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“Tempo escuro para todos” (Papa Francisco)

Mas também de Solidariedade e Humanidade

27 Março 2020

De acordo com a Teoria Celular, nem sequer é um ser vivo. Mas aí está e em muito pouco tempo mudou a nossa vida, a vida das nossas cidades, a vida do nosso país, a vida mundo. Trouxe o medo, a ansiedade, a incerteza do dia de amanhã.
Passamos na rua e distanciamo-nos de quem passa. Tocamos em alguma coisa e apressamo-nos a desinfetar as mãos. Ouvimos conselhos, cumprimos regras e ensinamentos e assim tem de ser. O homem que afirma que tudo pode, que a ciência tudo resolve, que a cultura, o saber e a arte devolveriam a alegria e o bem-estar a todos, vê- se agora a braços com o covid-19 que está a parar e a mudar o mundo. Afinal não somos omnipotentes como muitos pensam. Somos pó, um pó muito amado por Deus mas com muitos limites e fragilidades. Como diz o papa Francisco temos que viver este “tempo escuro para todos” com penitência, compaixão, humildade e mas também com Esperança”.
Muitas vezes esquecemos que na vida existem “zonas escuras e momentos sombrios”, continua o papa. As sombras entraram nas nossas casas, nas nossas escolas, nos nossos centros de lazer e de convívio. Ninguém escapa ao desconforto destes dias difíceis. O papa convida-nos à oração e confiança. A oração ajuda a entender a nossa vulnerabilidade e a percebermos que não estamos sós, que no meio da tempestade ”Cristo navega connosco para chegarmos a bom porto. Feliz de quem possui o dom da Fé para que ao olhar o horizonte não aviste apenas o vazio e o medo. Parar, refletir, diminuir contactos físicos, orar são os imperativos do momento.
E quem metemos na barca da nossa oração?
Todos, porque todos somos frágeis, somos todos humanos, não há distinções. De várias maneiras Deus vem ao nosso encontro neste tempo de prova. Oramos, em especial, pelos responsáveis pelo bem comum. Pelos que cuidam dos doentes e dos que estão sozinhos. Os médicos, os enfermeiros e todas as pessoas ligadas à saúde para que superem o cansaço, o desânimo, e cuidem de todos como se cuidassem o próprio Cristo mesmo à custa da própria incolumidade. E agradecemos os seus gestos de entrega e amor. Na nossa palavra de encorajamento, num sorriso, num “Bem -hajam” Deus vem ao seu encontro.
Oramos pelas famílias para que superem a impaciência, construam a harmonia e cresçam em união e conhecimento mútuo. Teletrabalho e cuidar dos filhos não é tarefa fácil. Num telefonema, numa ajuda nas compras, numa ideia criativa, Deus vem ao seu encontro.
Somos solidários, em oração, pelos idosos que não sejam deixados ao abandono e sintam a solidariedade. Numa perspetiva de Fé nós somos as mãos, os pés, o coração de Deus a consolar e ajudar.
Oramos pelos pobres, por quem vacila para que se afaste de nós mais uma pandemia, a do desespero e do medo. No nosso ânimo, na nossa presença, na nossa oferta é Deus que que se faz conforto.
Testemunho de civismo e de solidariedade
“A glória de Deus é o homem verdadeiramente humano” diz Santo Ireneu e na minha perspetiva de Fé também eu sinto que Deus se está a fazer presente nesta onda de civismo e solidariedade que se nota por todo o lado, cumpre-se regras e orientações, respeitam-se filas, distanciamo-nos mas olhamo-nos como iguais, sorrimos, oferecemos pequenos gestos de solidariedade na medida do possível, falam-se os vizinhos desde as varandas e quintais, telefona-se à família e aos amigos, criam-se sistemas simples de combater a solidão, perdoam-se ofensas mútuas etc. Tudo isto são para mim sinais de que não estamos sozinhos, que há Alguém, que está presente nisto tudo a orientar o nosso coração para o bem, para o Amor. Eu chamo-lhe Jesus, Deus connosco, o Emanuel que disse. “EU ESTAREI SEMPRE CONVOSCO, ATÉ AO FIM DOS TEMPOS”. Mas chamemos - lhe o que quisermos. O importante é que o bem se faça.
Encerram-se os locais de culto mas não se encerra a Igreja porque a Igreja somos nós
Não tenhamos medo das Igrejas e templos fechados. Os cristãos das primeiras comunidades cristãs também não tinham templos. Rezavam em suas casas. Partilhavam os seus bens. “Ninguém passava necessidades” (At 2,46)
O culto não pode ser o que legitima a Igreja. O culto deve ser a consciência do que somos e fazemos nas “periferias” e junto de quem mais precisa
Afinal “a melhor religião é a que nos torna mais humanos e melhores pessoas”. (Dalai Lama)

Maria de Fátima Magalhães stj