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em manifestação

Policias e GNR afirmam que chegaram ao limite

“É uma forma simbólica de caracterizar a forma como estamos a ser tratados pelo governo”, afirmou à Lusa José Rosado, polícia há 28 anos.

22 Janeiro 2020

Quase uma centena de agentes da PSP e militares da GNR manifestaram-se ontem no Jardim Manuel Bivar, em Faro, afirmando ter chegado ao limite e prometendo só parar a luta quando o governo cumprir as promessas feitas.
O início do protesto estava marcado para as 16h, mas o número de manifestantes foi crescendo com o entardecer. Com cartazes como “Portugal é o 3º país mais seguro do mundo porque há cerca de 40 mil palhaços que olham por 10 milhões, até quando?” ou “Palhaços Segurança pública, chegámos ao limite” muitos manifestantes levavam na cara um nariz vermelho.
“É uma forma simbólica de caracterizar a forma como estamos a ser tratados pelo governo”, afirmou à Lusa José Rosado, polícia há 28 anos.
“Não nos vencem pelo cansaço”, afirmou Fernando Raposo, secretario nacional da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) para o Algarve, revelando que a intenção da manifestação é mostrar que estão presentes e assim vão continuar “todos os meses” até que as reivindicações dos profissionais sejam garantidas.
“A ideia é que as coisas mudem, mas mudem efetivamente! Não é andarmos em negociações constantemente e o assunto cair no esquecimento”, defendeu.
As reivindicações passam pela reposição dos suplementos que “foram retirados indevidamente” desde 2011, o subsídio de riscos, “já aprovado na Assembleia da República", a atualização salarial, a criação de legislação relacionada com higiene e saúde, aumento do efetivo e mais e melhor equipamento de proteção pessoal e a constate falta de material, adiantou.
“Só em Faro estão cerca de 30 viaturas à espera de verba para serem reparadas. Dizem que pode ser em março…” lamentou o sindicalista.
Na manifestação de Faro marcaram também presença polícias de Beja, fazendo-o “na hora da folga", como afirmou à Lusa Francisco Passinhas, dirigente nacional da ASPP/PSP e 3.ª geração de polícias com “100 anos de serviço na família”.
O sindicalista realçou que o subsídio de risco ”foi aprovado pelos deputados na Assembleia” e não está a ser aplicado, “alguém não está a cumprir a lei, assim como o estatuto”. O dirigente destacou que 45 anos depois do 25 de abril ainda “há cidadãos de segunda”, algo que se vai manter enquanto o direito à greve “não chegar a todos os cidadãos”.
Ruben Teixeira, dirigente da delegação sul da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), justificou os poucos militares presentes, por ter sido um dia “com muitas equipas empenhadas em instrução e serviços”, esperando uma maior presença ao final do dia.
Aproveitou a presença dos jornalistas para alertar para “a falta de meios e de efetivos no Algarve”, assim como as condições de muitos dos postos, “alguns fechados para remodelação há quatro anos” e outros a precisar urgentemente de obras”.
A componente militar desta força, não contribui para fazer ouvir a sua voz, já que, refere o dirigente, “há uma grande diferença” na capacidade negocial com o governo e participativa de um Sindicato [como na PSP] ou de uma Associação [como na GNR], com quem “não são obrigados a negociar”, mas “não nos cansamos de o fazer” sustentou.
As concentrações de hoje deram início aos protestos que os elementos da PSP e GNR pretendem organizar mensalmente até que o Governo responda às reivindicações, estando a ser ponderadas a entrega das armas de serviço e uma greve de zelo.