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Opinião

Notas da semana

Daí que me perdoem os Exmos. Leitores se a divagação literária desta vez for maior do que a habitual, nestes apontamentos telegráficos do que me veio à cabeça.

17 Setembro 2019

Na sequência da activa participação que a minha última crónica estimulou ao nível do debate sobre o nome do Coliseu de Elvas, e porque me foi pertinentemente questionado se não existiam assuntos mais importantes a discutir em público, entendi ser de elementar justiça oferecer desta vez este espaço de opinião a quem quisesse escrever sobre eles (e seguramente com mais aptidão que eu). Mas dada a nula adesão ao meu convite, fiquei duplamente descalço: sem cronista e sem crónica, porque não contava escrevê-la esta semana. Daí que me perdoem os Exmos. Leitores se a divagação literária desta vez for maior do que a habitual, nestes apontamentos telegráficos do que me veio à cabeça.

1.       Não sendo minha intenção voltar ao tema “Coliseu Joaquim Bastinhas”, o que penso ter passado mais despercebido em tudo o que escrevi na semana passada foi a importância de se realizarem duas corridas de toiros na Feira de S. Mateus, coisa que não me lembro de ver há muito tempo. Goste-se ou não, é inegável que espectáculos tauromáquicos com cartéis de excelência (como os que são os destas corridas) atraem muita gente de fora que aproveita para jantar e dormir em Elvas e ir à feira. Penso que aqui existe uma óptima oportunidade para se começar a realizar uma Feira Taurina (à semelhança do que já existe em Olivença e Badajoz) inserida nas Festas do Senhor Jesus da Piedade, que em três ou quatro dias concentre em Elvas uma série de eventos relacionados com a tauromaquia (e porque não – já que não querem alterar o nome do Coliseu – dedicada à memória de Joaquim Bastinhas?).

2.       Novamente um conjunto de autores (nos quais se inclui este vosso humilíssimo servo) se associou por iniciativa da poetisa Graça Amiguinho para criar uma colectânea literária e artística, desta vez em redor do triunvirato que compõe a Eurocidade: Elvas, Badajoz e Campo Maior. Se a primeira colectânea “Elvas à Vista” teve o condão de compilar para a posteridade o trabalho literário regional dos mais diversos autores da sociedade elvense, esta nova obra, lançada no passado dia 14 de Setembro em Santa Eulália, torna-se ainda mais abrangente por ser transfronteiriça e reunir autores e trabalhos das três urbes raianas.

3.       Foi noticiado recentemente o caso da mãe estremocense que, querendo abortar o seu filho quando este tinha 6 semanas de gestação, foi-lhe negado o aborto pelo seu médico de família por este ser objector de consciência. Esta mãe não só teimou até conseguir aquilo que cria, acabando por abortar em Badajoz, como ainda apresentou à Entidade Reguladora da Saúde queixa do médico de família do Centro de Saúde de Estremoz. Este episódio leva-me a questionar se o direito de objecção de consciência – um direito fundamental que foi a grande conquista do século XX no pós-guerras (lembremo-nos por exemplo de tantos pacifistas que antes dessa época foram fuzilados por traição) – não pode ser utilizado para salvar a vida, ou pelo menos para não contribuir para a morte, de um bebé, então para que servirá?

4.       Foi também noticiado na semana passada que de 32 vagas para o Hospital de Portalegre, apenas 2 médicas concorreram aos lugares. Por outro lado, o hospital avançou ser sua intenção melhorar a eficiência energética das instalações, o que não deverá ser difícil com o reduzido número de médicos a utilizá-las…

5.       Fica mal elogiar em causa (ou melhor, em casa) própria, mas como eu me considero um correspondente liberal e independente deste jornal, não tenho pudor em aplaudir a excelente iniciativa que o Linhas de Elvas promoveu com as edições especiais dedicadas às eleições legislativas da rúbrica “Semana à Sexta”. Sendo um órgão de comunicação regional, e sendo a política de maior proximidade e a que mais nos diz respeito aquela que é feita no distrito de Portalegre, esta medida pioneira traz os candidatos para junto dos eleitores e dá-nos a conhecer os seus programas de uma forma muito mais prática (caso assim não fosse, quem se daria ao trabalho de ler os programas eleitorais dos partidos?).

6.       Por fim, Elvas ficou mais pobre este fim de semana, porque perdeu um dos bons. Perdeu, e perdemos todos, uma das boas elvenses, daquelas dos quatro costados. Repentinamente soubemos da morte da Teresa Sá (Abreu), a quem eu chamava carinhosamente de tia Teresa, não por relações familiares (que lá numa enésima geração até existiam) mas porque era muito amiga dos meus pais e da minha família – e como aliás o era de toda a gente. Gostávamos todos muito dela e vamos sentir enormes saudades, porque era mesmo uma boa pessoa. Mas Deus chama sempre os melhores para ao pé de Si (só isso explica que eu ainda esteja vivo!). Um beijinho aí para cima, tia Teresa, e vele por nós!