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A night to remember

Em 1942 estreava o filme “A night to remember” – Uma Noite para Recordar, na tradução literal de inglês para português -, comédia de mistério com as estrelas Loretta Young e Brian Aherne. Treze anos depois, em 1955, o escritor norte-americano Walter Lord publicava o romance de título idêntico, baseado no relato do naufrágio do Titanic.

19 Julho 2017

Em 1942 estreava o filme “A night to remember” – Uma Noite para Recordar, na tradução literal de inglês para português -, comédia de mistério com as estrelas Loretta Young e Brian Aherne. Treze anos depois, em 1955, o escritor norte-americano Walter Lord publicava o romance de título idêntico, baseado no relato do naufrágio do Titanic. Já nas décadas de 1980 e 1990, foram vários os temas musicais a adoptar o título “A night to remember”.

No cinema, na literatura e na música, a frase “Uma noite para recordar” traz, passe a redundância, motivos para boas recordações. E as que quero partilhar desta vez com quem faz o favor de me ler são mesmo de uma night to remember. Na verdadeira e completa acepção da palavra.

A noite de que falo foi a do último sábado, 8 de Julho de 2017, uma data para perdurar na memória das largas centenas de elvenses e forasteiros que se juntaram na Praça da República para assistir ao concerto comemorativo do 5.º aniversário da classificação de Elvas como Património Mundial da UNESCO. À partida o cartaz era promissor e o mínimo que se pode dizer é que não só cumpriu como suplantou as expectativas.

Confesso que tenho dificuldade em condensar em poucas linhas o que de bom se viveu na nossa “sala de visitas”. Desde a excelência das vozes do tenor Carlos Cardoso e da soprano Sofia Escobar à qualidade da Orquestra Sinfónica Ibérica, passando pela seleção do repertório, tudo se conjugou para um serão inolvidável.

Quando regresso mentalmente à noite de sábado ainda retenho alguns momentos especialmente emocionantes. Como as interpretações de “O Sole Mio” e “Caruso” por Carlos Cardoso; e de “Don’t Cry for Me Argentina” e “Think of Me” por Sofia Escobar.

Ainda assim, o concerto dos cinco anos de Património da Humanidade foi mais que um evento musical. As projecções sobre a fachada da Sé e edifícios adjacentes, o fogo de artifício em perfeita conjugação com diversos momentos do espectáculo e a apoteose final com o lançamento de confettis dourados e prateados, foram ingredientes sabiamente misturados para cozinhar uma autêntica receita gourmet.

Está de parabéns o Município por ter conferido dignidade, qualidade e beleza a este acto comemorativo. Mas não posso deixar de enaltecer, uma vez mais, o papel de Luís Zagalo enquanto mentor do evento e facilitador da vinda até nós dos protagonistas do concerto na Praça da República. Obrigado pois, meu bom amigo Luís, pela constante dedicação a Elvas!

Permitam-me que abra agora alguns parêntesis, à margem do tema central deste apontamento. O primeiro dos quais para sublinhar que o pretérito dia 8 ficou ainda marcado na nossa cidade pela apresentação do projeto e arranque das obras de construção do Hotel Vila Galé no antigo Convento de S. Paulo, o anúncio da futura instalação do Museu Etnográfico António Tomaz Pires na Ex Manutenção Militar e a comemoração do 10.º aniversário do Museu de Arte Contemporânea de Elvas com uma mostra temporária que se estende ao longo dos próximos meses por diversos espaços da cidade. Em relação a este último, daqui envio um forte abraço de parabéns ao Comendador António Cachola, proprietário da colecção que constitui o acervo do MACE.

Já na véspera, sexta 7, o Coliseu animou-se ao longo de quase três horas com o 31.º Encontro de Ginástica Cidade de Elvas, promovido pela associação Isekais, à frente da qual continua o professor Carlos Dores. Foi mais uma night to remember, enriquecida com a participação de classes gímnicas de vários pontos do país.

A Isekais teve origem na Escola Secundária D. Sancho II, da qual saiu também há poucos anos a associação juvenil Arkus, dedicada sobretudo às artes cénicas e outras atividades de âmbito cultural. Eis uma prova cabal – ou melhor, duas – da vitalidade do estabelecimento de ensino da Rua de Portalegre.

Encimei a presente edição das Linhas Soltas com o recurso a um estrangeirismo. No singular. Mas agora que esta reflexão chega ao fim, apetece-me dizer, no plural, que felizmente Elvas vai tendo várias noites para recordar. Que assim continue!