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Algo vai mal no nosso reino

Há poucos dias atrás, ficámos a conhecer os números do Desemprego por concelho, através dos dados fornecidos pelo I.E.F.P., relativos ao mês de Junho de 2017.

03 Agosto 2017

Há poucos dias atrás, ficámos a conhecer os números do Desemprego por concelho, através dos dados fornecidos pelo I.E.F.P., relativos ao mês de Junho de 2017.

Elvas: 1.649 desempregados.

De acordo com os Censos de 2011, a população total do nosso Concelho, na altura, era de 23.079 habitantes, sendo que a população activa contabilizava 10.180 indivíduos. A população activa, como sabem, é composta pelos indivíduos em idade de trabalhar. Passados 6 anos desde o último recenseamento, estes números, necessariamente, oscilarão. Contudo, não é possível analisar fenómenos da natureza daquele que nos ocupa com dados que não sejam oficiais.

Assim, considerando que dos 10.180 Elvenses em idade de trabalhar, 1.649 estão desempregados, podemos estabelecer a nossa taxa de desemprego em 16%. Vejamos, agora, as taxas de desemprego de outros concelhos de referência da nossa área territorial: Portalegre- 6,6%; Ponte de Sor- 6,1%; Campo Maior- 5,8%.

Facto irrefutável: a taxa de desemprego em Elvas é quase o TRIPLO das verificadas em concelhos que partilham a nossa localização geográfica de interioridade, latitude e longitude; que beneficiam, e beneficiaram, dos mesmos incentivos e apoios à criação de emprego estabelecidos pelos vários Quadros de Referência Estratégica e Projectos diversos de cariz nacional ou europeu; no caso de Portalegre, que tem uma dimensão populacional semelhante à nossa.

Querendo ser um pouco mais exaustivos na análise, podemos referir que uma parte assinalável dos Elvenses com emprego tem, diariamente, de abandonar o Concelho para comparecer no seu local de trabalho, fora do mesmo. Ou seja, é graças ao sucesso das políticas de criação de emprego em outros concelhos que a nossa taxa de desemprego não é superior!

Nesta corrida dos números, Elvas é um atleta que, apesar de ter beneficiado das mesmíssimas condições dos outros corredores em prova, cortou a meta quando os adversários já tinham chegado, recebido as medalhas e ido para casa descansar há 3 ou 4 horas atrás. Sim, esta é uma imagem possível para descrever o atraso em que nos encontramos e o péssimo resultado obtido.

Na verdade, poderemos sobreviver à humilhação do resultado e à ausência de medalha ao peito. Mas se nos deixarmos de estatísticas, alegorias e metáforas e “humanizarmos” os números, constataremos que uma taxa de 16% de população activa desempregada afecta muitos mais Elvenses do que 16 em cada 100. Para começar, porque cada um deles, muito provavelmente, tem família. Cônjuge, filhos, todos sofrem as consequências da falta de rendimento. Daí, podemos passar aos cafés, restaurantes, supermercados, cabeleireiros, stands de automóveis e toda a restante panóplia de negócios que não terão esta família como cliente habitual, ou sequer como cliente. Por sua vez, estas empresas, facturando menos, diminuirão o número de funcionários. Reparem como o número de afectados pelo desemprego se multiplicou rapidamente. E se a família, por razões óbvias, decidir fazer pela vida e rumar a outras paragens, uma vez que a nossa casa não é, como se diz, onde está o nosso coração, mas sim onde está o nosso trabalho, então haverá mais um apartamento que não se vende, deixando mais uns quantos trabalhadores da construção desempregados, ou outro que não se aluga, e impostos que não entram nos cofres da Autarquia. A Câmara Municipal, dispondo de menos verba, mais dificuldades terá em manter o Concelho em bom estado e em funcionamento nas diversas áreas que lhe competem, como por exemplo, os apoios sociais aos desempregados cujo número não para de crescer. O êxodo vai diminuindo a população, podendo chegar a comprometer a eventual instalação de uma grande empresa no Concelho, por falta de mão de obra. Esta lengalenga ilustrativa poderia prolongar-se, mas não vejo a necessidade porque o efeito dominó ficou bem patente.

Curioso, não é? Assim de repente, somos todos vítimas do malfadado Desemprego, directa ou indirectamente, em termos presentes e futuros. Parece-me, então, que não estamos perante mais um problema. Este é o Pai de todos os problemas.

Sem surpresa para ninguém, farei a pergunta da praxe, mas concordarão que se impõe: como é possível que um projecto de 24 anos consecutivos de governação de maioria Socialista em Elvas, partilhado por dois Presidentes, não tenha sido efectivo na criação de Emprego? Estamos a falar de muitos dias e muitas horas de trabalho, de muitas oportunidades para fazer e corrigir! Isto, partindo do princípio de que existiu, algures nestes 24 anos, alguma espécie de projecto. Começo a duvidar.

Tenho mais perguntas, claro. Admito que são retóricas e escolho este caminho porque, acima de tudo, gostaria que os meus caros patrícios dedicassem algum tempo a reflectir sobre as possíveis respostas e implicações das mesmas:

Qual é o motivo de, sistematicamente, falharmos onde os outros têm sucesso?

E, finalmente, por que teimamos em seguir o caminho que nos conduzirá ao abismo?

É urgente mudar o rumo, por Elvas, pelo Futuro.