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Opinião

Onde está Deus?

Na edição da semana passada, o Linhas de Elvas dava notícia de um ataque gravíssimo e de duas outras ameaças sérias à liberdade religiosa que aos católicos e aos elvenses em geral muito nos devem entristecer.

28 Maio 2019

Na edição da semana passada, o Linhas de Elvas dava notícia de um ataque gravíssimo e de duas outras ameaças sérias à liberdade religiosa que aos católicos e aos elvenses em geral muito nos devem entristecer.

A primeira, de uma sacrílega gravidade, foi o assalto à Igreja de S. Pedro e o roubo de diversos objectos de arte sacra, incluindo o cálice que onde estavam as partículas consagradas. Para um católico, essas mesmas partículas são nada menos que o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, “tão real no Seu altar como outrora sobre a cruz”, como canta o hino. Isto significa, para um crente, que as hóstias roubadas são tanto o Corpo de Deus como O era Jesus carnal, quando viveu entre nós há 2000 anos, ou O é o Santíssimo Sacramento cada vez que é exposto (quer em Roma pelo Papa quer na paróquia de São Saturnino pelo seu pároco) – Jesus é sempre o mesmo em todos os sacrários da terra.

Ora, como não se pode conceber (se bem que já estamos por tudo) que uma pessoa com um mínimo de formação católica ou até de civilidade laica, que acaba por ter um fundo de moralidade cristã, possa cometer tão grande sacrilégio (palavra que ouvimos tantas vezes, mas é neste contexto utilizada no seu pleno significado), deduz-se que os ladrões não tinham consciência de que o cálice guardado no sacrário continha tamanho tesouro. Assim, àqueles que assaltaram a Igreja de S. Pedro na semana passada suplico: devolvam-nos por favor o nosso Deus contido nessas partículas de pão, entreguem-no anonimamente em qualquer igreja da cidade; para vós certamente não significará nada nem terá valor algum, mas para nós uma só hóstia é mais preciosa que toda a arte sacra do mundo!

Outras ocorrências perturbantes – mas certamente passadas despercebidas – aconteceram nas minhas duas antigas escolas: o Semi-Internato de Nossa Senhora da Encarnação e o Colégio Luso-Britânico. Tenho tão boas memórias de infância nestas duas excelentes instituições que será sempre com enorme respeito e consideração filiais que vou escrever estas linhas. Custa-me acreditar – e espero que me corrijam – que ambas tenham sido penetradas pela agenda política da nova ordem global (NOG) que ataca, a todo o custo e por todas as frentes (começando pelas escolas, onde as crianças devem ser doutrinadas) os valores cristãos e a família em particular.

Cumpre desde já esclarecer que a NOG não tem nome, rosto, sede ou agenda claramente identificável, pelo que muitas das vezes a infiltração da sua ideologia passa despercebida às próprias instituições de ensino, que de genuína boa fé aceitam essas propostas educativas. Mas passo a explicar.

A primeira notícia que li foi “Educação Inclusiva – Associação de Pais do Colégio promoveu formação”. Para um leitor desatento, nada disto deixa transparecer qualquer intromissão externa nos valores cristãos de um colégio católico. No entanto, para quem já tenha treino em ler o tipo de linguagem utilizado pela NOG percebe logo que a palavra “inclusiva” quer quase sempre significar a destruição dos valores familiares tradicionais. Se para qualquer um de nós a educação inclusiva significaria a integração de crianças diferentes ou com dificuldades de aprendizagem na comunidade escolar (ideia louvável e merecedora de todo o nosso apoio), uma investigação mais aprofundada (através, nomeadamente, da leitura do documento do Ministério da Educação “Para uma Educação Inclusiva – Manual de Apoio à Prática”) esbarra imediatamente com frases como “Uma religião não é percebida como superior às restantes” ou “Para além do modelo de família nuclear tradicional são representados grupos familiares em que existem […] pais do mesmo sexo”, o que para um colégio católico são ideias inadmissíveis (veja-se João 14,6).

A segunda notícia “Crianças celebram Dia Internacional da Família” chamou-me a atenção pela frase “A iniciativa passou pela projecção e exploração do Livro da Família do autor Todd Parr, e as crianças decoraram um painel com a frase ‘Há diferentes formas de ser família. A tua família é especial, seja qual for o tipo”. Não estive na celebração nem faço ideia de que forma foi feita a “exploração do Livro da Família”, mas é da competência dos educadores informarem-se que esse livro contém frases como “Algumas famílias têm duas mães ou dois pais”, foi considerado por Elton John como o seu livro familiar preferido (precisamente por defender o seu estilo de vida) e já foi excluído de todas as escolas católicas americanas pela Associação Nacional de Educação Católica dos EUA por promover explicitamente “famílias” homossexuais e a ideologia LGBT(IX?SW+2Jp0% e por aí fora…).

É nosso dever, enquanto pais, estar atentos a tudo o que diz respeito à educação dos nossos filhos, mas é também dever dos docentes de escolas que se assumem como católicas salvaguardar e oferecer o ensino da moral cristã em estrita concordância com a doutrina da Igreja Católica, caso contrário em nada se diferenciariam do ensino laico. Muitas vezes estas questões passam-nos despercebidas, precisamente porque a NOG só as introduz muito discretamente e através de linguagem extremamente polida e cuidada, mas nem os pais (que escolhem um ensino católico para os filhos) nem os professores (que leccionam em instituições católicas) podem deixar-se iludir pelo que já é assumidamente um ataque às famílias, à religião e à liberdade de cada um em educar os filhos de acordo com as suas crenças.

 Tiago Picão de Abreu