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No nos moveran

Há 26 anos, em meados de 1991, tive oportunidade de visitar Barcelona pela primeira vez. Integrado numa viagem promovida pela delegação de Portalegre do então Instituto Português da Juventude, pude observar in loco a construção - nessa altura já muito adiantada - das infraestruturas e equipamentos para os Jogos Olímpicos do ano seguinte na capital da Catalunha.

31 Agosto 2017

Há 26 anos, em meados de 1991, tive oportunidade de visitar Barcelona pela primeira vez. Integrado numa viagem promovida pela delegação de Portalegre do então Instituto Português da Juventude, pude observar in loco a construção - nessa altura já muito adiantada - das infraestruturas e equipamentos para os Jogos Olímpicos do ano seguinte na capital da Catalunha.
Para lá da grata experiência de viver por dentro os preparativos do maior evento desportivo a nível mundial, Barcelona foi a revelação de uma cidade lindíssima e acolhedora como poucas. Foi para mim uma paixão à primeira vista, traduzida na grandiosidade da sempre inacabada Sagrada Família, no pulmão de Montjuich, no feérico colorido do Parc Güell, e, sobretudo, na animação multicultural das Ramblas, desde a Praça da Catalunha até ao Passeio Marítimo.
O brutal atentado da última semana nas Ramblas, que ceifou dezena e meia de vidas e provocou uma centena de feridos, foi mais que um mero acto terrorista. Teve o triste simbolismo do ataque ao coração de uma das mais cosmopolitas urbes mundiais. E, como tal, de uma agressão a todo o mundo civilizado.
Por outro lado, o atentado de Barcelona trouxe de novo para a ribalta a nova metodologia do terrorismo islâmico, antes utilizada por exemplo em Nice e Londres. Usar viaturas como armas para arremeter contra multidões em espaços abertos é, para os extremistas, um meio barato de actuar e difícil de controlar pelos serviços de segurança de qualquer país. Nesse pressuposto, estamos perante o cenário preocupante deste tipo de atentados poder vir a ocorrer em qualquer local ou momento.
Enquanto isso, noutras latitudes do globo têm vindo a multiplicar-se os sinais de deterioração do equilíbrio geoestratégico mundial. Os exemplos mais evidentes são o clima de guerra civil iminente na Venezuela e o crescendo de tensão entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, envolvendo directamente outras nações orientais e ocidentais.
Era bom que, ao contrário do que reza uma conhecida expressão, a História jamais se repetisse. Principalmente quando falamos de situações que atentam contra a dignidade da vida humana, como acontece com o terrorismo e os conflitos bélicos.
Dei por mim a reflectir sobre estas questões quando assistia recentemente ao genial filme "Dunkirk" do realizador Christopher Nolan sobre o salvamento de quase 400 mil militares das forças aliadas na praia francesa do mesmo nome, durante a 2.ª Guerra Mundial. Ou ainda, no domínio da pura ficção, os primeiros cinco minutos da película "Valerian e a Cidade dos Mil Planetas", todo um hino à paz e cooperação entre os povos, com o tema "Space Oddity" de David Bowie em fundo.
Posso ser acusado de ingenuidade mas acredito piamente que a melhor resposta ao terror não é pagar na mesma moeda. É aplicar a doutrina de Cristo, Buda, Gandhi e Maomé (sim, esse mesmo!), em detrimento da lei de Talião, que advoga o "olho por olho, dente por dente". Ainda que, naturalmente, haja necessidade de avançar com medidas dissuasoras de futuros ataques à humanidade.
Ainda melhor que "Je Suis Charlie" ou "Tous Soms Barcelona" será citar a cantautora Joan Baez e o título de um dos seus temas mais emblemáticos: No nos moveran. Porque, contra todas as formas intimidação, a melhor resposta será sempre dizer que estamos presente e jamais voltaremos as costas a quem é nosso igual!