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Alentejo - cultura

Maioria do público do Festival Terras sem Sombra é português

Estudo realizado lista as despesas feitas por concelhos, destacando-se, entre os visitantes portugueses, o de Beja, com 39.612,13 euros, no total, seguido do de Vidigueira (39.314,29 euros) e, em terceiro, o de Elvas (35.219,05 euros).

23 Janeiro 2020

O público do Festival Terras Sem Sombra, que se realiza no Baixo Alentejo, é maioritariamente português e, no ano passado, gastou perto de 370 mil euros na economia da região, segundo um inquérito realizado ao longo da edição de 2019.
Cerca de cinco mil pessoas participaram neste inquérito, durante os 15 concertos do Festival Terras sem Sombra (FTSS), que no ano passado decorreu em 12 localidades alentejanas e, ainda, nas espanholas de Olivença e Valência de Alcântara.
Os dados fazem parte de um estudo dos públicos que acompanharam dez dos 14 fins-de-semana da 15.ª edição do festival que, além de concertos inclui atividades relacionadas com a biodiversidade, nas quais participaram 1.175 pessoas, e visitas a património da região, que contaram com 1.605 pessoas inquiridas.
O estudo foi elaborado por uma equipa do Centro de Investigação em Turismo, Sustentabilidade e Bem-estar (CinTurs), da Universidade do Algarve, a que a agência Lusa teve acesso.
Segundo os dados apurados, a média etária dos participantes é de 57 anos, dividida de forma igual pelos dois sexos, sendo 87% com um nível de escolaridade "superior", e a maioria vivendo em união de facto (67%).
A nacionalidade portuguesa domina o público do festival e, em menor escala, há participantes espanhóis, franceses e italianos.
Segundo o estudo, “perto de metade dos inquiridos participam no FTSS acompanhados por outra pessoa” e, em cerca de "12% dos casos, os participantes eram acompanhados por crianças”.
Este ano a diretora executiva do FTSS, Sara Fonseca, afirmou como prioridade “alargar a participação das famílias e trazer ao festival as crianças”.
O festival criou a programação “Kids Terras sem Sombra” e uma mascote, uma ovelha, idealizada e concretizada por uma 'designer' de Beja, Paula Salvador.
Atualmente, decorre uma votação para batizar a ovelha feita com lã de merino dos rebanhos alentejanos.
Ainda segundo o estudo, cerca de metade dos participantes pernoita uma ou duas noites na região: 16% das pessoas permanecem um dia e 31%, dois dias.
“Estes dados revelam como o Terras Sem Sombra é um motor da economia local, nomeadamente nos setores das dormidas, do pequeno comércio e da restauração”, salientou à Lusa Sara Fonseca.
O estudo aponta “outro fator positivo”: 70% das pessoas que responderam ao inquérito “encontravam-se a repetir a experiência" no festival.
“Quem vem gosta e isso para nós é uma excelente certificação. Mais de metade repete a presença no 'Terras', que será já uma escolha agendada e pensada, e quer dizer que temos feito apostas certas, diversificando e informalmente divulgando a cultura e salvaguarda o meio ambiente alentejanos”, disse a responsável.
Segundo o estudo, “mais de 60% dos participantes não residem no Alentejo”, mas “apenas 20% dos participantes não conheciam o local ou a região”.
“O 'Terras' assume cada vez mais uma postura divulgadora da região, pelas melhores razões: a música, o património, a cultura e a salvaguarda da biodiversidade”.
O estudo aponta uma estimativa da despesa dos participantes num total de 369.167,16 euros, gastos sobretudo em restauração, transportes e no comércio local, de acordo com a sua distribuição: 10.754,29 euros em dormidas, 107.222,09 euros em restauração, 95.682,22 euros em transportes e 95.682,22 euros em compras no comércio local.
O estudo lista as despesas feitas por concelhos, destacando-se, entre os visitantes portugueses, o de Beja, com 39.612,13 euros, no total, seguido do de Vidigueira (39.314,29 euros) e, em terceiro, o de Elvas (35.219,05 euros).
A “recomendação de amigos” é a principal forma como os participantes tomam conhecimento das iniciativas do festival, seguindo-se a página oficial do FTSS na Internet e, em terceiro, a imprensa, imediatamente seguida pela rádio, a televisão e a rede social Facebook.
Segundo o mesmo estudo, para 96% dos inquiridos, “a participação é uma experiência valiosa”. Em 93% das respostas foi referida “a diversidade de atividades” e 90% justificou a sua participação “porque o modelo [do FTSS] não é comum”. Para 82% dos participantes, a escolha deveu-se ao “tipo de atividades, porque representam uma alteração das rotinas” pessoais.
Quanto à “caracterização do ambiente" onde decorrem as atividades, os inquiridos destacaram a “boa localização” (92%), “boa iluminação” (88%) e a “simpatia da equipa” (83%) à qual se associa a “competência” (78%).
Quanto à “experiência” em participar nas atividades do festival a maior parte das respostas realça o “fator de aprendizagem”, além do “entusiasmo”, que recebeu 95% das escolhas, lideradas pela resposta “esta experiência estimula o meu intelecto” (97%).
Outras respostas selecionadas foram: “com esta experiência, eu aprendo mais alguma coisa”, “esta experiência dá-me que pensar” (94%) e “reviver esta experiência mais tarde, nomeadamente falar com outros” (93%).
De acordo com os resultados, “63% dos participantes [afirmaram-se] extremamente satisfeitos com a experiência”.
Todos inquiridos admitiram que irão “falar positivamente sobre o festival”, 99% que tencionam "voltar a participar no festival no futuro” e 97% que vão “encorajar amigos e familiares a participarem”.
O FTSS abriu no passado sábado na Vidigueira com um concerto pelo Tiburtina Ensemble, um grupo coral feminino checo que interpretou composições de Hildegarda de Bingen, vindas do século XII, uma visita ao sítio arqueológico de São Cucufate, na freguesia vizinha de Vila de Frades, e uma ação sobre salvaguarda da biodiversidade, nos laranjais de Vidigueira.
Organizado pela associação Pedra Angular, o 16.º Terras Sem Sombra realiza-se sob o mote "Uma Breve Eternidade: Emoções e Comoções na Música Europeia (Séculos XII-XXI)", sendo a República Checa o país convidado.
O festival prossegue no próximo dia 01 de fevereiro, em Barrancos, com um concerto do violoncelista espanhol Pedro Bonet, uma sessão sobre o idioma falado neste concelho, o barranquenho, e uma atividade sobre biodiversidade centrada no rio Ardila, que nasce na serra de Tentúdia, em Espanha e desagua no rio Guadiana, em Portugal, no concelho de Moura.