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Alerta Corona

A fuga para páginas, blogs e etc. que não sejam os de referência não é solução. A informação é a melhor arma contra o novo coronavírus mas a desinformação pode condenar-nos

13 Março 2020

Eu sei que a generalidade dos leitores estaria à espera que o colunista do Linhas de Elvas, que escreve sobre ciência, biologia e ambiente, elaborasse um texto sobre este novo Coronavírus, o covid-19, que tantas preocupações tem causado pelo impacto na saúde pública, na economia (que cai a pique) e na política (que talvez venha também a cair em Portugal). (In)felizmente não vou corresponder às suas expectativas, mas explico porquê, são duas as razões.

            A primeira passa pelo facto de que não sou especialista e nem sequer trabalho em infeciologia, ou virologia. Como tal os meus conhecimentos sobre o que se passa, como a biologia deste vírus e cuidados a ter, assim como os seus sintomas, são produto da consulta de sites credíveis e acessíveis a qualquer um, como o da Direção Geral de Saúde - DGS, ou até o magnífico artigo que saiu no jornal Público e cuja consulta de todos os artigos relacionados com o novo Coronavírus é gratuita.

            A segunda é a de que, honestamente, começo a ficar farto disto! Não é que esteja farto de ver artigos e noticias, desde que credíveis e verdadeiras como por exemplo os do Linhas de Elvas para o qual me orgulho em escrever, sobre o novo coronavírus. Estou farto porque efetivamente isto da pandemia atrapalha a vida de uma pessoa! Não posso sair de casa porque posso ser contagiado ou contagiar alguém; não posso espirrar ou tossir sem ser para um lenço de papel; de hora a hora ou sempre que vou à casa de banho tenho que lavar minuciosamente as mãos com água e sabão; e se desconfio que apanhei o raio do vírus, tenho de ficar em casa isolado porque se for a correr para o hospital posso espalhar a infeção a pessoas já de si debilitadas, quer pela idade, quer por doenças crónicas, quer pela mistura dos dois. E, acima de tudo, estou ainda mais chateado porque todas estas medidas têm lógica e fazem sentido e eu não tenho a hipótese de contestar nada.

Contestar estas medidas é como dizer que não vale a pena tomar a vacina do tétano porque não toco em ferrugem, e não perceber que a razão pela qual não morro dessa infecção é porque tomei a vacina!

 Desta forma, acho que prefiro usar este artigo para dizer que é sempre muito importante, mas  ainda mais nos tempos que correm, termos atenção à informação que consultamos. Tenho visto muita informação errada a circular por aí. É importante não confiarmos em tudo o que lemos. Sei bem que a esmagadora maioria das pessoas, tal como eu, não percebe o suficientemente de vírus ou de saúde para poder olhar para uma informação e perceber que devido à biologia do vírus, por exemplo,  aquela informação é obviamente errada. Bem sei que é difícil termos espírito crítico quando não percebemos nada da área em questão, afinal criticar apenas por criticar não é solução.

 Então nestas alturas temos de confiar em alguém. Em quem? Nos médicos, na Organização Mundial de Saúde, na Direção Geral de Saúde e, em algumas fontes de informação que estão devidamente identificadas como tendo sido feitas por pessoas/entidades que percebem do assunto. É importante não ligarmos a tudo o que lemos, porque estarmos mal informados pode conduzir a comportamentos de risco. A fuga para páginas, blogs e etc. que não sejam os de referência também não é solução. A informação é a melhor arma contra o novo coronavírus mas a desinformação pode ser a nossa perdição.

 

 Investigador em biologia evolutiva na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa