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Evolução Humana - Parte II

Os avanços feitos na tecnologia, na medicina, na alimentação e em tantas outras áreas têm-nos permitido mudar o nosso planeta original, para um planeta que melhor se adequa às nossas necessidades.

26 Novembro 2019

Quando ainda estávamos em África, há 5 milhões de anos atrás, os nossos antepassados ainda não-humanos, enfrentavam diversos perigos. Sem garras e dentes afiados, nem dotados de uma grande força ou velocidade éramos presas fáceis para a maioria dos predadores. Os nossos antepassados contavam apenas com o seu grupo e com o intelecto para sobreviverem na savana. De uma forma nua e crua podemos afirmar que estávamos sujeitos às mesmas “leis naturais” que a restante fauna. Não éramos diferentes do resto dos animais. Durante a idade do gelo, mesmo munidos de roupas, lanças e fogo, continuávamos a passar fome e sede, vulneráveis às doenças e parasitas que eram uma dura realidade. Hoje, tudo mudou! O ser-Humano é o animal que mais altera (em magnitude e velocidade) o seu ambiente e a vida dos restantes seres vivos.

Os avanços feitos na tecnologia, na medicina, na alimentação e em tantas outras áreas têm-nos permitido mudar o nosso planeta original, para um planeta que melhor se adequa às nossas necessidades. Sem predadores, capazes de combater e vencer as doenças, com bastante comida e bebida à nossa disposição. Hoje em dia milhares de pessoas nascem, reproduzem-se, e vivem uma vida praticamente saudável graças a todos estes avanços. Sem estes avanços tecnológicos e médicos muitos teriam morrido em idades precoces sem deixar descendência, o mundo teria muito menos Humanos.

Os vírus, bactérias e outros seres patogénicos continuam a evoluir para novas formas mais contagiosas e mais letais. A sua evolução não é desencadeada por um aumento da eficácia do nosso sistema imunológico mas sim graças aos nossos medicamentos, vacinas e aumento dos cuidados de higiene. A ameaça das doenças não deixou de estar presente apenas é iludida.

A mecanização e industrialização da agricultura e pecuária também deram o seu contributo para diminuição da fome, aumento da disponibilidade e da qualidade dos alimentos. Isso conduziu a uma diminuição do numero de mortes, aumento da população e aumento de peso da população.

Contudo as desigualdades sociais e geográficas entre a população humana levam à ocorrência de casos interessantes. A anemia falciforme é uma doença que afecta os globos vermelhos, deformando-os, dificultando assim o transporte de oxigénio. Esta doença apresenta frequências muito baixas nas populações da Europa, no Norte da América e No Norte da Ásia, mas aparece em grande frequência em países equatoriais e pobres. Os cientistas perceberam que a elevada frequência desta doença nestas regiões do globo está relacionada com a presença de malária. Pessoas que sofram de anemia falciforme têm maior probabilidade de sobreviver à malária do que as que não têm. Os povos que habitam as zonas do Tibete, da Etiópia e dos Andes, apresentam características únicas que lhes permitem viver em grandes altitudes. No caso dos tibetanos, pensa-se que ocorreu uma modificação num gene que lhes permitiu viver nos Himalaias.

Com a evolução tecnológica e a conquista do espaço e a, ainda ficção cientifica, colonização de Marte, a evolução humana não está descartada. Actualmente poucos são os estudos que mostram que o Nós continuamos a evoluir. Contudo a possibilidade de vivermos numa estação espacial ou num planeta diferente levantam a possibilidade de a nossa historia ainda não ter terminado. Toda a vida na Terra, evoluiu na presença da gravidade terrestre e com os ritmos circadianos e anuais do Sol. Como será se colonizarmos um planeta diferente? Como reagiremos à ausência contínua de gravidade? E a dias com duração diferente dos da Terra? Será que o nosso próximo passo evolutivo será adaptarmo-nos a uma vida fora da Terra? Será que aqueles que viverem uma vida espacial e os que ficarem continuarão a pertencer à mesma espécie? E finalmente, como seremos Nós daqui a outros 5 milhões de anos?

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Biólogo e mestrando em biologia evolutiva e do desenvolvimento na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa