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Alentejo

Quercus faz balanço Ambiental de 2019

O Núcleo Regional de Portalegre da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, apresenta alguns factos, que na sua opinião, marcaram positiva e negativamente o ano de 2019.

01 Janeiro 2020

O Núcleo Regional de Portalegre da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, apresenta aqui alguns factos, que na sua opinião, marcaram positiva e negativamente o ano de 2019.
No plano nacional e internacional, o ano de 2019 continuou a trazer por vários motivos, o Ambiente à ordem do dia. Nesse sentido, e como tem vindo a ser habitual, a Direcção Nacional da Quercus emitiu um comunicado oficial sobre o ano que agora termina.
Ao nível do Alto Alentejo, e do distrito de Portalegre em particular, a Quercus destaca os seguintes factos, de acordo com o trabalho desenvolvido em 2019:

O PIOR DE 2019

Seca no Alto Tejo


A seca que se verifica desde há três anos em Portugal e a má gestão da bacia do rio Tejo, nomeadamente por parte de Espanha ao nível da água que entra em Portugal através da Barragem de Cedillo, no Norte do Alentejo, esvaziaram no último trimestre do ano os rios Ponsul e Sever (afluentes do Tejo) e baixaram substancialmente o caudal do rio Tejo. As descargas realizadas por Espanha, muito concentradas num curto espaço de tempo para cumprir de forma errada os acordos internacionais, baixaram de forma dramática o nível da albufeira de Cedillo, onde desaguam os dois rios portugueses, e levaram a que estes
ficassem praticamente secos Apanha noturna de azeitona em olivais superintensivos
Em 2019 ficaram demonstrados os impactes nefastos que a apanha noturna de azeitona nos olivais superintensivos têm na vida selvagem, e em especial na avifauna, estimando-se a morte de 70.000 a 100.000 aves protegidas em território nacional. Apesar das fiscalizações levadas a cabo que revelaram números alarmantes e da Quercus ter solicitado ao anterior e ao atual Governo que tomassem medidas legislativas urgentes, no sentido de proibir esta prática que ocorre sobretudo nos olivais superintensivos da região do Alentejo, continua a existir uma marcada falta de ação do Estado sobre este assunto, ainda que algumas empresas mais responsáveis já tenham suspendido as colheitas
noturnas.

Seca e alterações climáticas no Alto Alentejo

A seca que afetou, e ainda afeta, todo o país, atingiu também o Alto Alentejo e os distritos de Portalegre e Évora, em particular. Já depois do início das chuvas de Outono, e de acordo com índice meteorológico de seca (PDSI) disponibilizado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a 31 de outubro, mais de 87% do território nacional continental ainda se encontrava em situação de seca meteorológica. Em concreto, 33,5% do continente estava em seca moderada, 31,9% em seca severa, 17,5% seca fraca, 6,8% normal, 6% em chuva fraca e 4,3% em seca extrema. É importante não desvalorizar a gravidade da situação de seca e crescente desertificação que o país tem vindo a atravessar nos últimos anos, sendo urgente tomar medidas, não só ao nível dos efeitos que já se fazem sentir, mas também na adaptação a um novo cenário que se prevê ser, cada vez mais, a nova normalidade, sendo que o Alentejo será das regiões nacionais mais
afetadas.

Olivais superintensivos no Alto Alentejo
À semelhança do Baixo Alentejo, o Alto Alentejo, sobretudo, em concelhos como Elvas, Avis, Fronteira, Campo Maior ou Évora, continua a ser também alvo da instalação de novas monoculturas intensivas e superintensivas de olival, sem um fim à vista. Quando a maioria das previsões aponta para num futuro breve existirem cada vez mais carências ao nível dos recursos hídricos disponíveis nas zonas a sul do Tejo, sendo este ano de 2019 um exemplo disso, será muito questionável a aposta que está a ser feita nestas culturas de regadio, complementadas com utilização regular de fertilizantes químicos de síntese e
produtos agrotóxicos. Mais grave se torna a situação quando a expansão destas culturas é feita à custa de floresta autóctone, base da biodiversidade local, ou com o sacrifício de olival adulto e tradicional, bastante mais bem adaptado às realidades locais.

Operações de “limpeza” em árvores
Continuam-se a registar casos de más práticas nas limpezas e operações de poda
realizadas nas árvores de alguns parques e jardins do Distrito de Portalegre. Tais práticas, muitas vezes realizadas de forma demasiado severa e injustificada, provocam frequentemente debilidade nas árvores intervencionadas, assim como danos ambientais e descaracterização dos espaços públicos onde se encontram.

O MELHOR DE 2019

Movimento Estudantil Internacional pelo Clima


Inspirados pela jovem ativista sueca Greta Thunberg, milhares de estudantes em todo o mundo, Portugal incluído, têm vindo a unir vozes em 2019 para reivindicar aos decisores políticos uma ação climática urgente e efetiva. Este movimento global, que teve também a participação de estudantes do Alentejo, em cidades como Portalegre e Évora, vem provar que as gerações jovens – as quais serão os adultos de amanhã - não estão adormecidas.
Antes pelo contrário, têm uma palavra a dizer sobre as decisões que estão a ser tomadas tomadas hoje e que irão ditar o futuro do nosso planeta. As alterações climáticas são uma realidade inegável e mais do que nunca é preciso passar das palavras à ação.

Alto Alentejo bem posicionado na Qualidade Ambiental
A análise do Índice Sintético de Desenvolvimento Regional, referente a 2017, foi divulgada em Junho deste ano, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Esta análise revelou que, ao nível do índice de qualidade ambiental, o Alto Alentejo se situa em quarto lugar nacional, atrás de Trás-os-Montes (1º lugar), Beira Baixa (2º lugar), e Região Autónoma da Madeira (3º lugar). O estudo incidiu sobre 25 regiões Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos (NUTS) III e mostra que, apesar de muito existir ainda a fazer, o Alto Alentejo é uma referência em termos ambientais, a nível nacional.

Transportes urbanos de Portalegre
Soube-se este ano, que a partir do início de 2020, os utilizadores dos transportes urbanos de Portalegre vão passar a poder carregar os seus passes nas máquinas multibanco e a obter informações em tempo real sobre os horários e percursos dos autocarros diretamente no smartphone ou tablet. Mas esta evolução tecnológica ao nível da bilhética já está a contribuir para melhorar o serviço junto dos utentes, facilitando o seu acesso à rede de transportes e permitindo aos Serviços Municipalizados de Águas e Transportes de Portalegre, avaliar as vendas dos títulos de transporte e verificar se os percursos dos autocarros estão a ser efetuados com ou sem atrasos. Neste momento, a adesão aos passes mensais tem vindo a aumentar e estas são melhorias importantes para tornar os transportes coletivos mais atrativos.

Avis com bandeira verde
O Município de Avis ganhou, pela décima primeira vez consecutiva, a bandeira verde atribuída pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE). Essa atribuição foi condicionada à avaliação do seu desempenho, através de indicadores de sustentabilidade, sendo um estímulo e uma responsabilidade para o fortalecimento de ações continuadas que visam a elevação da sua qualidade ambiental e educacional. É de salientar que dos Municípios portugueses vencedores da Bandeira Verde Eco XXI, Avis foi o único Município do Alto Alentejo galardoado".