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Covid-19

Visitas a casa de amigos ou familiares duplicaram entre Março e Maio

Um inquérito do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) sobre a adaptação à covid-19 concluiu que de 23 de Março a 10 de Maio duplicaram as visitas a casa de familiares ou amigos.

24 Maio 2020

Um inquérito do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) sobre a adaptação à covid-19 concluiu que de 23 de Março a 10 de Maio duplicaram as visitas a casa de familiares ou amigos.
Os dados divulgados no relatório “Diários de uma Pandemia”, uma iniciativa desenvolvida pelo ISPUP e pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), no Porto, analisaram a evolução do trabalho fora de casa e teletrabalho, contactos presenciais e à distância, saídas para estabelecimentos comerciais e o risco de infecção.
De 23 de Março a 10 de Maio, inscreveram-se no estudo 13.517 pessoas, com idades entre os 16 e 89 anos.
O documento, a que a Lusa teve acesso, mostra que ao longo das sete semanas “duplicaram as idas a casa de amigos ou familiares”, passando de 8% para 16%, sendo que estas visitas foram “mais reportadas” pelos residentes nas zonas Norte, Centro e Alentejo.
“Este aumento observou-se em todas as idades, embora as visitas tenham sido sempre mais frequentemente feitas pelas pessoas mais jovens”, refere o relatório, adiantando que nas pessoas com menos de 40 anos a frequência passou de 7% para 18% e nas pessoas com mais de 60 anos de 6% para 10%.
Paralelamente, a percentagem de pessoas que diariamente tiveram contacto presencial com cinco ou mais pessoas fora do agregado familiar “quase duplicou”, passando de 16% para 30%.
Dos inquiridos, os profissionais de saúde foram os que mais referiram ter tido contactos (48% em Maio), seguindo-se os profissionais dos sectores primários (43% em Maio) e secundários (39% em Maio).
O relatório indica que este aumento de contactos presenciais diários “possivelmente” reflecte o regresso à actividade profissional que, de 23 de Março a 10 de Maio, aumentou “perto de 50%”.
“O aumento foi gradual, mas era já nítido antes do fim do estado de emergência”, lê-se no documento, que adianta que as saídas foram mais frequentes nos profissionais de saúde, nos profissionais dos sectores primário e secundário, bem como “nas pessoas com um menor grau de escolaridade”.
“O que sugere um desconfinamento selectivo dos trabalhadores das profissões manuais ou não especializadas, em que o teletrabalho também decresceu mais”, refere o relatório.
Por outro lado, as saídas diárias para supermercados, hipermercados ou mercearias “decresceram” durante o mês de Abril e “voltaram a aumentar” em Maio para valores semelhantes aos registados no final do mês de Março.
Já as deslocações a outros estabelecimentos, excluindo supermercados e farmácias, “duplicaram” ao longo das sete semanas, passando de 8% para 16%, embora o relatório sublinhe que as mesmas já tinham aumentado “para 12% na última semana do estado de emergência”.
No que concerne ao risco de infecção, o relatório indica que a percentagem de pessoas que referiram ter contactos recentes com casos suspeitos ou confirmados de covid-19 desceu “para menos de metade”, passando de 5,5% para 2,4%.
“Estes resultados sugerem que o desconfinamento poderá estar mais relacionado com a necessidade profissional, bem como com a aceitação e gestão do risco, do que com uma mudança na percepção desse risco pelos cidadãos”, conclui o documento.
“Os Diários de uma Pandemia”, também desenvolvidos em colaboração com o jornal Público, visam, com base em dados sobre as rotinas diárias da população, compreender a adaptação à covid-19.

SPYC // JAP
Lusa