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Combate à febre hemorrágica nos coelhos começa no Alentejo

A Federação Portuguesa de Caça (Fencaça) vai avançar para o terreno com o combate à febre hemorrágica que nos últimos tempos tem dizimado as populações de coelhos e lebres no Alentejo. Segundo avança a associação presidida por Jacinto Amaro, em breve terão início as colheitas de órgãos destes animais na zona de caça Evoramonte, no concelho de Estremoz.

Roberto Dores

13 Outubro 2017 | Fonte: Redacção Diário do SUL

Avança Jacinto Amaro que as amostras deverão depois ser submetidas às respetivas análises por parte do INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária), no sentido de se encontrar uma forma de combater a doença viral. O projeto da Fencaça conta com o apoio do ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, tendo o dirigente associativo aplaudido a criação deste grupo de trabalho.
Originário da Península Ibérica, o coelho bravo, outrora com densidades populacionais elevadas (até 40 coelhos por hectare), tem sofrido nos últimos anos grandes reduções, estimando-se atualmente que exista somente 5 a 10% da população que existia há 50 anos atrás. O coelho bravo é uma das espécies cinegéticas de maior interesse (se não mesmo a mais popular), mas é também um elemento chave dos ecossistemas mediterrâneos, pois é presa de pelo menos 27 aves de rapina, 11 espécies de carnívoros e duas espécies de serpentes, onde se destacam as espécies emblemáticas do lince ibérico e a águia imperial, ambas em vias de extinção, em parte devido à diminuição da sua presa principal, o coelho.
Já em 2014 Jacinto Amaro alertava para o avanço da doença hemorrágica viral “Se os coelhos continuarem a morrer como em 2012 e 2013, podemos afirmar que a espécie fica ameaçada de extinção, com todos os prejuízos que isso vai trazer à biodiversidade da região e à actividade cinegética”, avisou, antecipando um cenário que hoje ganha maior expressão.
Logo aí, e em conjunto, com a Faculdade de Ciências do Porto, a Fencaça iniciou um projecto experimental para combater o vírus que começou por dizimar coelhos em Mértola, mas que rapidamente se propagou a outros regiões, atingindo praticamente todo o Alentejo. Foram então utilizados produtos para desparasitação interna, fortificantes e suplemento vitamínico, sendo que os terrenos onde os coelhos seriam pulverizados com o objectivo de eliminar os vetores de transmissão da doença, como mosquitos, carraças e pulgas.


Doença evoluiu
de forma galopante

A doença hemorrágica nos coelhos é conhecida há 15 anos e já tinha dado sinais preocupantes em Espanha, sobretudo a sul do país vizinho – Extremadura e Andaluzia. Os caçadores do lado de cá da fronteira acreditaram que poderiam passar ao lado do vírus, até porque a doença hemorrágica era detectada em populações muito determinadas. Ou seja, numa mesma reserva de caça poderia dizimar coelhos numa zona e não actuar nos exemplares vizinhos. Porém, em Mértola (Baixo Alentejo) começaram por ser dados os primeiros sinais, logo em Dezembro de 2012, com o aparecimento de casos de febre hemorrágica. Depois estendeu-se a toda a região. A doença começou por ser padronizada, atacando os indivíduos adultos, mas uma recente mutação passou também a ter efeitos em coelhos jovens, com cerca de um mês.