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750 oliventinos pediram para ser portugueses nos últimos três anos

Cerca de 750 oliventinos pediram nacionalidade portuguesa desde 2014, traduzindo mais 150 processos face aos 600 que existiam no início do ano.

29 Setembro 2017 | Fonte: Diário do Sul

Cerca de 750 oliventinos pediram nacionalidade portuguesa desde 2014, traduzindo mais 150 processos face aos 600 que existiam no início do ano. É um fenómeno impulsionado pela Associação Além Guadiana (AAG), que se tem dedicado a divulgar a cultura lusa em Olivença. Cerca de 500 pessoas já têm o novo Cartão de Cidadão, segundo dados fornecidos pelo presidente da Associação Além Guadiana, Joaquín Fuentes.

Eduardo Machado, professor de Português e membro da AAG, tem feito várias viagens à Conservatória dos Registos Centrais de Lisboa onde tem entregado processos relativos as faixas etárias dos 5 aos 90 anos.

Recorde-se que Olivença é o único concelho espanhol onde para também se ser português basta ter nascido por aqui, ser descendente ou casado com um natural da terra. Um privilégio que segundo o alcaide Manuel José Andrade torna os oliventinos “especiais”.

A possibilidade de entrar no mercado de trabalho em ramos como o ensino ou serviços médicos são vantagens da dupla cidadania, mas o presidente da AAG, Joaquín Fuentes, também sublinha a força das raízes portuguesas neste fenómeno, que tem despertado as entidades locais para a necessidade de recuperar a Língua Portuguesa tal como era falada na rua até meados do século passado.

O próprio alcaide encarregou-se de avançar com um projeto para reforçar o ensino do português nas escolas locais. A proposta já deu entrada no governo regional da Extremadura e visa atingir os vários níveis de ensino. “É verdade que na Extremadura se estuda Português, mas Olivença, pelas características especiais, deve ter um plano especial de Língua Portuguesa”, disse o autarca que admite mesmo a contratação de professores nativos.

O alcaide propõe que haja mais horas letivas dedicadas à disciplina de Português no ensino público. “Podem ser com professores nativos ou com professores que estejam devidamente habilitados a ensinar a língua, mas queremos que as aulas de Português passem a ser mais intensas do que são nas outras escolas da Extremadura”, insistiu Manuel José Andrade, referindo que tenciona “recuperar a Língua Portuguesa como há duas gerações atrás, quando os nossos avós falavam em Português entre eles”.

Eduardo Machado revela que já está criada a comissão para a comunidade educativa, que junta autarquia e estabelecimentos de ensino, com o objetivo de encontrar respostas para a procura do “Português”. Do lado do Governo, a autarquia já obteve um sinal positivo na volta do correio. “Disseram-me que lhes parece boa ideia e admitiram que o projeto poderá vir a ser aplicado nos municípios próximos da raia. Ainda assim, achamos fundamental que em Olivença todos falem bem Português”, acrescentou, invocando a carga histórica e cultural sublinhada pelos 500 anos em que a cidade pertenceu a Portugal.