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Opinião

Covid-19 e as crianças

Ao trabalhar como psicóloga clínica em meio escolar tenho reparado que muitos alunos estão assustados com aquilo que ouvem nas notícias, na escola, nos restaurantes… Enfim, em todo o lado. Com o agravamento da situação em Portugal e o consequente fechar das escolas, as crianças ressentem-se.

17 Março 2020

Sempre que surge algum problema de saúde que envolva os nossos familiares, ou pessoas significativas às nossas crianças (filhos, sobrinhos, netos), tentamos ao máximo esconder a situação deles. Por vezes, para não gerar o pânico. De outras, porque nós próprios não sabemos como fazê-lo e, assim, de modo inconsciente evitamos o assunto ao máximo.

No entanto, as crianças, normalmente, compreendem que algo não está bem e uma vez que não lhes é explicado o que se passa, estas começam a pensar no pior. Estes pensamentos negativos levam a alterações psicológicas nas crianças que se expressam através dos seus comportamentos e emoções (por exemplo, maior necessidade de atenção e comportamentos desafiantes e por vezes agressivos). O Covid-19 não é exceção.

Ao trabalhar como psicóloga clínica em meio escolar tenho reparado que muitos alunos estão assustados com aquilo que ouvem nas notícias, na escola, nos restaurantes… Enfim, em todo o lado. Com o agravamento da situação em Portugal e o consequente fechar das escolas, as crianças ressentem-se.

O problema é que este assunto é referido 24 horas por dia em frente às crianças, mas normalmente as explicações que lhes são dadas não são suficientes para as suas “imaginações férteis”.

Para não falar que os media não ajudam a apaziguar os ânimos. Apesar de fazerem o seu trabalho de informar sobre o estado da propagação do vírus e até como nos protegermos contra o mesmo, o seu sensacionalismo leva a que a perceção de risco se eleve entre a população. Esta perceção de risco afeta os adultos, principalmente. De forma indireta, através da perceção de que algo não está bem, as nossas crianças também sofrem.

Aqui surge a necessidade de não só os adultos estarem bem informados (a partir de fontes fidedignas: Organização Mundial de Saúde e Direção Geral de Saúde), como também saber como explicar às suas crianças esta situação.

Primeiro que tudo, devemos ouvir as nossas crianças sobre este assunto. De modo a que elas se sintam envolvidas neste processo. Assim, devemos tentar perceber o que sabem sobre o vírus, a sua propagação e as formas de se manterem em segurança e principalmente os seus medos.

Posteriormente é importante informá-las sobre a situação, tendo sempre em conta a sua idade e o seu desenvolvimento. Explicar-lhes como é que o vírus é transmitido, quais os sintomas a ter em conta e como se protegerem para não contrair o mesmo. Esta informação permite com que as crianças se sintam mais em controlo da situação.

Por fim, promover situações de distração, tais como, fazer jogos em família, ver filmes, contar histórias. Promover, ainda, o bem-estar e segurança das crianças ajudando-as a cumprir as regras aconselhadas e cumprindo nós próprios essas regras, de modo a que elas vejam que estamos também em segurança. Também, apoiá-las em termos emocionais. Ouvir o que têm para dizer, acalmá-las nos momentos de maior stress e não esquecer de lhes dar carinho e amor.

Como forma de conclusão deixo um pequeno livro direcionado às crianças sobre o Covid-19 e a sua transmissão:
https://660919d3-b85b-43c3-a3ad-3de6a9d37099.filesusr.com/ugd/64c685_127e7402441c4520baba9cae5ea905bd.pdf

Ana Neves, psicóloga
Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Atualmente a realizar o seu estágio profissional para a Ordem dos Psicólogos Portugueses.