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Calor faz “disparar” invasão de lagostins no Alentejo

A invasão de lagostins não tem tréguas no Alentejo, perante o desespero dos produtores de arroz. Este verão o fenómeno agravou-se devido às frequentes ondas de calor na região. O chamado lagostim-vermelho-do-luisiana está por todos os rios, barragens e pegos, cruzando as bacias do Guadiana, Tejo e Sado.

Roberto Dores

22 Setembro 2017 | Fonte: www.diariodosul.com.pt

Há anos que esta espécie invasora vem pondo os nervos em franja aos orizicultores da região. Já lhes chamam “monstros dos arrozais”, mas a verdade é que os lagostins-vermelhos da Luisiana, que foram avistados pela primeira vez no rio Caia em 1979, ganham cada vez mais terreno, depois de em 1973 terem sido trazidos de Nova Orleães, aquando das cheias, por empresários de Badajoz.
Os lagostins começaram por ser criados em Badajoz apenas para o abastecimento da linha alimentar, mas a facilidade com que a espécie se reproduz, rapidamente lhe permitiu passar para a bacia do Caia, afluente do Guadiana. O crescimento nunca mais parou. Além do grande poder de reprodução e de sobrevivência, o lagostim tem ainda grande capacidade de construção de túneis, pelo que facilmente irradiaram por toda a região. 
Contudo, se para os orizicultores é uma espécie de invasor mal-amado, já para algumas espécies e peixe, como a perca, o achigã, a carpa, a truta, a enguia é uma “iguaria” que entra nas suas dietas nas várias fases. Quer isto dizer que embora revele alguns impactos negativos para o ecossistema, não deixa de ser verdade que o lagostim traz vantagens para alguns predadores, onde se inscrevem, por exemplo, lontras, mas também as garças.
Porém, os proprietários dos arrozais até chamam “praga”, já que nutre particular simpatia pelo consumo de sementes e jovens plantas de arroz. “Outro problema, é que ao fazerem túneis, os lagostins provocam a perda de água nos canteiros, acelerando a seca dos campos. Claro que este factor em anos de maior seca nos traz um prejuízo muito grande, porque a planta seca mais rapidamente e pode até morrer”, diz o produtor Álvaro Vieira, sublinhando ainda que ao escavarem a terra, tornam a água mais turva “o que compromete ainda a sobrevivência das sementeiras, visto que passam a ter menos acesso à luz.”
O vermelho vivo e o preto tornam esta espécie exótica facilmente reconhecível, embora o crepúsculo seja a fase de maior actividade destes crustáceos.
Por outro lado, o lagostim também se tem revelado um alimento inesperado nas zonas alagadas do Alentejo para a cegonha-branca, que passou a ter o que comer durante todo o ano na região, optando por ficar por cá em definitivo, virando costas às rotas de migração para África para onde costumava viajar no Inverno. Um fenómeno que está a ajudar a aumentar esta população de aves para valores impensáveis há cerca de 20 anos.
Há cinco anos já se contavam mais de 400 casais só em Alcácer do Sal, o concelho português onde mais exemplares nidificam, justamente devido à existência de arrozais, que tanto atraem os lagostins.
Aliás, segundo a SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves), a construção de açudes e de barragens, a introdução do lagostim de água doce em Portugal e a proliferação de lixeiras que constituem uma fonte de alimento para a cegonha-branca são algumas das justificações possíveis para o facto de muitas aves só fazerem as migrações de Inverno nos primeiros anos de vida.