fútil

A verdade é que adoramos simplificar. A vida, hoje em dia, é tão complicada que procuramos torná-la mais fácil por todos os meios. Eu sei, eu entendo. Quando começou a pré-campanha eleitoral, a coisa parecia tão simples, não era? Preto no branco, era Rondão ou Mocinha. Assim estava a coisa, no início.

14 Setembro 2017

A verdade é que adoramos simplificar. A vida, hoje em dia, é tão complicada que procuramos torná-la mais fácil por todos os meios. Eu sei, eu entendo. Quando começou a pré-campanha eleitoral, a coisa parecia tão simples, não era? Preto no branco, era Rondão ou Mocinha. Assim estava a coisa, no início.

A clivagem obedecia a critérios, também eles, de uma simplicidade de espírito assustadora, a meu ver. Como a guerra de gerações: os jovens estavam com Mocinha, os idosos estavam com Rondão. Ou então, e esta é a minha favorita, ou se estava por Mocinha, o filho justiceiro, ou por Rondão, o pai traído.

Esta estratégia, fomentada para eclipsar e apagar os outros candidatos, podia ter funcionado. Podia, mas não funcionou.

Em primeiro lugar, porque a questão era muitíssimo mais complexa do que a bipolarização simplória que nos apresentaram. Vejamos: Rondão nunca foi a votos sem o PS; Mocinha nunca foi a votos sem Rondão. E estes dois factos bastam para que ambos se debatam na incerteza de quantos votos, afinal, valem por si próprios. Não sabem. Ninguém sabe.

O segundo motivo pelo qual isto deixou de ser, exclusivamente, entre Rondão e Mocinha é a qualidade de certas Candidaturas que foram surgindo. A Política Elvense renasceu, a tal ponto que os mais novos são, pela primeira vez na sua vida, espectadores de um momento de génese e debate de ideias acerca da sua terra e da construção do futuro. Os mais velhos, esses, têm recordado os tempos passados de vitalidade da Política Elvense, quando bandos opostos e equilibrados se enfrentavam. Quando o espírito era, não só, de disputa, como também de construção e partilha, e não de controlo absoluto e hegemonia. Quando a política, vibrante como era, punha as cabeças das pessoas em funcionamento e as levava às urnas.

Existe uma terceira razão para a luta já não ser a dois, apenas. Ficou fora da equação inicial uma faixa etária à qual pertence a maioria dos Elvenses. Os que não são jovens nem idosos de cartão passado, os que integram aquele enorme grupo de gente de idade indefinida que carrega o fardo da responsabilidade social, que trabalha muito para criar os filhos, pagar os impostos, e que não tem tempo para brincadeiras. Não vivem de ilusões, mas de realidades. E estão muito, mesmo muito cansados da novela política Elvense. Querem desenvolvimento, porque sentem na pele o atraso. Não foram escolhidos como público alvo porque é difícil levá-los em cantigas (ou festas, ou bailaricos, ou churrascos…). São esclarecidos, mas não têm por hábito manifestar as suas opiniões, seja através de discursos exaltados, seja através de “likes” no Facebook, ou de qualquer outra forma, o que torna impossível incluí-los na contagem de apoiantes ou simpatizantes deste ou daquele. No entanto, estão atentos e, pela primeira vez em muito tempo, verdadeiramente informados. Eles são a maioria silenciosa e só falarão no dia 1 de Outubro, através de uma cruz num boletim de voto. É, portanto, nas mãos destes Elvenses pouco manipuláveis que está a decisão. Eles são a chave.

Por último, devo referir que a tão aguardada batalha a dois, afinal, nem chegou a começar. Na incerteza de quem sairia vencedor ou perdedor, resguardaram-se um do outro. Por um lado, temos um candidato-Presidente desaparecido, ausente, que não esclarece aqueles que pretende continuar a governar e que já não tem pés suficientes para tantos tiros. Por outro, temos um candidato-ex-Presidente que gasta 90% do tempo a falar do passado, usando os restantes 10% para assegurar que fará, exactamente, o mesmo que já fez. E este pouco, quer de um lado, quer do outro, este vazio de presença e de ideias, é o rato que a montanha acabou por parir.

O voto útil será aquele que servir os interesses de Elvas e dos Elvenses, e não aquele que alimente facções e fomente a divisão da nossa comunidade. O voto útil será o voto informado e esclarecido, de quem sente e pressente que a mudança é necessária e está próxima.

Geringonça? Se vier, pois que venha! Elvas não acabará por causa disso, não se faça um drama. Parece-me, até, que a humildade é uma excelente qualidade para a boa governação. E tem faltado muita!

Sempre e só, por Elvas e pelo Futuro.