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Ana Barbas: Da paixão pelos cavalos à competição ao mais alto nível

A cavaleira elvense Ana Barbas é a terceira melhor do mundo em provas de resistência equestre. Recorde aqui a reportagem que o “Linhas” elaborou recentemente sobre a desportista.

28 Dezembro 2017

Depois do terceiro lugar alcançado no World Championship Young Horses, em Bruxelas, e do título de vice-campeã do Campeonato Nacional de Cavalos Novos recentemente conquistado, a cavaleira e treinadora elvense Ana Barbas já pensa em novos voos.
Ana Barbas confessou ao “Linhas” que tem “algumas expectativas em relação aos próximos Jogos Equestres Mundiais dos Estados Unidos”, que se realizam no próximo ano, pois serão “um grande desafio enquanto treinadora e enquanto atleta”.Ana Barbas
“O meu dia-a-dia é dividido entre os cavalos que eu tenho para mim e os cavalos que tenho de treinar para outras pessoas. Uma das grandes conquistas que nós tivemos também este ano foi a 30 de Setembro, em que classificámos cinco cavalos para os Jogos Equestre Mundiais dos Estados Unidos: dois da China, dois de Hong Kong e um de Portugal”, disse.
É no Monte da Marinela Nova, na freguesia da Terrugem, que Ana Barbas vive e trabalha diariamente, sempre a pensar em novos desafios. E foi aí que a nossa reportagem foi conhecer um pouco melhor a cavaleira elvense.Ana Barbas
Ana Barbas nasceu a 16 de Junho de 1979 e, para além de estar “desde sempre ligada aos cavalos”, também se licenciou em Turismo, em Coimbra, chegando a dar aulas na EPRAL e em escolas de Redondo, Alandroal, Reguengos e Elvas.
“Quando comecei a achar que o ensino era uma fase da minha vida e não seria aquilo que eu queria fazer para sempre, voltei aos cavalos e desde 2013 estou a cem por cento nos cavalos”, referiu.Ana Barbas
Ana Barbas sempre viveu no Monte da Marinela Nova e foi aí que começou a montar. Depois teve aulas “no Quartel com o coronel João Sá e com as suas filhas” e, mais tarde, com José Carlos Caldeira, em Vila Boim.
Aos 11 anos participou na sua primeira prova hípica, em Abrantes, e, desde então, apenas fez uma pausa na carreira devido a lesão.
“Tive a sorte de a primeira prova hípica que fiz ganhei, assim como o primeiro campeonato de seniores. Portanto, acho que isso foi um estímulo, porque esta vida é dura”, afirmou.
A cavaleira elvense destacou ainda o papel do seu pai enquanto entusiasta e do instrutor de equitação Filipe Cacheirinha, então namorado e agora marido, que a “ajudou a ter bases para que conseguisse progredir” na carreira.Ana Barbas
Outra competição que a marcou foi “o primeiro Campeonato da Europa de Young Riders, na Alemanha, em 1999”. “Foi a primeira prova internacional de grande dimensão que fiz e achei que foi muito compensatória, apesar de, na última etapa, a minha égua ter tido uma lesão e eu acabei por ser desclassificada no final. No entanto, todo o espírito de grupo e de equipa ajudou-me a perceber que, realmente, quando vamos lá fora, não pensamos só em nós. Pensamos numa equipa e o que é importante é o objectivo da equipa. Como o objectivo da equipa foi cumprido, eu não me senti tão lesada por ter sido desclassificada”, contou.
Questionada sobre o seu percurso até ao momento, Ana Barbas não tem dúvidas que a sua carreira “tem vindo de menos a mais”. “No princípio eram só objectivos em termos de equipa. Antigamente não podíamos pensar em resultados individuais porque não tínhamos cavalos para isso. Hoje em dia já podemos. Portanto, cada vez vou tendo uma maior ascensão com cavalos nacionais criados e desbastados por nós”, explicou.Ana Barbas
Ana Barbas mostrou-se ainda “satisfeita” com os resultados alcançados recentemente. “A grande prova foi no ano passado, no Campeonato do Mundo, em que eu classifiquei uma égua da minha criação, do meu desbaste e treinada por mim em quarto lugar. Este ano, realmente, não estava à espera que as coisas corressem tão bem. Eu ia com um irmão dela, mas que achava que tinha menos possibilidades porque era um cavalo menos maduro. A prova que fiz este ano foi em Bruxelas, no meio de um parque natural, mas em que havia imensos contratempos. Não era uma prova fácil para cavalos novos, porque não estão habituados a obstáculos. Eles gostam de correr em pistas que não tenham grandes adversidades que os façam parar. Portanto, quando lá cheguei pensei que não tinha hipóteses nenhumas. Ao longo da prova fui conseguindo subir lugares, mas nunca achei que conseguiria alcançar o terceiro. Foi na última parte e fiquei muito contente por isso”, confessou.Ana Barbas
Antes da lesão sofrida em 2007, a cavaleira elvense também esteve dez anos consecutivos na selecção nacional, onde conquistou, por equipas, uma medalha de bronze nos Jogos Equestres Mundiais de Aachen, em 2006, e medalhas de prata em Taças das Nações.Ana Barbas
O acidente de que foi vítima em Março de 2007, numa prova, acabou por ser o pior momento da sua carreira. “Eu e a égua caímos as duas e ela, ao levantar-se, deu-me um coice. Tive uma fractura grande no braço”, lamentou.
Essa situação, no entanto, não a desmotivou. “Tive de parar um tempo, mas também percebi que são acidentes. Não foi por maldade. Aconteceu”, concluiu.

Nuno Barraco