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Os ventos de mudança no futebol europeu

A actual época futebolística lusa além fronteiras, na Champions League e na Europa League, está a ser a melhor dos últimos cinco anos, estando assegurada a ascensão de Portugal ao sexto lugar do ranking da UEFA para a próxima época.

Nuno Simões

30 Janeiro 2020

A actual época futebolística lusa além fronteiras, na Champions League e na Europa League, está a ser a melhor dos últimos cinco anos, estando assegurada a ascensão de Portugal ao sexto lugar do ranking da UEFA para a próxima época.
A importância deste facto é tal, que vai ter reflexos na distribuição das equipas portuguesas nas competições europeias de clubes na época 2021/2022. Nesta temporada entrarão em vigor as alterações da UEFA nas provas por si organizadas e em simultâneo, por cá, está em cima da mesa, a curto prazo, o final da Taça da Liga.
Como a maior parte dos adeptos desconhece as regras como é calculado este ranking, deixamos uma breve explicação do mesmo:
O ranking de países da UEFA resulta da soma dos pontos que os clubes de cada país contabilizam nas últimas 5 épocas.
O ranking do país é calculado dividindo o número total de pontos das suas equipas pelo número de equipas nacionais participantes nas competições europeias, numa determinada época. A soma deste valor das últimas 5 temporadas resulta então na pontuação total do país para o ranking global.
Para o ranking de países, os jogos de qualificação para competições europeias, as chamadas pré-eliminatórias, têm a seguinte pontuação: 1 ponto por vitória, 0.5 pontos por empate e 0 pontos por derrota.
A classificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões vale quatro pontos de bónus, enquanto a qualificação para a fase a eliminar após a fase de grupos resulta em mais 5 pontos de bónus.
Cada vitória vale dois pontos, cada empate vale um ponto e a derrota zero pontos, sendo que a classificação para os quartos-de-final, meias-finais e finais da Liga dos Campeões e da Liga Europa vale um ponto extra.
Quanto mais alto for o ranking de um país, mais equipas das suas provas internas (Liga e Taça) têm direito a participar nas competições europeias, distribuídas da seguinte forma:
1º a 4º classificado - Quatro clubes na UEFA Champions League e três clubes na UEFA Europa League;
5º a 6º classificado - Três clubes na UEFA Champions League e três clubes na UEFA Europa League;
7º a 9º classificado - Dois clubes na UEFA Champions League e quatro clubes na UEFA Europa League;
10º a 15º classificado - Dois clubes na UEFA Champions League e três clubes na UEFA Europa League;
16º a 51º classificado - Um clube na UEFA Champions League e três clubes na UEFA Europa League;
52º a 54º classificado - Um clube na UEFA Champions League e dois clubes na UEFA Europa League;
55º classificado - Um clube na UEFA Champions League e um clube na UEFA Europa League.Quadros artigos de opinião de Nuno Massano Simoes
Paralelo ao ranking de países da UEFA, com a mesma fórmula de cálculo, existe o ranking de clubes em que o lugar de cada equipa é estabelecido pelos pontos somados nos jogos das competições europeias dos últimos cinco anos, acrescidos de 20% do coeficiente do país.
O ranking de clubes existe essencialmente para definir a distribuição das equipas nos sorteios das respectivas competições em que participam, seja nas pré-eliminatórias seja na fase de grupos.
No início desta época Portugal começou com cinco equipas, em que os pontos somados em cada jogo são a dividir por cinco, a partir de 2021/2022 teremos seis equipas, e os pontos conquistados serão a dividir por seis, ou seja, até à próxima época cada participante nacional na UEFA Champions League e na UEFA Europa League contribui, para o bem ou para o mal, com 20 % para o ranking do país, daqui a dois anos cada equipa representa 16,66 %. Cada representante nacional corresponde a uma fatia do bolo mais pequena (É como passar a dividir o bolo por seis pessoas quando até aqui dividíamos o mesmo bolo por cinco pessoas).Quadros artigos de opinião de Nuno Massano Simoes
O 5º e 6º lugares do ranking da UEFA têm sido prendas envenenadas para os ocupantes destas cadeiras, quer para Portugal num passado recente (O 5º lugar foi até à data a nossa melhor classificação de sempre, há dois anos), quer para França e Rússia, respectivamente, no início desta época.
Para a Rússia, esta época foi o “annus horribilis”, dado ter ficado sem representantes nas competições europeias em Dezembro, e a França, dos seis representantes, sobrevivem apenas dois clubes na UEFA Champions League.
Qualquer destes três países não tem actualmente clubes com capacidade financeira, e com um quadro de jogadores de elevada qualidade (excepto o Paris Saint Germain) para somar pontos suficientes para ultrapassar com regularidade a fase de grupos da principal prova europeia.
A UEFA Champions League, ano após ano, está a tornar-se numa prova de elite para os grandes clubes europeus, e pela primeira vez na sua história, nos oitavos-de-final, só estão representados os cinco principais países do ranking europeu.
O fosso entre os “big five” (Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França) e os restantes cinquenta países europeus está a acentuar-se, o que tem gerado um crescente descontentamento, pois 65 % dos filiados da UEFA (restam 19 países nas competições europeias) ficam sem representantes após as fases de grupos da Europa League e da Champions League.
A UEFA, atenta a este fenómeno, anunciou em Outubro passado uma nova prova europeia - a Conference League (Liga Conferência) - que surgirá a partir de 2021/2022 não sofrendo alterações no seu formato até 2023/2024.
Será a terceira competição de clubes europeus em termos de importância, que decorrerá em simultâneo com as suas irmãs mais velhas Europa League (Liga Europa) e Champions League (Liga dos Campeões).
Os jogos da Champions League mantêm-se à terça e à quarta-feira, os jogos da Europa League e da Conference League serão à quinta-feira em horários diferenciados.
A Europa League deixa de ter 48 equipas na fase de grupos.
As três competições terão pré-eliminatórias, play-offs e fase de grupos com 32 equipas cada, divididas em oito grupos de quatro clubes.
A Champions League manterá o seu formato com os dois primeiros classificados da fase de grupos a transitar para os oitavos-de-final, e os terceiros classificados passam a disputar uma eliminatória adicional com os segundos classificados de cada grupo da Europa League.
Os vencedores desta eliminatória disputarão os oitavos-de-final da Europa League com os primeiros classificados da fase de grupos desta competição.
A UEFA Conference League vai funcionar nos mesmos moldes, ou seja, os oito primeiros classificados da fase de grupos passam para os oitavos-de-final.
Os segundos classificados de cada grupo da UEFA Conference League vão disputar uma eliminatória adicional com os terceiros classificados da Europa League, para aceder aos oitavos-de-final da nova competição europeia.
Ficam eliminados das competições europeias os últimos classificados da fase de grupos da Champions League, últimos classificados da fase de grupos da Europa League, e os terceiros e quartos classificados de cada grupo da UEFA Conference League.
A UEFA, com esta reformulação, pretende uma distribuição equilibrada das equipas pelas três provas e ter o máximo de países possíveis representados, quer na fase de grupos, quer na fase posterior, nas eliminatórias.
Com esta medida, a UEFA também pretende estancar a criação de uma Superliga europeia ao estilo da NBA, desejada pelos clubes mais ricos da Europa.
Portugal, sendo o actual sexto classificado do ranking da UEFA, passará a ter seis equipas nas competições europeias a partir da época 2021/2022 distribuídas da seguinte forma nas três provas:
1º e 2º classificados da Liga com acesso directo à fase de grupos da Champions League;
3º classificado da Liga com acesso à 3ª pré-eliminatória da Champios League, seguida do play-off;
4º classificado da Liga ou vencedor da Taça de Portugal com acesso directo à fase de grupos da Europa League;
5º classificado da Liga com acesso à 3ª pré-eliminatória de acesso e play-off de acesso à UEFA Conference League;
6º classificado da Liga com acesso à 2ª pré-eliminatória, 3ª pré-eliminatória de acesso e play-off de acesso à UEFA Conference League.
Na prática, com a redução de equipas na Europa League, o quinto e sexto classificados da Liga passam a disputar a 3ª e 2 ª pré-eliminatórias e ainda play-off de acesso à UEFA Conference League.
O surgimento de uma eliminatória adicional e o aumento de datas nas provas europeias, nomeadamente na UEFA  Europa League e na UEFA Conference League, vai levar à reformulação ou eliminação de competições internas nos países europeus que têm o calendário mais sobrecarregado, de forma a criar condições para os seus representantes efectuarem nas provas europeias percursos o mais longos possíveis, o que se traduzirá num aumento da receita angariada.
Actualmente, a lista dos dez países que têm o maior número de jogos possíveis numa época é liderada pela Inglaterra com 50 jogos, seguida da França e Bélgica com 49, Espanha com 48, Portugal com 47, Itália com 44, Turquia com 42, Alemanha com 41, Ucrânia com 38 e Rússia com 36.
Se formos analisar as receitas geradas nos dez principais campeonatos europeus, Portugal é o nono classificado, sendo, do “Top Ten”, o país mais dependente das receitas obtidas nas competições da UEFA, pois representam 23 % dos ganhos obtidos.
Não será por acaso que a França já decidiu acabar com a Taça da Liga, Inglaterra e Portugal estão a ponderar seguir o mesmo caminho, sendo que no caso luso especificamente, isso está pendente do término do contrato existente entre a Liga e o actual patrocinador da prova.
Os ventos de mudança no futebol europeu estão a caminho e Portugal, de forma a defender os seus interesses desportivos e económicos, já tomou medidas antecipadamente, pois quem antevê cenários a longo prazo está melhor preparado para o futuro e mais perto do sucesso.
Desejo a toda a equipa do LE e aos seus leitores um 2020 cheio de sucessos pessoais e profissionais.

P.S.:
No final de 2019 partiram dois amigos, Norberto Deolindo Vidigal, o “mestre” Beto, que aprendi a admirar nos relvados, e Jorge Cirne, um dos mais conceituados navegadores de Ralis da década de 70, com o qual aprendi tudo sobre a função de starter no Motor Clube do Estoril e no qual formámos dupla durante uma década em provas de automobilismo nacionais e internacionais, no Autódromo do Estoril e no Autódromo de Portimão.
Onde quer que estejam, estarão a partilhar histórias ou a ensinar o melhor que sabiam fazer com a paixão e a alegria que lhes eram características. Até sempre mestres.