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João Paiva

Vencer para Servir

Não é preciso um doutoramento, para entender que o termo chefe, não significa necessariamente líder ou dito de outra forma, chefe não é sinónimo de líder.

12 Julho 2017

Não é preciso um doutoramento, para entender que o termo chefe, não significa necessariamente líder ou dito de outra forma, chefe não é sinónimo de líder.

Aparentemente simples, esta dicotomia é ao mesmo tempo, muito simples e complexa. Creio ser consensual, entender, que chefe não é líder e que nem todos os chefes são tão bons, quanto o eram quando eram uns chefiados. Vale por isso a pena lembrar, algumas características que mesmo não sendo observadas na totalidade, são muito comuns e diferenciadoras entre líder e chefe.

O chefe conduz as pessoas, infunde temor, diz “eu” em vez de “nós”, preocupa-se com coisas, colhe para si elogios, procura culpados, fiscaliza, faz mistério, dirige individualidades, inspira-se em terceiros e não é genuíno. 

Pelo contrário, o líder pondera e aconselha pessoas, inspira segurança, diz “nós” em vez de “eu”, preocupa-se com as pessoas, divide os louros e os elogios, assume responsabilidades, acompanha os trabalhos, comunica e persuade, forma uma equipa e é original.

É por estas enormes diferenças, que alguém por ter um cargo de chefia ou hierarquicamente importante, não é necessariamente um líder.

Para se ser líder, além das capacidades já enunciadas, é necessário ter as de, influenciar e mobilizar pessoas em torno de objectivos, de modo a que aquelas sejam mais entusiastas, mais empenhadas e com maior entrega.

Um líder contribui para o aparecimento de novos líderes e deixa sempre a sua marca, boa ou má, enquanto um chefe, deixa sempre subordinados amedrontados.

O verdadeiro líder lidera, serve a equipa sob a sua responsabilidade e esta última, é indelegável. Pode delegar competências, mas nunca a sua responsabilidade, uma vez que o delegado age no âmbito das competências que lhe foram delegadas, mas sempre sob supervisão e com a responsabilidade de quem as delegou; chama-se a isto o princípio da unidade de decisão e respectiva responsabilidade. 

Resulta claro, que a liderança relaciona-se com a influência e, esta com a habilidade, pelo que se conseguirmos o casamento entre as duas, conquistaremos naturalmente a autoridade. Graças à autoridade, um líder conseguirá que os membros da equipa façam de boa vontade o que ele pretende. Quantas vezes fixados os objectivos, não ouvimos já dizer? “ Certo, faço-o por si”.

Neste contexto, uma das mais importantes diferenças entre poder e autoridade, é que o poder é a capacidade de alguém obrigar outrem, fruto do lugar ou posição que ocupa e pode ser conferido, retirado, até comprado, mas a autoridade é essência da pessoa, é intrínseca e, está profundamente ligada à sua natureza.

Contudo, não devemos de modo nenhum esquecer que o poder funciona, mas funciona durante um certo período de tempo. A História ensina-nos que se conseguem obter muitas coisas na base do poder, da imposição, mas com o passar dos anos e com o desgaste, as pessoas obtêm novas capacidades, competências, visão e, o poder que o poder tem sobre as pessoas, desgasta-se, diminui ou acaba. A este propósito, quantas vezes o leitor não ouviu dizer: faça porque é assim, ou faça porque eu já disse?  

É por isso que a liderança é baseada na autoridade e não no poder. O poder é para chefes e a autoridade é para líderes. Além disso, há que reter que o poder traz consigo inúmeras vezes, várias consequências graves e irreversíveis tais como, a dissipação dos relacionamentos, a desconfiança, a intriga, a deslealdade, a inveja etc. Quando tal ocorre, acaba o respeito, a participação, a vontade de fazer e, a vontade de ser e estar.

Mas como adquirir a autoridade, a liderança?

Desde logo, é característica de um verdadeiro líder ter autoridade mesmo sem ter poder. A autoridade e agora fixando o seu campo na autoridade politica, pressupõe coerência, compromisso, uma vida com causas, memória, dedicação, coragem e que sejam consequentes e coerentes com um modo de vida pública significativo.

Em boa verdade, em todas as áreas da vida, existem pessoas que possuem cargos e fazem uso deles pelo poder, não conquistando o respeito tão almejado pelo ser humano, mas também há outros, que os exercem ou estão preparados para exercer, pela autoridade, pela competência, pela liderança e, que vão sendo ao longo dos anos, cada vez mais respeitados e desejados.

Um líder politico que tem ou quer ter autoridade, sobrepõe-se aos desmandos do poder arbitrário, à arrogância, ao egocentrismo, à satisfação de vaidade pessoal, ao cinismo e contribui para uma sociedade mais desenvolvida e harmoniosa, pensando sempre na comunidade que quer servir.

É por isso que acreditamos num verdadeiro modelo de liderança, um modelo em que, VENCER para SERVIR e não para se servir, ou ser servido, seja o padrão.

Um líder tem que ter vontade e provas dadas de dedicação e humildade, para sentir as reais necessidades da comunidade e não, os desejos de uns quantos ou daqueles que lidera com as suas vaidades pessoais.

Um verdadeiro líder que quer estar ao serviço da comunidade deve sempre pensar, não em si, em privilégios, em vaidades, mas sim em sacrifícios e entrega. Também por isso, a capacitação técnica ou as habilitações literárias orientadas para resultados, não são por si, condição necessária e suficiente para um verdadeiro líder.

LIDERAR para SERVIR significa não plagiar, ouvir a comunidade e dela não se servir, conquistar as pessoas, ser-lhes leal, envolvê-las, ter presentes os seus anseios, projectos, ambições e ser capaz de propor com originalidade, metas razoáveis e materializáveis.

Um verdadeiro líder não promete este mundo e o outro, nem se proclama salvador do que quer que seja. Um verdadeiro líder é naturalmente humilde, escuta, dialoga, assume responsabilidades, resultados e, lidera equipas e comunidades com a autoridade conquistada pela sua coragem, percurso e coerência ao longo dos anos.

É por tudo o que foi dito, que é urgente UNIR ELVAS, tendo sempre presente como grande propósito no horizonte temporal, VENCER para SERVIR.

João Paiva